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A Equação do Cinema

novembro 30, 2007

Semana passada, fizemos os jovens de nossa igreja preencherem uma ficha sobre características pessoais para um dos projetos do Ministério Jovem. Um dos itens a ser respondido era “paixões”. Dentre as várias respostas colocadas, sempre podíamos encontrar a expressão “bons filmes”.

Cinema é quase uma unanimidade. Da criança ao idoso, todos nós gostamos de boas histórias, se possível interpretadas por bons atores e com bons efeitos de som e imagem. Gostamos dos temas que fazem parte do nosso cotidiano, pois nos identificamos com eles. Gostamos das histórias que nunca vivemos, pois podemos entrar em contato com experiências diferentes das nossas. Gostamos, por fim, de ver o impossível ou o improvável sendo mostrado na tela, pois nossa imaginação não tem limites (ao menos não do ponto de vista fisiológico).

Então, qual é o problema? Por que tanta advertência e tanta preocupação em nossas igrejas com filmes e programas de TV?

É bem verdade que muitas vezes esta inquietação provoca debates mal direcionados, com opiniões despidas do mínimo de conhecimento de causa. Porém, o princípio básico desta movimentação é válido: Satanás quer usar qualquer coisa que amamos contra nós e descobriu no cinema e na TV uma forma bastante eficaz de alcançar seus objetivos.

A questão, por vezes passa um pouco distante do que é abordado pelas igrejas (desconfiem, por exemplo, dos discursos inflamados sobre o, por assim dizer, “poder das mensagens subliminares” que a mãe do irmão do tio do primo de terceiro grau de um amigo meu jura que encontrou. Falaremos sobre isso mais tarde), mas você não pode fugir dessa constatação: O cinema e a TV influenciam diretamente na forma como enxergamos as situações, e o nosso ponto de vista sobre os fatos determina como iremos viver.

A equação é simples (desculpe falar de matemática numa coluna de filmes): Fato + Juízo de valor + itens que aguçam os sentidos = influência perfeita.

O cinema apresenta um fato: uma traição, uma guerra, uma disputa política, um assassinato, um casamento, etc. Porém, quando este fato é narrado, ele é contado através do prisma do diretor e dos atores que compõem o filme. Assim, os fatos nunca são narrados sem que contenham elementos que indiquem o que você deve pensar sobre eles: o juízo de valor. Por exemplo: O Filme “Antes Só do que Mal Casado” (de péssimo gosto, diga-se de passagem) mostra uma esposa insana, esquisita, burra e cheia de manias e uma amante inteligente, sensual, divertida e carinhosa. As cenas que mostram a esposa são sempre rápidas, cômicas (humor escatológico, obviamente) e constrangedoras. Já as que mostram a amante, são em câmera lenta (com os cabelos balançando ao vento, lógico), mostrando-a brincando com crianças, rindo com parentes, ou bebendo alguma bebida exótica. O diretor quis justificar o adultério. Fazer com que você gostasse da amante e rejeitasse a esposa para que a traição se tornasse aceitável. Como se não bastasse, no citado filme, há ainda uma discussão boba sobre o que é traição: envolvimento emocional ou físico.

Por fim, o cinema se utiliza de todos os elementos que aguçam nossos sentidos: trilha sonora, explosões, torturas, belas paisagens, mulheres estonteantes, carros velozes, cenas detalhadas de sexo, de luta pela vida, enfim.

Todas as vezes que nossos sentidos são inflamados, nossa razão tende a ficar em segundo plano, e os sentidos nunca foram bons guias sobre as melhores escolhas.

Bem vindo ao mundo do cinema. Como um cristão deve interagir com este universo? Nesta coluna nós vamos conversar sobre os benefícios e malefícios da sétima arte. Você é um cristão, alguém separado para Deus. Não é nenhuma novidade eu afirmar que você também precisa ter uma opinião separada para Deus. No final das contas, devemos sempre saber como adequar o nosso gosto por filmes aos nossos princípios cristãos, e nunca escolher adequar nossos princípios cristãos ao nosso gosto por filmes. Hoje a gente viu a equação do cinema. Semana que vem, apareça de novo por aqui. Vamos ter uma aula básica do jargão “Ação J.A.” de cinema.

Inté.

Ângelo Bernardes