
Quando J. K. Rolling anunciou que iria escrever o último volume de sua série de livros sobre o bruxinho Harry Potter, boa parte dos pais cristãos respirou aliviada. Parecia que a indústria iria dar uma trégua no que consideram a “deseducação” de seus filhos. Bem, o alívio durou pouco. No final de 2008 chegou aos cinemas a adaptação do romance adolescente Crepúsculo (Twilight, EUA), escrito pela americana Stephenie Meyer e novamente começou o frisson em torno de um novo fenômeno teen. Os filhos desesperados para ter acesso ao filme e aos livros e os pais desesperados por achar razões que convencessem seus filhos a não verem o material.
Incentivado por um amigo pastor eu decidi assistir o filme e tentar compor um texto opinativo sobre o longa. Minha primeira e grande preocupação foi ser “completamente e irrevogavelmente” honesto com a opinião que iria expressar. Assim, decidi ir até a locadora dividido em dois. Metade de mim locou o DVD com a esperança de não achar absolutamente nada prejudicial na película e assim poder escrever que meus amigos adolescentes poderiam virar fãs da série sem nenhuma preocupação. Mas a outra metade começou a assistir o filme com a desconfiança de uma serpente que examina sua presa. Concluí que somente assim poderia ser completamente honesto com meu público alvo.
Ao contrário do que a mídia vem propagando, já no início do filme, percebe-se que a embalagem de Crepúsculo vai de encontro com o que se espera de um filme dedicado a adolescentes. As imagens são pálidas, em tons azuis, cinzas, pretos e brancos. O filme não começa com uma cena de ação e a música inicial tem melodia irregular. A narrativa é conduzida em primeira pessoa pela protagonista: Isabella Swan. Ela compartilha conosco seus pensamentos e impressões sobre os fatos a que é submetida.
Bella, como é chamada, é uma adolescente de 17 anos que se muda para uma cidadezinha chamada Forks. Lá, ela é apresentada a um mundo pequeno, sem opções de diversão onde todos se conhecem. Os problemas de Bella começam aí. Ela é uma personagem que faz o tipo desajustada, que não gosta de ser notada e tem gostos diferentes dos outros adolescentes. Bella segue apática e sem entusiasmo com sua nova escola até que conhece um grupo familiar: os Cullens. Eles são pálidos, sempre andam juntos, não são vistos muito durante o dia e não fazem amigos fora do ciclo da família. É o suficiente para despertar a curiosidade de Bella, que, por coincidência é escolhida para ser parceira de laboratório de Edward Cullen. Daí não tarda muito até que Bella fique desconfiada da força e rapidez incomum que Edward demonstra ter e termine descobrindo que ele e toda a sua família são vampiros. Tarde demais. Ela está completamente e irrevogavelmente (conforme ela mesmo admite no longa) apaixonada por Edward.
O filme segue lento e melancólico até a metade quando começa a ser animado com cenas de ação e suspense habilmente engrandecidas pelas belas paisagens das locações externas e pela técnica de filmagem que começa do plano distante e vai se aproximando do objeto principal da cena. Tudo isto apimentado pela paixão impossível entre a humana e o vampiro.
É sobre este romance que se sustenta todo o enredo e é por causa dele que Crepúsculo consegue conquistar sua platéia.
Edward é um vampiro. Seu instinto é matar Bella para alimentar-se de seu sangue. Porém ele opta por não seguir seus instintos, utilizando-se da força de vontade, por amor a namorada. Bella e Edward vivem no limiar entre o perigo e a paixão.
É aqui que reside nosso problema. Porém, a maior parte dos pais continua condenando o filme por um motivo que talvez esteja equivocado: o vampirismo.
A paixão hollywoodiana pelas produções com vampiros desperta uma idéia de que estes seres são criações de inspiração satânica usadas para seduzir o público e encher suas cabeças com conteúdo maldito.
Porém, o vampirismo é mais antigo do que se cogita. Ele aparece na mitologia de diversas regiões da Europa. A associação com o sangue somente veio em 1476, quando o então Principe Vlad III, famoso pela sua crueldade, foi imortalizado nas páginas do romance Drácula.
Vampiros, dentro da mitologia, sempre foram usados para representar o mal que ao mesmo tempo seduz e mata. Nunca se cogitou que vampiros fossem reais nem muito menos que a abordagem destes personagens tivesse algum tipo de poder sobrenatural sobre seu público. Existe um sem número de contos de horror clássicos e não se tem notícias de que seus autores tenham qualquer tipo de contato premeditado e consciente com o verdadeiro Satanás. Personagens com índole má em qualquer tipo de literatura, inclusive a cristã, são o que são: personagens que pregam e vivem o mal na sua essência. Não se poderia esperar que agissem de outra forma que não praticando a maldade. O fato de um autor resolver incluir um personagem com esta definição em sua obra não significa necessariamente que sua obra tenha uma intenção reprovável.
