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Bate-papo sobre Crepúsculo

Junho 8, 2009

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Quando J. K. Rolling anunciou que iria escrever o último volume de sua série de livros sobre o bruxinho Harry Potter, boa parte dos pais cristãos respirou aliviada. Parecia que a indústria iria dar uma trégua no que consideram a “deseducação” de seus filhos. Bem, o alívio durou pouco. No final de 2008 chegou aos cinemas a adaptação do romance adolescente Crepúsculo (Twilight, EUA), escrito pela americana Stephenie Meyer e novamente começou o frisson em torno de um novo fenômeno teen. Os filhos desesperados para ter acesso ao filme e aos livros e os pais desesperados por achar razões que convencessem seus filhos a não verem o material.

Incentivado por um amigo pastor eu decidi assistir o filme e tentar compor um texto opinativo sobre o longa. Minha primeira e grande preocupação foi ser “completamente e irrevogavelmente” honesto com a opinião que iria expressar. Assim, decidi ir até a locadora dividido em dois. Metade de mim locou o DVD com a esperança de não achar absolutamente nada prejudicial na película e assim poder escrever que meus amigos adolescentes poderiam virar fãs da série sem nenhuma preocupação. Mas a outra metade começou a assistir o filme com a desconfiança de uma serpente que examina sua presa. Concluí que somente assim poderia ser completamente honesto com meu público alvo.

Ao contrário do que a mídia vem propagando, já no início do filme, percebe-se que a embalagem de Crepúsculo vai de encontro com o que se espera de um filme dedicado a adolescentes. As imagens são pálidas, em tons azuis, cinzas, pretos e brancos. O filme não começa com uma cena de ação e a música inicial tem melodia irregular. A narrativa é conduzida em primeira pessoa pela protagonista: Isabella Swan. Ela compartilha conosco seus pensamentos e impressões sobre os fatos a que é submetida.

Bella, como é chamada, é uma adolescente de 17 anos que se muda para uma cidadezinha chamada Forks. Lá, ela é apresentada a um mundo pequeno, sem opções de diversão onde todos se conhecem. Os problemas de Bella começam aí. Ela é uma personagem que faz o tipo desajustada, que não gosta de ser notada e tem gostos diferentes dos outros adolescentes. Bella segue apática e sem entusiasmo com sua nova escola até que conhece um grupo familiar: os Cullens. Eles são pálidos, sempre andam juntos, não são vistos muito durante o dia e não fazem amigos fora do ciclo da família. É o suficiente para despertar a curiosidade de Bella, que, por coincidência é escolhida para ser parceira de laboratório de Edward Cullen. Daí não tarda muito até que Bella fique desconfiada da força e rapidez incomum que Edward demonstra ter e termine descobrindo que ele e toda a sua família são vampiros. Tarde demais. Ela está completamente e irrevogavelmente (conforme ela mesmo admite no longa) apaixonada por Edward.

O filme segue lento e melancólico até a metade quando começa a ser animado com cenas de ação e suspense habilmente engrandecidas pelas belas paisagens das locações externas e pela técnica de filmagem que começa do plano distante e vai se aproximando do objeto principal da cena. Tudo isto apimentado pela paixão impossível entre a humana e o vampiro.

É sobre este romance que se sustenta todo o enredo e é por causa dele que Crepúsculo consegue conquistar sua platéia.

Edward é um vampiro. Seu instinto é matar Bella para alimentar-se de seu sangue. Porém ele opta por não seguir seus instintos, utilizando-se da força de vontade, por amor a namorada. Bella e Edward vivem no limiar entre o perigo e a paixão.

É aqui que reside nosso problema. Porém, a maior parte dos pais continua condenando o filme por um motivo que talvez esteja equivocado: o vampirismo.

A paixão hollywoodiana pelas produções com vampiros desperta uma idéia de que estes seres são criações de inspiração satânica usadas para seduzir o público e encher suas cabeças com conteúdo maldito.

Porém, o vampirismo é mais antigo do que se cogita. Ele aparece na mitologia de diversas regiões da Europa. A associação com o sangue somente veio em 1476, quando o então Principe Vlad III, famoso pela sua crueldade, foi imortalizado nas páginas do romance Drácula.

Vampiros, dentro da mitologia, sempre foram usados para representar o mal que ao mesmo tempo seduz e mata. Nunca se cogitou que vampiros fossem reais nem muito menos que a abordagem destes personagens tivesse algum tipo de poder sobrenatural sobre seu público. Existe um sem número de contos de horror clássicos e não se tem notícias de que seus autores tenham qualquer tipo de contato premeditado e consciente com o verdadeiro Satanás. Personagens com índole má em qualquer tipo de literatura, inclusive a cristã, são o que são: personagens que pregam e vivem o mal na sua essência. Não se poderia esperar que agissem de outra forma que não praticando a maldade. O fato de um autor resolver incluir um personagem com esta definição em sua obra não significa necessariamente que sua obra tenha uma intenção reprovável.

Em Crepúsculo, esta observação merece ainda mais ressalvas. Mayer não teve a menor intenção de fazer um romance sobre vampiros. E Crepúsculo não é um filme sobre vampiros. É antes de mais nada uma história de amor impossível. É um vampiro, mas poderia ser um E.T., um gnomo, um feiticeiro, um lobisomem, um simpatizante do Talibã.

Vampiros não são o objeto do romance de Mayer, eles são o seu argumento. E Meyer não exita em desconfigurar completamente a noção clássica de vampiro: os Cullens não viram morcegos, podem se alimentar de sangue animal, não têm medo da luz, brilham quando expostos ao sol, não são necessariamente perversos, não têm medo de alho, estacas, cruzes ou coisas do tipo, não voam e não dormem em catacumbas ou cemitérios.

Obviamente, por ser vampiro, a índole de Edward e do resto de sua família é má. Porém, nenhum deles optou por virar vampiro e todos lutam com sucesso comprovado contra sua índole e a mantém sob constante disciplina. Qualquer comparação com nossa condição de pecado não é mera coincidência. Esta postura é bem definida numa das frases de Edward: Eu me recuso a me tornar um monstro. Dizer que um filme é do diabo porque mostra um vampiro como protagonista é uma ingenuidade tanto quanto dizer que a Crepúsculo promove a virgindade entre adolescentes.

