Archive for junho \30\UTC 2009

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Desviando o foco: pecado

junho 30, 2009

foco

Para onde está o seu foco? Apontado para cima(céu)? Apontado para baixo(terra)? Onde está guardado o seu tesouro?

Quando perdemos nosso foco de Deus, quando começamos a não estudar sua palavra, na realidade, estamos perdendo o foco.

No processo fotográfico, o foco é ajustado para dar mais nitidez ao tema que terá mais importância na foto.

Será que Deus está sendo importante em sua vida?

Como ter uma mente sempre ‘focada’ nas coisas de Deus?

“O segredo do êxito não é encontrado nem em nossa erudição, nem em nossa posição, nem em nosso número ou nos talentos a nós confiados, nem na vontade do homem. Cônscios de nossa deficiência devemos contemplar a Cristo, e por Ele que é a força por excelência, a expressão máxima do pensamento, o voluntário e obediente obterá uma vitória após outra. ” Parábolas de Jesus, pág. 404

Conclusão:

“Deus não Se desanima conosco por causa de nossos pecados. Podemos cometer erros e ofender Seu Espírito; mas quando nos arrependemos e vamos ter com Ele com o coração contrito, Ele não nos faz voltar. … Têm-se acariciado sentimentos errados, e tem havido orgulho, presunção, impaciência e murmurações. Tudo isso nos separa de Deus. Os pecados devem ser confessados; tem de haver mais profunda obra de graça no coração. Os que se sentem fracos e desanimados podem tornar-se fortes varões de Deus e fazer nobre trabalho pelo Mestre. Precisam, porém, trabalhar de um ponto de vista elevado; não devem ser influenciados por quaisquer motivos egoístas” (Fé e Obras, p. 35).

No céu, teremos algo como um:

Autofocus que é uma característica de alguns sistemas ópticos que permite obter (e em alguns também manter continuamente) o foco correto no objeto, ao invés de requerer que o operador da câmara fotográfica faça o ajuste manualmente. Ou seja, não vamos precisar ficar sempre focando em Deus, pois normalmente já vamos estar focados em Deus. Na verdade, nós fomos feitos para sermos assim utilizando o autofocus, porém com o pecado….Deu no que deu!

Felipe e Franzé Jr.

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A religião do Jovem Brasileiro

junho 20, 2009
Deu na revista Época desta semana: “Cultos voltados para os jovens, como a igreja da Bola de Neve, revelam um fenômeno: mostram que o jovem brasileiro busca formas inovadoras de expressar sua religiosidade. Em 1882, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche assinou a certidão de óbito divina com a célebre afirmativa: ‘Deus está morto.’ Para ele, os homens não precisariam mais viver a ilusão do sobrenatural. Nietzsche não foi o único. O anacronismo da fé religiosa era uma premissa do socialismo. ‘A religião é o ópio do povo’ está entre as frases mais conhecidas de Karl Marx. Para Sigmund Freud, a necessidade que o homem tem de religião decorreria de incapacidade de conceber um mundo sem pais – daí a invenção de um Deus. A influência de Marx e de Freud no pensamento do século XX afastou gerações de jovens da fé. Mas a derrocada do socialismo e as críticas à psicanálise freudiana parecem ter deixado espaço para a religiosidade se manifestar, sobretudo entre os jovens. ‘Aquilo que muitos acreditavam que destruiria a religião – a tecnologia, a ciência, a democracia, a razão e os mercados –, tudo isso está se combinando para fazê-la ficar mais forte’, escreveram John Micklethwait e Adrian Wooldridge, ambos jornalistas da revista britânica The Economist, no livro God is back. Para os jovens, como diz o título do livro, Deus está de volta. … Uma pesquisa inédita do instituto alemão Bertelsmann Stifung, realizada em 21 países, revela que esse renascimento da religião está mais presente no Brasil que na maioria dos países. O estudo mostra que o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, atrás apenas dos nigerianos e dos guatemaltecos. Segundo a pesquisa, 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam que são ‘profundamente religiosos’. Noventa por cento afirmam acreditar em Deus. Milhões de jovens recorrem à internet para resolver seus problemas espirituais. Na rede de computadores, a diversidade de crenças se propaga como vírus. ‘Na minha geração só sabia o que era budismo quem viajava para o exterior’, diz a antropóloga Regina Novaes, da Universidade de São Paulo e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude. ‘Hoje, com a internet, o jovem conversa com todo o mundo e conhece novas religiões. A internet virou um templo.’ Mais talvez do que isso, ela se converteu no veículo ideal de uma religião contemporânea e desregulada, que pode ser exercida coletivamente sem sair de casa e sem submeter-se a qualquer disciplina.”