Em Crepúsculo, esta observação merece ainda mais ressalvas. Mayer não teve a menor intenção de fazer um romance sobre vampiros. E Crepúsculo não é um filme sobre vampiros. É antes de mais nada uma história de amor impossível. É um vampiro, mas poderia ser um E.T., um gnomo, um feiticeiro, um lobisomem, um simpatizante do Talibã.
Vampiros não são o objeto do romance de Mayer, eles são o seu argumento. E Meyer não exita em desconfigurar completamente a noção clássica de vampiro: os Cullens não viram morcegos, podem se alimentar de sangue animal, não têm medo da luz, brilham quando expostos ao sol, não são necessariamente perversos, não têm medo de alho, estacas, cruzes ou coisas do tipo, não voam e não dormem em catacumbas ou cemitérios.
Obviamente, por ser vampiro, a índole de Edward e do resto de sua família é má. Porém, nenhum deles optou por virar vampiro e todos lutam com sucesso comprovado contra sua índole e a mantém sob constante disciplina. Qualquer comparação com nossa condição de pecado não é mera coincidência. Esta postura é bem definida numa das frases de Edward: Eu me recuso a me tornar um monstro. Dizer que um filme é do diabo porque mostra um vampiro como protagonista é uma ingenuidade tanto quanto dizer que a Crepúsculo promove a virgindade entre adolescentes.
Alguns críticos gostam de se referir a este detalhe para explicar que o filme há de agradar aos pais mais conservadores e pode ensinar bons princípios aos filhos. Bobagem. Crepúsculo nunca pretendeu ser um filme didático sobre usar a razão além da emoção ou sobre fazer a escolha certa. Ele é essencialmente um filme sobre flertar com o perigo. Eis aqui a importância do narrador/personagem. Se o filme fosse visto da perspectiva de Edward, talvez o controle dos instintos pela consciência fosse um argumento plausível. Mas o filme é contado do ponto de vista de Bella, e para ela, não se entregar a Edward é uma questão de falta de opção, não de racionalidade.
Para Bella, o que interessa é este sentimento arrebatador que a possui desde o primeiro momento em que vê Edward. É este sentimento que lhe dá sabor à nova vida em Forks. É a constante sensação de perigo que apimenta sua relação e faz com que ela se apaixone mais e mais. Bella não se interessa em não sucumbir aos instintos que unem os dois. Dá provas disso nos beijos que troca com Edward em seu quarto. Bella, inclusive está disposta a se tornar um monstro – a essência do mal – para viver sua grande paixão.
Seu posicionamento no filme é o mesmo demonstrado por Eva no Éden, quando preferiu se envolver com o fruto proibido ignorando o conselho de Deus de não se aproximar da árvore do conhecimento do bem e do mal. O problema é que o tipo de narrativa de Meyer torna este comportamento aceitável, desejado e até tentador.
Este, e não vampiros, é o grande motivo pelo qual o filme arrebata o público adolescente com tanta força: o que é a adolescência senão um flerte com o perigo?
Aos meus amigos adolescentes: você não aprende através de conceitos abstratos e intangíveis. Você aprende principalmente através de sensações e é quase cem por cento certo que você se identificará com as sensações experimentadas pelos personagens e, mais extensivamente com o ponto de vista de Bella, e mais extensivamente ainda com os conceitos abstratos e intangíveis imbutidos no flerte de Bella e Edward. Meu medo é que estes conceitos atuem diretamente na sua percepção dos princípios, justamente porque princípios são isso: leis abstratas e intangíveis que com uma força incrível comandam nossas ações mais concretas e palpáveis.
Assim, não seria nenhum absurdo pedir a você cuidado com um tipo de produção que se utiliza de efeitos, imagens, cores e sensações para te passar conceitos. Afinal, se você ama a Deus, um flerte com o pecado seria a ultima coisa que você iria querer, não?
Contribuição: Ângelo Bernardes



Acho ótimo quando certos estúdios lançam DVD’s com toda uma série de filmes reunidos numa única coleção. Assim, decidi juntar todos os elementos da nossa série de introdução em um único post.
alguns bons amigos, a família ou a namorada, faça uma boa porção de pipoca e…bom filme, sem culpa.