Alguns críticos gostam de se referir a este detalhe para explicar que o filme há de agradar aos pais mais conservadores e pode ensinar bons princípios aos filhos. Bobagem. Crepúsculo nunca pretendeu ser um filme didático sobre usar a razão além da emoção ou sobre fazer a escolha certa. Ele é essencialmente um filme sobre flertar com o perigo. Eis aqui a importância do narrador/personagem. Se o filme fosse visto da perspectiva de Edward, talvez o controle dos instintos pela consciência fosse um argumento plausível. Mas o filme é contado do ponto de vista de Bella, e para ela, não se entregar a Edward é uma questão de falta de opção, não de racionalidade.

Para Bella, o que interessa é este sentimento arrebatador que a possui desde o primeiro momento em que vê Edward. É este sentimento que lhe dá sabor à nova vida em Forks. É a constante sensação de perigo que apimenta sua relação e faz com que ela se apaixone mais e mais. Bella não se interessa em não sucumbir aos instintos que unem os dois. Dá provas disso nos beijos que troca com Edward em seu quarto. Bella, inclusive está disposta a se tornar um monstro – a essência do mal – para viver sua grande paixão.

Seu posicionamento no filme é o mesmo demonstrado por Eva no Éden, quando preferiu se envolver com o fruto proibido ignorando o conselho de Deus de não se aproximar da árvore do conhecimento do bem e do mal. O problema é que o tipo de narrativa de Meyer torna este comportamento aceitável, desejado e até tentador.

Este, e não vampiros, é o grande motivo pelo qual o filme arrebata o público adolescente com tanta força: o que é a adolescência senão um flerte com o perigo?

Aos meus amigos adolescentes: você não aprende através de conceitos abstratos e intangíveis. Você aprende principalmente através de sensações e é quase cem por cento certo que você se identificará com as sensações experimentadas pelos personagens e, mais extensivamente com o ponto de vista de Bella, e mais extensivamente ainda com os conceitos abstratos e intangíveis imbutidos no flerte de Bella e Edward. Meu medo é que estes conceitos atuem diretamente na sua percepção dos princípios, justamente porque princípios são isso: leis abstratas e intangíveis que com uma força incrível comandam nossas ações mais concretas e palpáveis.

Assim, não seria nenhum absurdo pedir a você cuidado com um tipo de produção que se utiliza de efeitos, imagens, cores e sensações para te passar conceitos. Afinal, se você ama a Deus, um flerte com o pecado seria a ultima coisa que você iria querer, não?

Contribuição: Ângelo Bernardes

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And the oscar goes to…

Fevereiro 8, 2008

O Ministério da Justiça usa o critério de faixa etária para classificar os filmes postos em exibição nos cinemas e/ou vendidos em DVD. Além da classificação por idade, você poderá encontrar a descrição resumida das cenas que levam o filme a ser taxado como “Classificação Livre” ou “Inapropriado” para esta ou aquela idade.

Dentre as expressões mais utilizadas, destacamos duas: “temática com impropriedade” e “desvirtuação de valores”.

O primeiro termo se refere a quando um filme trata de um certo assunto sem veicular informações suficientes para a sua correta compreensão, ou veiculando informações distorcidas. Trata-se de um erro de informação.

Já o segundo termo diz respeito a uma inversão de conceitos morais e éticos tratando os conceitos inaceitáveis como aceitáveis e os aceitáveis como se fossem indesejados. Trata-se de um erro de juízo de valor.

Na verdade, os dois critérios se completam. Do ponto de vista deste simplório colunista (de araque), todas as vezes que há uma desvirtuação de valores, há necessariamente a exposição de uma temática com impropriedade (muito embora não possamos dizer que o oposto também seja uma regra).

Dito isto, foi com um misto de esperança e desconfiança que recebi a lista de indicados a melhor filme na premiação do OSCAR 2008. Antes de explicar porque, vou apresentar a você os concorrentes:

Conduta de Risco – Filme sobre um advogado que surta ao se deparar com um complexo caso da firma de advocacia para a qual trabalha.
Onde os Fracos Não Têm Vez – Filme western sobre um homem que se vê perseguido por roubar o dinheiro de um traficante
Sangue Negro – Épico sobre um homem que põe seus conceitos e sua família a prova quando encontra na exploração de petróleo um caminho curto par a riqueza.
Desejo e Reparação – Drama sobre os acontecimentos que acometeram uma família no cenário da segunda guerra.
Juno  - Comédia romântica independente sobre uma adolescente que se vê grávida de um colega de escola.

Em 2006, a academia premiou um filme complexo, difícil de se digerir: Crash – No Limite, um inteligente apanhado das várias faces do pré-conceito e de como elas se conectam. Porem, em 2006 foi a vez do diretor Martin Scorsese levar a estatueta pelo seu Os Infiltrados, um filme tido pela crítica como “uma análise social do gangsterismo”, que, no fim das contas segue mesmo a linha da estilização da violência (vide 300) e da celebração da perversidade (destaque para as cenas de tiros e sangue em câmera lenta ao som dos Rolling Stones).

Assim, quando vi a lista acima, fiquei na dúvida: iria o OSCAR premiar novamente cineastas que utilizam o primor técnico para sobressair o pior do comportamento humano? Ou seríamos poupados das análises sociais coreografadas, ritimizadas e musicalizadas da “violência-pop” em privilégio de filmes com maior conteúdo dramático? Traduzindo, teríamos que agüentar todo mundo correndo pra locadora pra assistir Onde os Fracos Não Têm Vez? Ou poderemos sorrir com resignação quando algum frustrado protestar: “Como é que premiam com a estatueta de melhor filme um filme como Conduta de Risco”?

Mas o problema não para por aí. Mesmo que tenhamos filmes premiados na linha de Conduta…, Desejo e Reparação ou Juno, será que a temática destes filmes é tratada com impropriedade? Será que há desvirtuamento de valores éticos?

Enquanto que a Academia parece privilegiar cada vez mais a técnica em detrimento do roteiro, fica a pergunta para nós: a que película daremos o Oscar de melhor filme? E se nenhum deles merecer ser visto, o que faremos?

Lembrem-se de uma coisa: nosso filtro é bem mais amplo do que o filtro da comissão julgadora que forma a maior premiação do cinema mundial.

Marcel Hessel, crítico do site Omelete assim dispôs sobre o filme Os Infiltrados: “Filmar a violência é uma forma de tentar entendê-la, tentar entender aqueles que a utilizam e, por extensão, compreender as próprias divisas da nossa sociedade.” Não sou crítico profissional. Mas, com o perdão da ousadia, filmar a violência da forma como têm feito grandes como Martin Scorsese, Quentin Tarantino e outros é mais uma forma de incentivo do que de análise. A estilização e a celebração da mesma em nada contribui para a compreensão do fenômeno real que assola o nosso país. Ao inverso, justifica aqueles que fazem uso dela e populariza seus métodos.