Nota: Analisando as informações da matéria e os quadros acima, dá pra chegar a algumas conclusões: (1) os países campeões de descrença ou são herdeiros do Iluminismo ou do comunismo ateu; (2) o jovem brasileiro até pode ser religioso, mas não sabe exatamente no que crê, basta verificar que, apesar de a maioria ser católica, essa mesma maioria acredita em reencarnação, conceito incompatível com o Deus das Escrituras; (3) a capa da revista não deveria trazer a imagem de Jesus, já que outro quadro informa que a maioria dos brasileiros crê que Deus é uma “força maior”; como não levam a Bíblia em consideração como regra de fé (talvez apenas um livro inspiracional), possivelmente não acreditem num Deus pessoal personificado em Jesus Cristo; (4) esses jovens são bons representantes da religiosidade pós-moderna, segundo a qual não existe verdade absoluta – o que conta, mesmo, é a experiência pessoal e não os princípios/doutrinas. Assim, embora alguns comemorem esses dados, é bom levar em conta que essa religiosidade moderna está longe de ser o “culto racional” pregado pelo apóstolo Paulo. Detalhe: a matéria mostra também o quão útil a internet pode ser na pregação do evangelho.

Retirado de Michelson Borges
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Eu quero ir! E você?

junho 13, 2009

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Um post atrás a Rebecca falou de um lugar triste: o Gólgota. Dor, aflição, solidão. Tudo disso tinha lá. Mas, é porque um dia nosso Salvador passou por ele, que hoje podemos ter o vislumbre e a esperança de viver num lugar totalmente diferente. LugarPerfeito. Aqui fica uma descrição desse lugar maravilhoso, chamado CÉU.

Talvez dê aparência que seje muito grande, mas quando ler você vai ver que são poucas as palavras pra descrever um CÉU assim:

” ‘Vi um novo céu, e uma nova Terra. Porque já o primeiro céu e a primeira Terra passaram.’ Apoc. 21:1. O fogo que consome os ímpios purifica a Terra. Todo vestígio de maldição é removido. Nenhum inferno a arder eternamente conservará perante os resgatados as terríveis conseqüências do pecado. Apenas uma lembrança permanece: nosso Redentor sempre levará os sinais de Sua crucifixão. Em Sua fronte, em Seu lado, em Suas mãos e pés estão os únicos vestígios da obra cruel que o pecado efetuou.

‘A ti, ó torre do rebanho, monte da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o primeiro domínio.’ Miq. 4:8. O reino perdido pelo pecado, Cristo resgatou-o, e os redimidos o possuirão com Ele. ‘Os justos herdarão a Terra e habitarão nela para sempre.’ Sal. 37:29. Um receio de fazer com que a herança futura pareça demasiado material tem levado muitos a espiritualizar as mesmas verdades que nos levam a considerá-la nosso lar. Cristo afirmou a Seus discípulos haver ido preparar moradas para eles. Os que aceitam os ensinos da Palavra de Deus não serão totalmente ignorantes com respeito à morada celestial. E contudo, declara o apóstolo Paulo: ‘as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que O amam’. I Cor. 2:9. A linguagem humana não é adequada para descrever a recompensa dos justos. Será conhecida apenas dos que a contemplarem. Nenhum espírito finito pode compreender a glória do Paraíso de Deus.
Na Bíblia a herança dos salvos é chamada um país. Heb. 11:14-16. Ali, o grande Pastor conduz Seu rebanho às fontes de águas vivas. A árvore da vida produz seu futuro de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações. Existem torrentes sempre a fluir, claras como cristal, e ao lado delas, árvores ondeantes projetam sua sombra sobre as veredas preparadas para os resgatados do Senhor. Ali as extensas planícies assemelham-se em colinas de beleza, e as montanhas de Deus erguem seus altivos píncaros. Nessas pacíficas planícies, ao lado daquelas correntes vivas, o povo de Deus, durante tanto tempo peregrino e errante, encontrará um lar.
Ali está a Nova Jerusalém, tendo ‘a glória de Deus’, sua luz ‘era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente’. Apoc. 21:11. Diz o Senhor: ‘E folgarei em Jerusalém, e exultarei no Meu povo.’ Isa. 65:19. ‘Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.’ Apoc. 21:3 e 4.

