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Kaká e a religião do futebol

dezembro 18, 2007

Se a guerra, segundo Clausewitz, é a continuação da política por outros meios, o futebol seria o prosseguimento da religião em nosso meio. Noves fora a politicagem contumaz que assola a organização desse esporte no Brasil, o futebol pode ser explicado como a religião com o maior número de fiéis no país.

Se o futebol é a religião, os times são as múltiplas denominações. Com a diferença de que o crente vai de uma denominação a outra, enquanto não se conhece quem troque de time com a mesma facilidade. Aliás, diz-se que o torcedor pode trocar de religião, de cônjuge e até de sexo, mas nunca trocará de time.

Assim como a maioria dos religiosos pouco se dá ao trabalho de conhecer a história de sua igreja ou estudar a fundo suas doutrinas, o torcedor (e boa parte dos jogadores também) mal conhece a história do esporte, suas regras ou seus direitos. No máximo, sabe de cor a escalação de um grande time do passado. Em geral, o torcedor fanático age como um fundamentalista religioso: ele logo esquece os erros do passado do seu time em prol das ações de sua equipe no presente, exibe sua paixão usando camisas, bonés e acessórios da equipe, seu time sempre está com a razão e, além de exigir vitórias o tempo todo, quer mais que o adversário se dê mal.

Esse último ponto é a marca do fiel torcedor (e secador): não basta ganhar do adversário. É preciso humilhá-lo, arrasá-lo, quase exterminá-lo. Digo quase, porque, no fundo, o torcedor de um time precisa do rival para que as partidas sejam épicas. É costume um time em baixa levantar-se justamente com uma vitória sobre o rival. Nesse caso, até o anoréxico 1 X 0 se torna um triunfo acachapante.

Se há religiosos que procuram acomodar equilibradamente sua cosmovisão religiosa, há aqueles que, em nome de não importa o deus ou deuses, subjugam violentamente qualquer um que não torça para a mesma fé, ou que não reze para o mesmo time. Esses costumam digladiar-se furiosamente na defesa de suas paixões clubísticas, com saldo negativo para ambos os lados.

Mas será por causa dos fundamentalistas, dos criminosos eclesiásticos, dos pastores lobistas no Congresso, das ovelhas aliciadas pelo marketing religioso, por causa disso, a religião (ou o futebol) em si mesma é um erro, uma anomalia ultrapassada? Ora, não é esse um dos arrozoados de sempre do ateísmo e que hoje faz a fama de Richard Dawkins e Christopher Hitchens, apóstolos do proselitismo ateísta, o qual defendem, bem, religiosamente?

E o que Kaká tem a ver com tudo isso? É que o jovem craque eleito melhor jogador do ano é religioso e futebolista e o é de uma forma pouco celebrada pela mídia. Kaká, no futebol, não é de cair na balada, não faz declarações de auto-promoção, não troca de mulher a cada estação, não teve uma infância pobre como a maioria, não é “maloqueiro”. Tem opiniões firmes sem ser agressivo. Em suma, mais parece um jogador europeu do que um típico boleiro brasileiro. Além disso, é boa-pinta – Maradona dizia de Beckham, “como alguém pode ser craque com essa carinha?” – e disciplinado.

Como religioso, Kaká é membro de uma denominação evangélica. Ou seja, num país de maioria católica, o craque veste a camisa de outra fé. E como a mídia põe num mesmo caldeirão toda igreja evangélica, em geral apresentada como um bando de fanáticos fundamentalistas em transe que grita nas ruas e nos templos-armazéns, Kaká também é visto com desconfiança.

Nesse aspecto, Kaká também parece diferente. Casou virgem, mas não fez disso um palanque promocional. Quer ser pastor quando encerrar a carreira de jogador, mas já adiantou que deve estudar teologia para conhecer os dogmas e doutrinas. Ele não se parece com aquele típico atleta de Cristo que se envolve em confusões dentro e fora do campo ou com aquele evangélico que só tem um assunto. Como já declarou, tem consciência do quanto é difícil ser fiel hoje em relação a princípios escritos há milênios.

Assim, como Kaká faz o estilo que os cínicos apelidam de “certinho”, o jogador não tem o perfil que as páginas sociais adoram e que muitos colunistas esportivos exaltam. Infeliz do povo que precisa de heróis, escreveu Bertold Brecht. Mas não seria mal se o estilo Kaká fosse mais celebrado pela mídia.

Retirado de Nota Na Pauta

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3 comentários

  1. O que Deus quer mostrar na vida de Kaká com isso tudo? Que é possível ter “Daniéis” em nosso tempo! Desperta Juventude!!!! (Dn 1.8-15)


  2. O Brasil com 40% da população evangelica, vê em kaká exemplo de vida para ser seguido, somos um exercito de jovens fazendo a diferança, resgatando jovens das drogas e da prostituição, os incomodados que se mudem, vamos conquistar todo o Brasil para Cristoe esta nação será chamada nação evangelica para gloria de Deus.


  3. Boa tarde
    Eu estou muito contente com os comentario
    achei muito bom
    mais eu quero saber se for posivel qual da sua dominação?



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