Assim, vamos esperar ansiosos até o dia da grande festa para conferirmos se o Oscar vai para o melhor filme ou a melhor desvirtuação de valores.

Abração…

Ângelo Bernardes

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Um amigo, um covarde e uma pipa

Janeiro 29, 2008

Quando consegui assistir o novíssimo O caçador de Pipas (The Kite Runner, EUA, 2008) fiquei procurando uma frase que pudesse resumir o filme e que fosse impactante o bastante para me fazer lembrar do sentido central da história. Pois é, a dita frase só me veio no final. Aliás, ela me veio duas vezes, mas só fui atribuir a ela o status de frase-chave na ultima cena do filme.

O longa (como vocês já devem estar carecas de saber) é baseado no best-seller de título homônimo do escritor Khaled Hosseini.  Narra a história de dois garotos na pré-adolescência: Amir (Zekeria Hbrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada). O primeiro é rico, filho de um importante cidadão de Cabul, capital do Afeganistão. O segundo é filho de um dos empregados do pai de Amir. Na verdade o garoto pobre e analfabeto é descendente de uma raça considerada inferior.

Os dois protagonistas foram criados como irmãos e consideravam-se melhores amigos. Porém, a latente superioridade econômica e cultural de Amir contrasta o tempo todo com sua dificuldade para lidar com as situações do cotidiano, com as quais Hassan lidava com muito maior destreza. Amir era contido, covarde e egoísta, muito embora fosse dócil e obediente. Já Hassan era seguro, cheio de estima própria e possuía uma personalidade brilhante, sempre com uma frase em mente e com uma idéia para pôr em prática. Ele nutria uma amizade pelo amigo rico que ia da admiração por sua criatividade a uma fidelidade desconcertante, que não se abalava por nada, a não ser por seus princípios. Num dos diálogos mais significativos da película, Amir pergunta a Hassan se ele teria coragem de comer terra, caso ele o pedisse. Hassan imediatamente retruca: - “Claro que comeria, mas você não me pediria uma coisa dessas, pediria?”

Os dois passavam as tardes se divertindo com suas pipas, brincando com outros garotos e procurando cortar as linhas dos papagaios (na minha terra se chama assim) dos demais.

O filme se desenrola em três partes. A primeira mostra a amizade entre os dois garotos, as competições com as pipas e a ocorrência de um fato que mudaria o curso da história. Ao perseguir uma pipa em queda para Amir, Hassan é violentado por alguns garotos mais velhos. A cena é violenta, porém a violência não é gratuita. Ademais, ela é mostrada de forma discreta e eficiente. Não mais explícita do que precisa ser. Amir assiste tudo, mas não tem coragem de fazer nada. Este fato, curiosamente, abalaria bem mais a vida de Amir do que a vida do próprio Hassan.

A segunda parte mostra Amir já adulto, vivendo nos Estados Unidos como um aspirante a escritor. Em dado momento ele recebe um telefonema de um antigo amigo de seu pai, no Afeganistão. O amigo explica que o filho de Hassan teria sido raptado e que Amir seria a pessoa certa para resgatá-lo.

A última parte mostra as investidas de Amir para tirar o filho de Hassan das forças Talibãs, até mesmo como uma forma de se redimir pela omissão ante à violência sofrida pelo amigo, no passado.

O cineasta Marc Foster dirige o filme com competência. A história é bem organizada, com atuações verossímeis (o garoto Ahmad Khan Mahmidzada é um show à parte) e com uma visão de uma Cabul pobre, porém feliz. Este quadro, porém, contrasta com a Cabul pós-invasão soviética, período no qual a terra começa a sofrer com a violência e a formação de grupos extremistas.

Falando em Marc Foster, o diretor de A Última Ceia e Em Busca da Terra do Nunca, é preciso tecermos dois comentários em relação ao seu O Caçador de Pipas:

1. A trilha sonora do longa é toda pautada nos sons orientais-arábicos, com uso da percussão típica do lugar e dos instrumentos peculiares ao mesmo. Ou seja, ela acompanha o cenário, não as emoções do filme. Assim, a música de fundo muitas vezes não é forte o suficiente para destacar a cena que se desenrola.

2. O outro problema diz mais respeito ao contexto cultural do filme do que à habilidade do diretor. Marc Foster é conhecido pela seu raro dom para mexer com as emoções do público e principalmente pela sua infindável capacidade de produzir ternura nas cenas de seus filmes. Foram tais características que o tornaram famoso e que fizeram de Em Busca da Terra do Nunca, por exemplo, uma verdadeira fábrica de lágrimas. Porém, é fato que os orientais são muito mais reprimidos ao demonstrarem emoções do que os ocidentais. Assim, os atores de O Caçador… são mais contidos do que deveriam ser, tomando por base a linha de construção de cenas comumente utilizada por Foster. Quando os personagens demonstram dor, o fazem de maneira discreta, o choro é discreto, o medo, a comoção, tudo é muito contido. Assim, Foster abriu mão de sua principal marca para imprimir realismo a seu filme.

Se do ponto de vista cinematográfico este fator pode decepcionar os espectadores mais ansiosos, do ponto de vista cultural é um ganho: não há sinais de manipulação de sentidos aqui. Se você há de se emocionar, será pelos fatos em si, não pela trilha sonora nem pela atuação mais emotiva deste ou daquele ator.

Enfim, o filme nos mostra uma história comovente sobre um amigo leal e corajoso e sobre um covarde que teve uma segunda chance. É finalmente uma história sobre uma frase ditas duas vezes. A primeira vez por Hassan para Amir. A segunda vez por Amir para o filho de Hassan: “Por você, eu faria isso mil vezes.”

Esta frase me constrangeu profundamente, pois me elevou o pensamento diretamente ao meu relacionamento com Jesus.

À semelhança de Amir, eu sou somente um garoto covarde, que nem sempre tem coragem de assumir minha amizade com Cristo. Pior, às vezes me encontro com vergonha de defendê-lo ou de andar com ele. Às vezes me pego sendo indiferente ao seu sacrifício por mim, quando ignoro o significado da cruz e me ponho a viver a vida do meu jeito.

Porém, à semelhança de Amir, também são me dadas segundas chances. Oro para que Deus me dê forças para ser fiel a este amigo que daria a vida por mim “até mil vezes” se fosse preciso.