Na cidade de Deus ‘não haverá noite’. Apoc. 21:25. Ninguém necessitará ou desejará repouso. Não haverá cansaço em fazer a vontade de Deus e oferecer louvor a Seu nome. Sempre sentiremos o frescor da manhã, e sempre estaremos longe de seu termo. ‘Não necessitarão de lâmpada nem de luz do Sol, porque o Senhor Deus os alumia.’ Apoc. 22:5. A luz do Sol será substituída por um brilho que não é ofuscante e, contudo, sobrepuja incomensuravelmente o de nosso Sol ao meio-dia. A glória de Deus e do Cordeiro inunda a santa cidade, com luz imperecível. Os remidos andam na glória de um dia perpétuo, independente do Sol.

‘Nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor.’ Apoc. 21:22. O povo de Deus tem o privilégio de entreter franca comunhão com o Pai e o Filho. ‘Porque agora vemos por espelho em enigma.’ I Cor. 13:12. Contemplamos a imagem de Deus refletida, como que em espelho, nas obras da Natureza e em Seu trato com os homens; mas, então O conheceremos face a face, sem um véu obscurecedor de permeio. Estaremos em Sua presença, e contemplaremos a glória de Seu rosto.
Ali, mentes imortais estudarão, com deleite que jamais se fatigará, as maravilhas do poder criador, os mistérios do amor que redime. Ali não haverá nenhum adversário cruel, enganador, para nos tentar ao esquecimento de Deus. Todas as faculdades se desenvolverão, ampliar-se-ão todas as capacidades. A aquisição de conhecimentos não cansará o espírito nem esgotará as energias. Ali os mais grandiosos empreendimentos poderão ser levados avante, alcançadas as mais elevadas aspirações, as mais altas ambições realizadas; e surgirão ainda novas alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos objetivos a aguçar as faculdades do espírito, da alma e do corpo.

E ao transcorrerem os anos da eternidade, trarão mais e mais abundantes e gloriosas revelações de Deus e de Cristo. Assim como o conhecimento é progressivo, também o amor, a reverência e a felicidade aumentarão. Quanto mais aprendem os homens acerca de Deus, maior é sua admiração de Seu caráter. Ao revelar-lhes Jesus as riquezas da redenção e os estupendos feitos do grande conflito com Satanás, a alma dos resgatados fremirá com mais fervorosa devoção, e com mais arrebatadora alegria dedilharão as harpas de ouro; e milhares de milhares, e milhões de milhões de vozes se unem para avolumar o potente coro de louvor.
‘E ouvi a toda a criatura que está no Céu, e na Terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.’ Apoc. 5:13.

Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado, e o grande conflito terminou.” História da Rendenção, págs. 430 a 433

Eu quero ir! E você?

Um abraço,

Felipe Scipião

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Gólgota

junho 11, 2009

golgota

Ele estava diante do seu povo, mas definitivamente não era como das outras vezes. As mesmas pessoas que tinham feito uma festa de recepção nesta mesma semana, quando ele chegara à cidade, agora estavam pedindo que o matassem. Homens, mulheres, crianças, gritavam! Pediam que aquele homem, que não tinha culpa alguma, fosse morto, morto como um ladrão ou assassino da pior espécie. Diferentemente dos homens que por Ele foram curados e que agora pediam sua morte, Aquele homem não parecia revoltado ou aflito, Ele continuava manso como sempre fora…! Por quê? Ele não era Deus? Pensavam os discípulos. Ele tinha feito tantos milagres, havia feito cegos enxergarem, tinha parado aquela forte tempestade, fez Pedro andar sobre as águas, multiplicara pães para que os seus seguidores não passassem fome, paralíticos agora podiam andar por que ele os havia curado! E agora? Aonde estavam essas pessoas? Agora era Ele que precisava delas! Será que haviam esquecido de Jesus?

No entanto, Jesus não esqueceu de nenhuma delas! Era exatamente por se importar com cada uma daquelas pessoas que Ele estava ali, pronto para ser pregado numa cruz, e morrer como um miserável, quando na verdade, era um Rei! Diferentemente de outras coroações, a de Jesus não foi apreciada e reverenciada com palmas. Eles pediam que aquele homem deixasse de existir, por que eles se achavam auto-suficientes para serem os deuses de suas próprias vidas. Eles não queriam um Pai, um amigo, uma pessoa livre de pecado e que só fazia o bem. Eles preferiam Barrabás, o criminoso, o retrato da maldade…

Lá estava Ele, os cravos agora perfuravam suas mãos, rasgavam seu corpo para sustentá-lo à cruz. O seu corpo mostrava a dor que sofria, mas o seu semblante revelava um outro sentimento; era difícil de entender. Já não se ouvia muitas vozes, as pessoas estavam indo embora, viravam as costas para aquele que tanto fizera por cada um deles! Mas, mesmo ali, pregado na cruz, como se fosse um bandido, Ele mostrava através do seu rosto que era o Senhor Jesus. Daquelas outras duas cruzes, onde pessoas que mereciam estar ali, sofriam muito, aparece um homem, que independente de tudo que fizera de errado, acreditava que Aquele que estava ao seu lado era um homem bom, e acreditava que este Homem poderia salvá-lo.

