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O cristão e as greves

fevereiro 15, 2007
O cristão e as greves Alguns meses atrás, minha classe profissional encontrava-se em greve por aumento de salário e outras reivindicações. Não aderi por achar que um cristão não deve participar desses movimentos. Agi de maneira certa? O que a Bíblia e Ellen White dizem sobre o assunto? Esse é um assunto complexo, pois envolve pessoas e situações muito diferentes, além de dor, sofrimento e injustiça. Quero dar-lhe, porém, os parabéns pela sua atitude. Você, do ponto de vista legal, tinha o direito de envolver-se no movimento, especialmente se as condições de trabalho ou de salário eram desfavoráveis, mas esta seria, realmente, a melhor atitude para um cristão? A Bíblia não fala sobre greves, como as que conhecemos hoje. Ela recomenda o amor como resposta à injustiça e a oração como instrumento de justiça social (Mat. 5:44; Luc. 6:27). Nosso maior exemplo deve ser Cristo que, numa época de profunda injustiça, não criou nenhum movimento de libertação social, nem uma revolução política, muito menos um grupo de ativistas. Por outro lado, criou um movimento baseado no amor, levando as pessoas a Deus e prometendo, em troca, suprir todas as suas necessidades (Mat. 6:25-33).

Quando lhe perguntaram: “É lícito pagar tributo a César?”, Ele respondeu: “Dai, pois, a César o que é de César…” (Mat. 22:17-21). Ele ensinou que um cristão deve cumprir suas obrigações legais até o ponto em que elas não entrem em choque com os princípios do Céu. Caso contrário, deve deixar a justiça nas mãos de Deus. No tempo de Ellen White, as questões trabalhistas já eram objeto de movimentos grevistas, e isso passou a gerar implicações de grande alcance. Em face desse problema, ela escreveu: “Em razão de monopólios, sindicatos e greves, as condições da vida nas cidades estão-se tornando cada vez mais difíceis.” – A Ciência do Bom Viver, pág. 364.

“Essas cidades estão repletas de toda espécie de iniqüidade – com conflitos e assassínios e suicídios. Satanás está nelas, controlando os homens em sua obra de destruição.” – Vida no Campo, pág. 25. “Buscam os homens conseguir que os elementos empenhados em diferentes profissões se filiem a certos sindicatos. Esse não é o plano de Deus, mas de um poder que não devemos jamais reconhecer.” – Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 115. “Os sindicatos trabalhistas rapidamente se agitam e apelam à violência se suas reivindicações não são atendidas. Mais e mais claro está se tornando que os habitantes do mundo não estão em harmonia com Deus.” – Eventos Finais, pág. 23. “Os sindicatos serão um dos instrumentos que trarão sobre a Terra um tempo de angústia tal como nunca houve desde o princípio do mundo.” – Vida no Campo, pág. 16. “Não devemos ter nada que ver com essas organizações.

Deus é o nosso Soberano, o nosso Governador” – Eventos Finais, pág. 116. Nossa distância desses movimentos deve ficar clara. Como cristãos, temos outros meios de promover justiça social. A qualidade de nosso trabalho e a confiança na justiça divina são as melhores ferramentas para um cristão. Nós não fazemos justiça com as próprias mãos. Além disso, temos um Líder mais poderoso que os patrões humanos – nosso Deus, e um instrumento de justiça social mais eficiente que as greves – a fé e a oração. Não vamos ser injustos, ignorantes ou vítimas se nos mantivermos distantes, mas vamos demonstrar equilíbrio, justiça e fé. Os cristãos nunca deveriam ser conhecidos pela agitação, pelos atritos, críticas ou espírito negativo que semeiam em seu ambiente de trabalho. Devem ser reconhecidos, sim, pela qualidade de tudo que fazem, pelo amor ao próximo e pela honestidade e fidelidade aos princípios bíblicos.

Esses valores mantêm empregos, criam o respeito dos chefes e promoção no ambiente de trabalho, além de salários justos. Precisamos lembrar que o testemunho é mais importante do que a reivindicação. Nossa luta deve ser, sempre, no sentido de servir às pessoas, pois essa é a razão de nossa existência como cristãos. O próprio Filho de Deus veio para servir e não para ser servido (Mat. 20:28). O cristão está sempre mais disposto a servir do que cobrar. Quando alguém é eficiente no que faz e deixa os resultados nas mãos de Deus, faz a melhor escolha. Se a greve, como no seu caso, não depender de você, pois é um movimento nacionalmente articulado, continue cumprindo suas obrigações. Se for impossível, por causa da violência ou outras ameaças, fique longe da agitação, aguardando apenas o momento de retomar suas atividades.