Bueno, com este último post eu fico em dia com vocês. Até quinta-feira então (sem mais atrasos, eu espero).

Abração.

Ângelo Bernardes.

Nota: O filme é recomendável tanto quanto o livro. Porém, é preciso que você saiba que ele não deve ser assistido por crianças, dado às cenas de violência e à necessidade de maturidade para compreensão dos fatos narrados. Respeite a classificação indicativa de 14 anos destinada à película.

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Hollywood, Will Smith e o fim do mundo

Janeiro 29, 2008
                                    Hollywood já tentou destruir nosso planeta um sem número de vezes. Em pelo menos cinco delas, Will Smith foi chamado para evitar o pior (vide Independence Day, Homens de Preto I e II, e Eu, Robô, por exemplo). A ultima aventura do ator negro mais bem sucedido do mundo foi bastante solitária. Em Eu Sou a Lenda (I Am Legend, EUA, 2008), Smith interage a maior parte do filme apenas com uma cadela pastor alemão chamada Samantha.

O longa é uma adaptação competente do livro homônimo de Richard Matherson, considerado um clássico da ficção científica.

Nele, o vírus do sarampo é manipulado para fornecer a cura do câncer, mas sofre uma mutação e provoca uma doença nos humanos e animais infectados, apresentando sintomas semelhantes aos da raiva, só que bem mais graves. As pessoas perdem suas feições humanas e se tornam animais selvagens.

O tal vírus e suas conseqüências fazem com que a população da terra seja quase toda dizimada, restando apenas o Will Smith, a brasileira Alice Braga e mais um punhado de pessoas.

 

Smith interpreta o doutor Robert Neville, um cientista que pesquisava a cura para a doença causada pelo vírus antes que ele se alastrasse pelo planeta.

Não pretendo entrar nos méritos e desméritos técnicos do longa, porém, alguns detalhes me chamaram a atenção.

Filmes-catástrofe sempre renderam alta bilheteria. Parece que os espectadores possuem um prazer infindável em ver seus pares sendo quase que extintos e seu planeta agonizando, seja nas mãos de E.T.’s, seja pela fúria da natureza ou pela ação destruidora do homem.

Em parte, isso se deve menos a um gosto pela desgraça e mais a uma necessidade de ver como seria uma mudança brusca no nosso mundo, o que se torna não somente possível, mas inevitável, nos filmes catástrofe. A insatisfação das pessoas como o mundo tal como se encontra termina por levá-las ao cinema para ver o que aconteceria se este planeta fosse (quase) destruído e as pessoas começassem do ponto zero a refazer suas vidas.

Curiosamente o que elas querem ver destruído são apenas prédios, governos, cidades e seres humanos e não as estruturas culturais decadentes que regem nossa sociedade.

A mudança, neste tipo de filme, ocorre no ambiente, não nas pessoas.

Outro ponto trazido à discussão em Eu Sou a Lenda é a interminável capacidade humana de provocar a destruição em maior ou menor escala. Enquanto o homem brinca de Deus, a natureza reage para devolvê-lo à sua condição de mero mortal e avisá-lo que a humanidade não tem a inteligência e a sabedoria necessária para avançar em certos aspectos. Estas informações são latentes em filmes como The Day After, clássico do pós-guerra que mostra o que aconteceria se a Terra fosse envolvida num conflito nuclear. Porém, após o 11 de setembro, os filmes-catástrofe se tornaram mais pessimistas e focaram uma nova ameaça. Se, antes dos ataques terroristas, o problema era com guerras e invasões alienígenas (vide o arrasa-quarteirão Independence Day, protagonizado também por Will Smith), depois do evento o inimigo tornou-se o próprio homem, ou as conseqüências de seus atos (como visto em O dia Depois de Amanhã e Filhos da Esperança, por exemplo). O fato é que, todas as vezes que o ser humano invade o campo de atuação do Criador, seus atos se voltam contra ele.

Por fim, ficamos ainda com uma frase intrigante, vista logo no início de Eu Sou a Lenda:Deus ainda nos ama. Nós ainda amamos a Deus?”

Os mais incautos podem achar se tratar de uma mensagem subliminar (esqueça isso) ou mesmo descartar o out-door como algo sem importância. Porém, lá pelo meio do filme, fica claro o sentido dado à pergunta: Dr. Neville tenta esclarecer as dúvidas de Anna (Personagem de Alice Braga) com a seguinte máxima: “Não foi Deus quem fez isso, Anna. Fomos nós.” Poderia ser uma simples frase não fosse pelo fato de que Neville perdeu sua fé em Deus depois de ter visto a tragédia que assolou o planeta. Mais tarde, contudo, ele será forçado a admitir que Deus esteve ali o tempo todo mandando sinais. Os homens é que preferiram ignorar.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Não se trata de um filme pedagógico (como se poderia dizer do brilhante SINAIS, do qual falaremos em breve). No final das contas Eu Sou a Lenda é simplesmente um filme-pipoca, nada mais. Assim, não saia por aí dizendo que estou recomendando o filme. Você dispõe de elementos suficientes nos posts anteriores para decidir por si mesmo se deve ou não assisti-lo.

Porém, qualquer que seja sua decisão, se você não for um alienígena visitando nosso planeta, certamente vai ouvir falar de Eu Sou a Lenda e talvez se depare com as questões que ele suscita. Assim, eis alguns fatos do ponto de vista cristão sobre o assunto: sim, o homem tem uma imensa capacidade para provocar a destruição quando se afasta dos princípios divinos; não, não temos tanta capacidade de nos reerguermos das cinzas que nós mesmos criamos. Muitas vezes precisamos de um herói que nos salve. Pense duas vezes antes de buscar este herói na figura de um outro ser humano, você poderá estar cometendo o mesmo erro.

Por último, Deus nos ama. Ele jamais nos entregará à nossa própria sorte por mais tempo do que o necessário. Ele jamais permitirá que soframos sem um propósito e Ele é o único herói capaz de nos salvar, verdadeiramente, da nossa própria miséria, e não mudar somente concreto e paisagem.

Abração.

Ângelo Bernardes

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Cardápio de Fim de Férias “Ação J.A.”

Janeiro 29, 2008

As férias estão terminando e você já deve estar fazendo uma lista de coisas que precisa fazer antes de voltar às aulas ou ao trabalho.

Quer uma recomendação? Vá à praia, pratique esportes, aproveite para se envolver mais na igreja, saia com amigos, ponha seu ano bíblico em dia, visite parentes que não vê a um bom tempo.