Você deve estar perguntando o que eu estou fazendo postando dois posts de uma vez. Bom, pontualidade nunca foi o meu forte, mas a gente se endireita aos poucos. Acontece que eu estou devendo a vocês dois artigos atrasados que deixei de publicar na semana certa. Assim, aqui vão os dois seguidos.
salvação é preciosa demais para pô-la em risco com um filme, uma música ou o que quer que seja. Se tua consciência te acusa, rejeite.
quem somos, qual é o verdadeiro sentido da vida. Procura explicar o significado de nós mesmos e de nossa existência. Filmes de super-heróis tem um forte apelo existencialista. Em Homem-Aranha, por exemplo, Peter Parker vive sempre no dilema entre os poderes que possui e as responsabilidades que eles acarretam. Já em
Super-Man, Clark Kent se debate entre o fato de ser um “semi-deus” e, ao mesmo tempo, um ser humano comum, com desejos, frustrações, etc. Outro exemplo interessante é Batman. O personagem Bruce Wayne está sempre dividido entre a dor de ter perdido seus pais, seu sentimento de vingança e o desejo de fazer justiça. A filosofia existencialista não é nociva em si, porém, é preciso ter cuidado com ela. Uma mensagem existencialista pode fazer você questionar sua fé, ou mesmo se perder no meio do labirinto das dúvidas existenciais e desviar o foco de Cristo para si mesmo. Um Cristão em dúvidas é sempre um alvo fácil para Satanás.
coisas. A natureza humana é evidenciada e apreciada em todos os seus nuances, tanto bons quanto ruins. Tudo o que é inerente ao homem deve ser aceito por ele e não rejeitado. Filmes
como Closer, Infidelidade, Simplesmente Amor, e, pasmem, Matrix, possuem mensagens humanistas. Um bom exemplo de como a filosofia humanista se propaga através da cultura pode ser observado na música da cantora Madona: “Human Nature“. Nela, Madona se explica pelos escândalos sexuais que causou dizendo apenas que: “Desculpem. Eu não sabia que não podia falar de sexo. Eu não estou arrependida. É a natureza humana.” (sic.).
é aceitável desde que dê prazer. Um exemplo bem próximo de como esta filosofia está presente na nossa cultura é a novela Sete Pecados. No cinema, temos uma porção de exemplos de filmes dos piores tipos: American Pie, Antes Só do que Mal Casado, O Virgem de 40 Anos, Closer, etc.
mostram fatos sobrenaturais ligados a espíritos, demônios, vida após a morte, feitiçaria e dimensões paralelas, a saber: Harry Potter (eu tinha que citar esse, né?), Espíritos, Premonição, A Casa da Colina, A Bruxa de Blair, etc. não é demais
lembrar que Deus desautoriza qualquer tipo de feitiçaria e descarta completamente a possibilidade de qualquer contato entre vivos e mortos e qualquer estágio existente entre a vida e a morte, bem como qualquer tipo de atividade consciente entre os mortos. Porém, é importante que você não confunda “espiritismo” com “fantasia”. Imaginar que uma pessoa pode voar ou, quem sabe, ficar invisível, é pura fantasia, mas não chega a ser espiritismo em si mesmo, pois não está relacionado a demônios, vida após a morte e os outros itens que citamos em nossa definição. Não confunda também “espiritismo” com “mitologia”. Apesar de muitas vezes estarem relacionados, estes dois conceitos são bem distintos.
Humor escatológico – tipo de humor que faz piadas com excrementos, fluidos corporais e elementos constrangedores. Em bom português, toda vez que alguém faz piada com coisas como vômito, flatulência (não me faça citar a outra palavra, por favor), fezes, urina, obesidade, etc., está fazendo humor escatológico.
pessoais, encontram um no outro um apoio para começar uma nova vida. Até aí tudo bem, não fosse pela extravagante cena de sexo protagonizada pelos dois personagens principais e comentada à exaustão pela crítica. A cena não contribui em nada para o enriquecimento da história ou a melhor compreensão do tema do filme. Seria perfeitamente dispensável e até destoa do contexto da narrativa. Está ali única e simplesmente para que as pessoas “apreciem”, por assim dizer, uma cena de sexo quase explícito.
City com seu Tumbler – uma espécie de “carro-super-dotado”. Se eu perguntar numa sala de aula quantos acham que esta cena é uma mentira, uma ficção, eu estou certo que todos levantarão suas mãos afirmativamente. Porém, no mesmo filme há uma outra cena em que a promotora de justiça Rachel olha para Bruce Wayne e lhe profere a seguinte máxima: “Não é o que você é que importa, mas o que você faz que define você”. Se eu perguntar, na mesma sala de aula, quantos acreditam que isso pode ser verdade, eu já não terei uma unanimidade. Um filme passa informações, fatos e filosofias. Em alguns momentos eu saberei diferenciar o que é verdade e o que é mentira. Em outros momentos eu já não terei tanta sagacidade. A grande diferença é o conhecimento que se tem do assunto que está sendo tratado. Filmes constantemente passam a idéia de que devemos deixar nosso coração guiar nossas escolhas. Porém, um cristão estudioso da bíblia saberá que “enganoso é o coração do homem” e que nosso único guia deve ser a palavra do Deus todo poderoso. A pergunta que permanece nessa questão é: se eu não posso confiar no conteúdo de um filme, com relação aos assuntos que conheço, como poderei confiar nele com relação aos assuntos que não conheço? Ponto de diferenciação é isto: A sua capacidade de diferenciar o que é verdade e o que é mentira, o que é certo e o que é errado num filme.


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