One comment

  1. Confesso que fiquei um tanto impressionada com alguns argumentos do texto acima e gostaria de tecer alguns comentários.
    É inegável reconhecer a corrupção e injustiça que impera em nossos tempos, na condução da política, da economia, nas relações sociais,etc. Vivemos em um mundo permeado por conflitos que muitas vezes chegam a extremos absurdos de dizimar milhões de pessoas em guerras, de condená-las à fome ou miséria, de estabelecer sociedades baseadas em preconceitos étnico-raciais, de promover trabalho escravo ou explorar populações de periferias como mão-de-obra precarizada e mal-remunerada. Não devemos esquecer que ao longo e nossa vida neste mundo ,todas essas questões se erguem aos nossos olhos e é colocado para nós também a possibilidade de interferir sobre elas.
    A maior mensagem da biblia pode-se resumir ao amor ao próximo e a Deus,duas dimensões diferentes apenas em teoria, pois a palavra de Deus deixa claro que elas estão intimamente ligadas. Embora nossa maior esperança e certeza de uma mudança efetiva deste mundo esteja na volta de Jesus, e saibamos que qualquer mudança política ou de modelos de organização da sociedade apenas seria completa se operada uma mudança de caráter e valores em todos os seres humanos, não podemos ignorar a força e importância histórica de muitos movimentos sociais.
    Lembro a vocês os movimentos anti-racistas do Pr. Luther King nos Estados Unidos e Nelson Mandela na África, lembro do próprio Gandhi numa Índia explorada e submissa aos interesses estrangeiros, lembro de movimentos de resistência ao nazismo no mundo inteiro, lembro de trabalhadores franceses nas ruas lutando por melhores condições de vida e trabalho em tempos que o trabalho nas fábricas durava até 18 horas por dia, sem férias ou proteção contra acidentes.
    Venho ao Brasil,com setores mais populares da Igreja Católica e estudantes nas ruas contra a ditadura militar, com a mobilização de diversos movimentos sociais e sindicais por uma Constituição de 1988 que contemplasse os direitos da maioria do povo brasileiro; direitos que usufruímos hoje, que são importantes para nós e decisivos para uma grande parte da população pobre deste país. Não vejo como isso possa ser desconsiderado ou considerado pecado pelos cristãos, ao contrário, acredito que devemos lutar pela salvação das pessoas,mas também pelo seu pão, seu sustento e condições de vida.
    É inocência pensar que se todos se comportassem com, respeito e honestidade iriam ser promovidos e ter salários justos num mundo de oportunidades extremamente desiguais em que a maioria sequer tem emprego digno.
    Enfim, acredito que só o reconhecimento do amor de Deus e aceitação de seus princípios poderiam minar a vaidade, inveja e egoísmo dos corações humanos, sentimentos dentre tantos outros que se combinam dando origem a atitudes de corrupção, falsidade, desrespeito, opressão. Essa seria a mudança efetivamente radical, em todos os corações, e acredito que essa deve ser a principal mensagem a levarmos. Devemos observar portanto o quão essa mensagem de paz e alegria é incompatível para uma pessoa que não tem o que comer e vestir, que mora nas ruas e pede esmolas para sobreviver. Devemos perceber que em nossa sociedade/ cidade/país devem se operar mudanças profundas a fim de que todos(todos mesmo e não só aquelas que possam pagar caro por isso) tenham acesso ao suprimento de suas necessidades.
    Dito isso, eu falaria a irmã que teve dúvidas se participaria ou não de um movimento grevista, que, se ela observasse que as reivindicações eram justas e beneficiariam a grande maioria dos trabalhadores de sua categoria profissional, e que os métodos utilizados não se utilizassem de violência, ou outra atitude que poderiam ferir seus princípios,nada mais legítimo.
    Enquanto aguardamos a volta de Cristo, não podemos nos esquivar do tempo presente, devemos nos preparar e contribuir para o preparo de outros, mas também influenciar de forma a promover a justiça em nosso tempo presente.
    Ps: quanto a citação bíblica presente no outro texto, a considero completamente descontextualizada a passível de uma ampla discussão. Ver Tiago cap 5 cujo subtítulo é “Deus condena as riquezas mal adquiridas e mal empregadas”. Prov. 21:13. Isa. 58: 6,7.
    “Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto, ajudai o oprimido, fazei justiça ao órfão, tratai da causa das viúvas.” Isa 1:17



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