Porém, se mesmo assim você ainda tiver tempo livre, para aquelas noites monótonas em que tudo o que a TV lhe oferece é a novela das oito (e a TV não costuma oferecer coisas muito melhores não), gostaria de lhe sugerir um cardápio. Uma série de bons filmes que podem fazer você se divertir sem que isso comprometa a sua inteligência. Aviso logo: tenho uma fama injusta de gostar de filmes que ninguém mais gosta (minha companheira de blog, dona Tatyanne de Morais é uma das responsáveis por espalhar isso). Porém, me dê uma chance. Você não vai se arrepender.

Entrada: Escritores da Liberdade (Freedom Writers, EUA, 2007)

O filme conta a história real de Erin Gruel, uma professora iniciante que opta por dar aula numa escola pública do subúrbio. Lá ela se depara com um grupo de alunos delinqüentes, membros de gangues, cujo rendimento escolar é pífio e que, por isso mesmo, são desprezados pela administração do colégio. Erin pretende provar que um pouco de perseverança, amor à causa e boas idéias podem mudar este quadro. O filme faz refletir o preconceito, as imposições sociais e o papel da educação da formação do ser humano. Não. Não é um filme chato. Muito pelo contrário. As histórias dos alunos de Erin vão prender você e te mostrar um outro ponto de vista sobre os grupos sociais.

 

Acompanhamento: À Procura da Felicidade (The Persuit of Hapiness, EUA, 2007).

Will Smith interpreta a história real de Chris Gardner, pai de família completamente falido, e sua luta para criar seu filho (interpretado por Jaden Smith, filho real de Will.). Você pode pensar que se trata daqueles melodramas cheios de sermões. Esqueça. O filme tem ótimos momentos de comédia e não se foca na miséria do personagem principal e sim na força dele para dar a volta por cima. Há cenas memoráveis como a que Gardner dorme com seu filho num banheiro público fingindo ser uma caverna pré-histórica para abrigá-los de dinossauros, só para que o filho não sofra com a real situação em que se encontravam (foram despejados por falta de pagamento de aluguel). É uma ótima oportunidade para aprender sobre perseverança, fé, princípios e principalmente trabalho duro.

 

Prato Principal (Pode-se ver no sábado): Terra Selvagem (End Of Spear, EUA, 2005).

Uma das mais belas histórias já produzidas por Deus e transformadas em filme pelo homem, Terra Selvagem narra os fatos reais acontecidos a um grupo de cinco missionários e suas famílias. Estes homens tentavam levar o evangelho a uma tribo de índios homicidas no Equador, quando foram acometidos por uma tragédia que mudaria o curso de seus planos. Surpreendentemente este triste fato trás a tona toda a beleza da história. Qualquer detalhe que eu dê a mais tirará a graça do longa. A película mostra o amor de Deus e o amor ao próximo como os pilares básicos da vida. Falaremos melhor sobre este filme em outro post. Assim, assista logo,antes que eu conte o final.

Sobremesa: Poseidon (Poseidon, EUA, 2006).

Ok. Você também tem direito a um pouco de diversão sem maiores pretensões. Mas lembre-se: este filme é a sobremesa, nada de assisti-lo antes do almoço acima. Trata-se de um bom filme-desastre com ótimos efeitos especiais, sem violência interpessoal, sem sexo, sem linguagem depreciativa, sem filosofias estranhas, enfim: é pura ação. No enredo, uma luxuosa embarcação vira de cabeça para baixo quando é atingida por uma onda gigante. O ponto principal é a luta dos sobreviventes para chegar à saída do navio e serem resgatados. Nada mais do que isso.

Ok, o almoço está servido. Bom Apetite.

Abração.

Ângelo Bernardes.

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Três tendências perigosas no cinema da atualidade

Janeiro 29, 2008

Bom dia amigos. Fazia tempo, né? Ok, ok. Eu sei que deixei muita gente na mão. Peço infinitas desculpas. Mas aqui estamos com os quatro posts atrasados, todos de uma vez, como se eu nunca tivesse deixado de postar (calma, calma, num to querendo enrolar ninguém).

Pois é. Neste post vamos falar de tendências. Se você é observador e freqüenta assiduamente as locadoras, com certeza este post lhe será útil.

Entenda uma coisa: Há os filmes produzidos com enfoque no público e há os filmes produzidos com enfoque na arte. Quando analisamos o primeiro grupo é possível extrair uma lógica simples: se um determinado filme faz sucesso, logo muitos outros virão no mesmo formato e com conteúdo parecido até que o público enjoe daquele tipo de produção e force os diretores a nos entregar algo novo. Assim, é possível estabelecermos alguns padrões que estão em moda agora e que você, como cristão, deve conhecer para se precaver. Aqui vamos nós:

1. Sexologia barata: As comédias românticas são as principais vítimas deste tipo de abordagem. As mulheres talvez discordem de mim, mas fica claro que há uma tendência no cinema em focar a falta de sexo como a raiz de todos os problemas e a volta do mesmo como a solução máxima para todos os relacionamentos. Nada de cumplicidade, arroubos românticos ou desencontros amorosos. As comédias românticas estão sendo apimentadas com traições, homossexualismo, sexo deturpado e mentiras.

2. Fantasia: Filmes-fantasia estão sendo produzidos em série: Harry Potter, O Senhor dos Anéis, A Bússola de Ouro, Ponte Para Teratíbia, dentre muitos outros que vêm por aí. Em que pesem as pregações empolgadas sobre mensagens subliminares, o maior problema desses filmes é a familiarização do público com o ocultismo distorcido, no qual elementos condenados por Deus como feiticeiros, rituais pagãos e adivinhações são apresentados sob um manto de bondade. Cuide do seu “Ponto de Diferenciação.”

3. Violência-pop: Os dois filmes mais aclamados pelo público brasileiro deste filão são nacionais: “Cidade de Deus” e o mais recente “Tropa de Elite”. Interessa mais mostrar cenas demoradas e detalhadas de violência do que o contexto social por trás dela. Alguns filmes, como o suspense de quinta “O Albergue”, valem-se apenas de chocar o telespectador. A violência tornou-se popular e divertida. Na vida real, continua aterrorizante e apocalíptica, mas o público da violência-pop parece separar bem as duas coisas. No conforto de suas salas, tiros e mutilações parecem ser elementos de entretenimento. Paradoxal não? Cuidado com a manipulação dos seus sentidos. Lembre-se da “Teoria da Sopa de Rã”.