Ainda hoje a cena se repete. As vezes Jesus tem operado verdadeiros milagres em nossas vidas, e do mesmo jeito, somos ingratos e O pregamos novamente na cruz. Outras vezes, somos pecadores imperdoáveis, vivemos uma vida toda errada, fomos pregados na cruz, mas mesmo assim, o Mestre está ao nosso lado e temos a oportunidade de pedir perdão e alcançar a sua misericórdia.  E agora Jesus olha para o alto, a última gota de sangue escorre pelo seu rosto e Ele diz: “Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem”. Por quê?! Ele podia ter pedido para se livrar daquele fardo, não podia? Sim, Ele podia! Mas acontece que aquela gota que escorreu pelo rosto do Mestre não era mais uma gota de sangue, e sim, uma gota de amor…

Contribuição: Rebbeca Ricarte

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Bate-papo sobre Crepúsculo

junho 8, 2009

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Quando J. K. Rolling anunciou que iria escrever o último volume de sua série de livros sobre o bruxinho Harry Potter, boa parte dos pais cristãos respirou aliviada. Parecia que a indústria iria dar uma trégua no que consideram a “deseducação” de seus filhos. Bem, o alívio durou pouco. No final de 2008 chegou aos cinemas a adaptação do romance adolescente Crepúsculo (Twilight, EUA), escrito pela americana Stephenie Meyer e novamente começou o frisson em torno de um novo fenômeno teen. Os filhos desesperados para ter acesso ao filme e aos livros e os pais desesperados por achar razões que convencessem seus filhos a não verem o material.

Incentivado por um amigo pastor eu decidi assistir o filme e tentar compor um texto opinativo sobre o longa. Minha primeira e grande preocupação foi ser “completamente e irrevogavelmente” honesto com a opinião que iria expressar. Assim, decidi ir até a locadora dividido em dois. Metade de mim locou o DVD com a esperança de não achar absolutamente nada prejudicial na película e assim poder escrever que meus amigos adolescentes poderiam virar fãs da série sem nenhuma preocupação. Mas a outra metade começou a assistir o filme com a desconfiança de uma serpente que examina sua presa. Concluí que somente assim poderia ser completamente honesto com meu público alvo.

Ao contrário do que a mídia vem propagando, já no início do filme, percebe-se que a embalagem de Crepúsculo vai de encontro com o que se espera de um filme dedicado a adolescentes. As imagens são pálidas, em tons azuis, cinzas, pretos e brancos. O filme não começa com uma cena de ação e a música inicial tem melodia irregular. A narrativa é conduzida em primeira pessoa pela protagonista: Isabella Swan. Ela compartilha conosco seus pensamentos e impressões sobre os fatos a que é submetida.

Bella, como é chamada, é uma adolescente de 17 anos que se muda para uma cidadezinha chamada Forks. Lá, ela é apresentada a um mundo pequeno, sem opções de diversão onde todos se conhecem. Os problemas de Bella começam aí. Ela é uma personagem que faz o tipo desajustada, que não gosta de ser notada e tem gostos diferentes dos outros adolescentes. Bella segue apática e sem entusiasmo com sua nova escola até que conhece um grupo familiar: os Cullens. Eles são pálidos, sempre andam juntos, não são vistos muito durante o dia e não fazem amigos fora do ciclo da família. É o suficiente para despertar a curiosidade de Bella, que, por coincidência é escolhida para ser parceira de laboratório de Edward Cullen. Daí não tarda muito até que Bella fique desconfiada da força e rapidez incomum que Edward demonstra ter e termine descobrindo que ele e toda a sua família são vampiros. Tarde demais. Ela está completamente e irrevogavelmente (conforme ela mesmo admite no longa) apaixonada por Edward.

O filme segue lento e melancólico até a metade quando começa a ser animado com cenas de ação e suspense habilmente engrandecidas pelas belas paisagens das locações externas e pela técnica de filmagem que começa do plano distante e vai se aproximando do objeto principal da cena. Tudo isto apimentado pela paixão impossível entre a humana e o vampiro.