Tá avisado. Que Deus os ilumine.

Abração,

Ângelo Bernardes.

 

 

 

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BOX Coluna de Filmes do AÇÃO J.A.

Janeiro 3, 2008

Se você chegou a este post sem ler o artigo logo mais abaixo, pare agora mesmo. Leia o tópico anterior e depois volte pra cá. Se você já leu, ótimo estamos prontos pra concluir nossa série de cinco posts.

Acho ótimo quando certos estúdios lançam DVD’s com toda uma série de filmes reunidos numa única coleção. Assim, decidi juntar todos os elementos da nossa série de introdução em um único post.

Agora que você tem uma base para começar, corra para a locadora e faça boas escolhas.

Antes do filme:

  1. Leia todas as sinopses e todas as críticas possíveis. Informe-se.
  2. Peça opinião de pessoas que já assistiram ao filme que você pretende assitir, principalmente se forem cristãs.
  3. Procure saber se o filme tem conteúdo que contrasta com o que Deus diz em Filipenses 4:8 ou se você está incerto quanto a se deve assisti-lo ou não.
  4. Procure algum sinal de que o filme contenha cenas gratuitas, seja de sexo, violência, vulgaridade ou qualquer outra coisa. Se tiver, é um mau sinal.
  5. Se preciso, ore e peça para que Deus lhe ajude a escolher o melhor filme para o seu entretenimento.
  6. Se você realmente gosta de cinema e quer ir mais além, pesquise um pouco sobre o diretor do filme que você quer ver e procure montar um perfil dos trabalhos dele. Assim, você pode ter uma idéia melhor do que está por vir.

Durante o filme:

  1. Procure identificar que tipo de filosofia o filme está querendo lhe passar. Se elas se enquadram nas quatro correntes filosóficas que abordamos na nossa coluna, atenção redobrada.
  2. Preste atenção na forma como o filme põe em prática a equação do cinema: como ele aborda os fatos? É de um ponto de vista cristão? Ele considera erradas as mesmas coisas que Deus considera erradas? O filme possui elementos que aguçam os sentidos? Se sim, quais são os sentidos que o filme aguça?
  3. Preste atenção no seu ponto de diferenciação. Se alguma cena do filme ou mesmo alguma idéia que ele lhe passe lhe parecer confusa ou nova, tire suas dúvidas com pessoas de confiança.

Depois do filme:

  1. Cuidado com a teoria da sopa de rã. Se o filme que você assistiu tinha conteúdo moralmente reprovável, não te deixou se sentindo muito bem por tê-lo assistido ou foi de encontro a algum dos seus princípios, cuide para que a experiência não se repita.
  2. Comente o filme com outras pessoas que também o assistiram. Isso pode ajudá-lo a ver a película por diversos ângulos.

Se o filme passou por este filtro (e que filtro, hein?), resta uma obrigação a você: chame alguns bons amigos, a família ou a namorada, faça uma boa porção de pipoca e…bom filme, sem culpa.

Abração…

Ângelo Bernardes

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O Melhor Guia de Filmes do Mundo

Janeiro 3, 2008

Você deve estar perguntando o que eu estou fazendo postando dois posts de uma vez. Bom, pontualidade nunca foi o meu forte, mas a gente se endireita aos poucos. Acontece que eu estou devendo a vocês dois artigos atrasados que deixei de publicar na semana certa. Assim, aqui vão os dois seguidos.

Este era para ser o último post da nossa série de quatro posts sobre a introdução ao papo de cinema. Pois é, não deu. O quarto post ficou grande demais e eu o dividi em dois. Assim, a nossa série de quatro posts virou uma série de cinco posts. Enjoy…

Seria muito bom se Deus mandasse para nós um guia. Algo que nos dissesse a que filmes devemos assistir. Talvez não fossem necessárias tantas colunas e palestras sobre cinema, não é? Pois pode parar de sonhar com isso. Esse guia existe e está à sua disposição a mais de mil anos (não vá deixar de ler a minha coluna por isso, ok?).

O Guia de filmes de Deus é composto de duas partes e quatro versos bíblicos simples, mas que juntos podem realmente fazer a diferença na sua vida. Lá vamos nós:

  • 1ª Parte: Analise os filmes (Filipenses 4:8)
  • 2ª Parte: Analise a si mesmo (Romanos 14:14, 22 e 23)

Destrinchando:

  • Filipenses 4:8 – “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há, e se há algum louvor, seja isso que ocupe a vossa mente.”

Não há segredos, meus amigos. Deus deixou claro aquilo que ele quer que ocupe a nossa mente, portanto, qual é o conteúdo do filme que você está vendo? É puro, é amável, honesto, de boa-fama? Estes elementos estão inclusos na história que está sendo contada? Fora disso, não há bons filmes.

Porém, você deve saber contextualizar bem o verso acima para usar o guia na maneira correta. É sempre mais importante a intenção com que a cena é mostrada do que a própria cena me si. Tomemos por exemplo o filme A Ultima Batalha, o primeiro longa metragem Adventista. Nele, nós podemos encontrar cenas de violência e de consumo de drogas. Porém, estas cenas mostram sempre a violência e as drogas como coisas ruins e nocivas à saúde mental, física e espiritual, e isto é bom e honesto. Estas cenas não são gratuitas, ou seja, estão ali para mostrar a decadência moral do personagem Lucas e como as drogas podem ter levado o rapaz a isso. Por fim, não são mais demoradas e detalhadas do que precisam ser, justamente porque não têm a intenção de aguçar nossos sentidos, despertando curiosidade ao invés de repulsa. Isso é ser justo e de boa fama, mesmo mostrando cenas de violência e drogas.

Vamos um pouco mais além. O filme “Infidelidade” mostra a tragédia pessoal de uma mulher que trai o marido com um homem mais novo. O filme mostra o adultério do ponto de vista correto, como algo ruim e desrespeitador. Ponto para ele: está sendo honesto e justo. Porém, as cenas de sexo são desnecessariamente demoradas, detalhadas e intensas. Isso aguça os sentidos do telespectador, desperta-o para um tipo de sexo ilícito. Quando assistido por jovens que não estão casados, despertam seus instintos para uma fase da vida que ainda não lhes pertence, e mesmo para casais casados, pode ser uma influência para colocar a libido a frente do amor. Assim, o filme não é amável, nem muito menos puro. Fuja.

Porém, é bem verdade que nem sempre poderemos ser tão precisos quanto ao que consideramos “puro”, “amável”, “de boa fama”, etc. Isso acontece porque nós reagimos de forma diferente aos estímulos. Aquilo que induz uma determinada pessoa a pecar, pode não induzir outra. Aquilo que atiça os sentidos de alguém pode não atiçar os sentidos de outrem. Por isso Deus criou um critério para possamos analisar a nós mesmos com relação aos filmes que assistimos, de acordo com a luz que temos, a nossa personalidade e a nossa experiência com Cristo. Vejamos:

  • Romanos 14: 14, 22 e 23 – “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo que não é de fé, é pecado.”

O critério é simples e eficaz: na dúvida, não assista, não ouça, não leia, não compre. Sua salvação é preciosa demais para pô-la em risco com um filme, uma música ou o que quer que seja. Se tua consciência te acusa, rejeite.

Além disso, não tente usar esse princípio para “santificar” o pecado. Deus deixou instruções bem claras daquilo que ele considera imundo ou não. Se você tem conhecimento dessas coisas então você é ciente de que elas são imundas, e se não as considera imundas, então definitivamente você precisa acertar as contas com Deus. Se você não conhece as coisas que Deus considera imundas, também precisa de uma vez por todas de maior comunhão com o Pai.

Por fim, para usar esta guia você deve prestar atenção em dois detalhes: (1) nunca use estes versos fora do contexto para tentar justificar más escolhas. (2) Nunca use apenas um dos versos. O guia só funciona se você usar todos juntos. Agora corre lá pro post de cima.

Juízo….

Ângelo Bernardes

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O Cinema e as 4 Correntes Filosóficas

Dezembro 29, 2007

Olá internautas…

Depois de um longo e tenebroso inverno (eu já começo com uma frase feita), cá estamos nós para darmos continuidade ao nosso papo sobre cinema. Eu esqueci de falar pra vocês. Esta é uma série de quatro posts que darão uma introdução básica pra que a gente possa conversar sobre qualquer coisa relacionada a filmes sem maiores tropeços: primeiro analisamos como o cinema influencia nossa mente. Depois demos uma olhada em algumas expressões que serão bastante utilizadas na nossa coluna. Agora estamos prestes a conhecer (ou reconhecer) as quatro principais correntes filosóficas que podemos encontrar nas películas que nos são oferecidas. São elas: Existencialismo, Humanismo, Hedonismo e Espiritismo. Vamos ver um pouco mais sobre elas e sua relação com o cinema:

  • Existencialismo: Corrente filosófica que trata o evento do “ser” como sendo a própria essência humana. Procura responder questões relacionadas à existência como o porquê de estarmos aqui,quem somos, qual é o verdadeiro sentido da vida. Procura explicar o significado de nós mesmos e de nossa existência. Filmes de super-heróis tem um forte apelo existencialista. Em Homem-Aranha, por exemplo, Peter Parker vive sempre no dilema entre os poderes que possui e as responsabilidades que eles acarretam. Já em Super-Man, Clark Kent se debate entre o fato de ser um “semi-deus” e, ao mesmo tempo, um ser humano comum, com desejos, frustrações, etc. Outro exemplo interessante é Batman. O personagem Bruce Wayne está sempre dividido entre a dor de ter perdido seus pais, seu sentimento de vingança e o desejo de fazer justiça. A filosofia existencialista não é nociva em si, porém, é preciso ter cuidado com ela. Uma mensagem existencialista pode fazer você questionar sua fé, ou mesmo se perder no meio do labirinto das dúvidas existenciais e desviar o foco de Cristo para si mesmo. Um Cristão em dúvidas é sempre um alvo fácil para Satanás.
  • Humanismo: Esta corrente filosófica propõe a celebração do homem como o centro de todas as coisas. A natureza humana é evidenciada e apreciada em todos os seus nuances, tanto bons quanto ruins. Tudo o que é inerente ao homem deve ser aceito por ele e não rejeitado. Filmes como Closer, Infidelidade, Simplesmente Amor, e, pasmem, Matrix, possuem mensagens humanistas. Um bom exemplo de como a filosofia humanista se propaga através da cultura pode ser observado na música da cantora Madona: “Human Nature“. Nela, Madona se explica pelos escândalos sexuais que causou dizendo apenas que: “Desculpem. Eu não sabia que não podia falar de sexo. Eu não estou arrependida. É a natureza humana.” (sic.).
  • Hedonismo: É a corrente filosófica que prega que o prazer é o bem supremo do ser humano e deve estar acima de quaisquer outros valores. A cultura Rock é totalmente pautada pelo hedonismo. Através desta filosofia é possível ‘justificar’ o uso de drogas, álcool, o adultério, osado-masoquismo e toda a sorte de pecados. Tudo é aceitável desde que dê prazer. Um exemplo bem próximo de como esta filosofia está presente na nossa cultura é a novela Sete Pecados. No cinema, temos uma porção de exemplos de filmes dos piores tipos: American Pie, Antes Só do que Mal Casado, O Virgem de 40 Anos, Closer, etc.
  • Espiritismo: Simples de definir. Simples de exemplificar. Filmes que mostram fatos sobrenaturais ligados a espíritos, demônios, vida após a morte, feitiçaria e dimensões paralelas, a saber: Harry Potter (eu tinha que citar esse, né?), Espíritos, Premonição, A Casa da Colina, A Bruxa de Blair, etc. não é demais lembrar que Deus desautoriza qualquer tipo de feitiçaria e descarta completamente a possibilidade de qualquer contato entre vivos e mortos e qualquer estágio existente entre a vida e a morte, bem como qualquer tipo de atividade consciente entre os mortos. Porém, é importante que você não confunda “espiritismo” com “fantasia”. Imaginar que uma pessoa pode voar ou, quem sabe, ficar invisível, é pura fantasia, mas não chega a ser espiritismo em si mesmo, pois não está relacionado a demônios, vida após a morte e os outros itens que citamos em nossa definição. Não confunda também “espiritismo” com “mitologia”. Apesar de muitas vezes estarem relacionados, estes dois conceitos são bem distintos.

Por fim, gostaria apenas de adverti-lo que estas correntes filosóficas não podem ser definidas por completo nestes simples parágrafos. Há uma série de pormenores e características que precisam ser aprendidas. Aqui, nós tentamos lhe dar apenas um vislumbre para que você fique atento a estas filosofias nos filmes a que estiver assistindo.

Lembre-se: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que professa a nossa vã filosofia”.
Abração. Feliz ano novo. A gente se vê.

Ângelo Bernardes

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Jargão “Ação J.A.” de Cinema

Dezembro 9, 2007

Antes de tudo, preciso pedir desculpa a vocês leitores do Ação J.A. Este post está saindo com três dias de atraso. Espero não ter deixado vocês na mão neste período. E aí vamos continuar nosso papo?

Todo ramo de conhecimento tem o seu “jargão”: um conjunto de expressões utilizadas comumente e que possuem um significado vasto e completo. Os jargões poupam o tempo de quem os conhece. Podemos substituir toda uma longa explicação por um simples termo do jargão. Assim, já que vamos tratar de cinema, vamos conhecer algumas expressões que usaremos com certa freqüência. Algumas fazem parte dos artigos convencionais sobre o assunto. Outras são originais do Ação J.A. Assim, todas as vezes que você estiver lendo uma de nossas conversas e não lembrar o significado de uma expressão, pode voltar até este post e refrescar sua memória. Lá se vão nossas expressões mais comuns:

1. As três formas de se definir cinema:

  • Cinema-indústria – é os filmes, as salas de projeção, os atores e atrizes, o Oscar, o Globo de Ouro, a pipoca, Hollywood, os filmes independentes, o glamour, o tapete vermelho, a imprensa, a propaganda, os DVD’s, enfim: tudo que tem a ver com a produção de filmes faz parte da indústria cinematografia.
  • Cinema-filme: é simplesmente os filmes que você assiste.
  • Cinema-sala-de-projeção – é as salas de projeção de filmes. Tanto as modernas salas existentes nos shoppings quanto aquelas mais simples e antigas, encontradas nos centros das cidades.

Humor escatológico – tipo de humor que faz piadas com excrementos, fluidos corporais e elementos constrangedores. Em bom português, toda vez que alguém faz piada com coisas como vômito, flatulência (não me faça citar a outra palavra, por favor), fezes, urina, obesidade, etc., está fazendo humor escatológico.

Cenas gratuitas – O filme A Ultima Ceia narra uma interessante história de redenção e auxílio mútuo em que um homem e uma mulher, marcados por sucessivos problemas pessoais, encontram um no outro um apoio para começar uma nova vida. Até aí tudo bem, não fosse pela extravagante cena de sexo protagonizada pelos dois personagens principais e comentada à exaustão pela crítica. A cena não contribui em nada para o enriquecimento da história ou a melhor compreensão do tema do filme. Seria perfeitamente dispensável e até destoa do contexto da narrativa. Está ali única e simplesmente para que as pessoas “apreciem”, por assim dizer, uma cena de sexo quase explícito.

Um filme, no desenvolvimento de seu tema, precisa lançar mão de cenas que contribuam para que o telespectador compreenda a mensagem que se está querendo passar. Se você vai fazer um filme de guerra, logicamente que você vai precisar pensar em cenas de explosões, tiros e batalhas. Afinal, trata-se de um filme de guerra. Porém, muitas vezes um diretor inclui cenas em seu filme que nada prestam para explicar melhor o conteúdo central da película. Estão ali simplesmente para causar um efeito visual no telespectador, despertas seus sentidos (lembrem do que falamos sobre isso no post passado) ou saciar alguma vontade torpe do público. Assim surgem as cenas gratuitas de violência, sexo, choro, escatologia, crueldade, etc.

Teoria da sopa de rã – Se você colocar uma rã numa panela de água fervente, ela saltará para fora imediatamente. Porém, se você colocá-la numa panela de água fria, e for fervendo aos poucos, o pobre anfíbio ficará ali quietinho até virar o seu jantar. Motivo: A temperatura do sangue da Rã se adapta ao ambiente em que ela está, desde que a mudança não seja brusca.

Assim são nossas emoções. Uma criança que nunca viu um filme com conteúdo violento vai se chocar ao assistir um filme como Jogos Mortais, por exemplo. Talvez desligue a televisão antes da metade do filme e decida que nunca mais quer ver algo tão violento como aquilo. Porém, dê-lhe doses homeopáticas de violência para que se acostume com ela, e, em pouco tempo, você conseguirá com que esta criança assista filmes com cenas de tortura e mutilação sem grandes problemas (acredite em mim, não teste por si mesmo). Este processo faz com que entremos num processo de adequação dos nossos conceitos e princípios para que nossa mente possa aceitar a nova porção de violência que nos está sendo oferecida. Apesar de termos usado o exemplo da violência, este processo também ocorre com o sexo, a falsidade e quaisquer outras coisas que se queria inserir na mente humana.

Ponto de diferenciação – O filme é Batman Begins. A cena é uma em que o homem-morcego está saltando pelos telhados das casas e pelas coberturas dos prédios de Gothan Batman Begins - TumblerCity com seu Tumbler – uma espécie de “carro-super-dotado”. Se eu perguntar numa sala de aula quantos acham que esta cena é uma mentira, uma ficção, eu estou certo que todos levantarão suas mãos afirmativamente. Porém, no mesmo filme há uma outra cena em que a promotora de justiça Rachel olha para Bruce Wayne e lhe profere a seguinte máxima: “Não é o que você é que importa, mas o que você faz que define você”. Se eu perguntar, na mesma sala de aula, quantos acreditam que isso pode ser verdade, eu já não terei uma unanimidade. Um filme passa informações, fatos e filosofias. Em alguns momentos eu saberei diferenciar o que é verdade e o que é mentira. Em outros momentos eu já não terei tanta sagacidade. A grande diferença é o conhecimento que se tem do assunto que está sendo tratado. Filmes constantemente passam a idéia de que devemos deixar nosso coração guiar nossas escolhas. Porém, um cristão estudioso da bíblia saberá que “enganoso é o coração do homem” e que nosso único guia deve ser a palavra do Deus todo poderoso. A pergunta que permanece nessa questão é: se eu não posso confiar no conteúdo de um filme, com relação aos assuntos que conheço, como poderei confiar nele com relação aos assuntos que não conheço? Ponto de diferenciação é isto: A sua capacidade de diferenciar o que é verdade e o que é mentira, o que é certo e o que é errado num filme.

Queridos, o texto bíblico é claro: “O diabo anda ao nosso redor, bramindo como leão buscando a quem tragar”. Por isso, devemos estar munidos de todo o conhecimento que Deus nos dispõe para que não caiamos nas ciladas do inimigo. Então, afinal, como Deus espera que escolhamos os filmes a que assistiremos? Hoje não. Volte ainda esta semana. Vamos conversar sobre isso.

Abração.

Ângelo Bernardes