É sobre este romance que se sustenta todo o enredo e é por causa dele que Crepúsculo consegue conquistar sua platéia.

Edward é um vampiro. Seu instinto é matar Bella para alimentar-se de seu sangue. Porém ele opta por não seguir seus instintos, utilizando-se da força de vontade, por amor a namorada. Bella e Edward vivem no limiar entre o perigo e a paixão.

É aqui que reside nosso problema. Porém, a maior parte dos pais continua condenando o filme por um motivo que talvez esteja equivocado: o vampirismo.

A paixão hollywoodiana pelas produções com vampiros desperta uma idéia de que estes seres são criações de inspiração satânica usadas para seduzir o público e encher suas cabeças com conteúdo maldito.

Porém, o vampirismo é mais antigo do que se cogita. Ele aparece na mitologia de diversas regiões da Europa. A associação com o sangue somente veio em 1476, quando o então Principe Vlad III, famoso pela sua crueldade, foi imortalizado nas páginas do romance Drácula.

Vampiros, dentro da mitologia, sempre foram usados para representar o mal que ao mesmo tempo seduz e mata. Nunca se cogitou que vampiros fossem reais nem muito menos que a abordagem destes personagens tivesse algum tipo de poder sobrenatural sobre seu público. Existe um sem número de contos de horror clássicos e não se tem notícias de que seus autores tenham qualquer tipo de contato premeditado e consciente com o verdadeiro Satanás. Personagens com índole má em qualquer tipo de literatura, inclusive a cristã, são o que são: personagens que pregam e vivem o mal na sua essência. Não se poderia esperar que agissem de outra forma que não praticando a maldade. O fato de um autor resolver incluir um personagem com esta definição em sua obra não significa necessariamente que sua obra tenha uma intenção reprovável.

Em Crepúsculo, esta observação merece ainda mais ressalvas. Mayer não teve a menor intenção de fazer um romance sobre vampiros. E Crepúsculo não é um filme sobre vampiros. É antes de mais nada uma história de amor impossível. É um vampiro, mas poderia ser um E.T., um gnomo, um feiticeiro, um lobisomem, um simpatizante do Talibã.

Vampiros não são o objeto do romance de Mayer, eles são o seu argumento. E Meyer não exita em desconfigurar completamente a noção clássica de vampiro: os Cullens não viram morcegos, podem se alimentar de sangue animal, não têm medo da luz, brilham quando expostos ao sol, não são necessariamente perversos, não têm medo de alho, estacas, cruzes ou coisas do tipo, não voam e não dormem em catacumbas ou cemitérios.

Obviamente, por ser vampiro, a índole de Edward e do resto de sua família é má. Porém, nenhum deles optou por virar vampiro e todos lutam com sucesso comprovado contra sua índole e a mantém sob constante disciplina. Qualquer comparação com nossa condição de pecado não é mera coincidência. Esta postura é bem definida numa das frases de Edward: Eu me recuso a me tornar um monstro. Dizer que um filme é do diabo porque mostra um vampiro como protagonista é uma ingenuidade tanto quanto dizer que a Crepúsculo promove a virgindade entre adolescentes.

Alguns críticos gostam de se referir a este detalhe para explicar que o filme há de agradar aos pais mais conservadores e pode ensinar bons princípios aos filhos. Bobagem. Crepúsculo nunca pretendeu ser um filme didático sobre usar a razão além da emoção ou sobre fazer a escolha certa. Ele é essencialmente um filme sobre flertar com o perigo. Eis aqui a importância do narrador/personagem. Se o filme fosse visto da perspectiva de Edward, talvez o controle dos instintos pela consciência fosse um argumento plausível. Mas o filme é contado do ponto de vista de Bella, e para ela, não se entregar a Edward é uma questão de falta de opção, não de racionalidade.

Para Bella, o que interessa é este sentimento arrebatador que a possui desde o primeiro momento em que vê Edward. É este sentimento que lhe dá sabor à nova vida em Forks. É a constante sensação de perigo que apimenta sua relação e faz com que ela se apaixone mais e mais. Bella não se interessa em não sucumbir aos instintos que unem os dois. Dá provas disso nos beijos que troca com Edward em seu quarto. Bella, inclusive está disposta a se tornar um monstro – a essência do mal – para viver sua grande paixão.

Seu posicionamento no filme é o mesmo demonstrado por Eva no Éden, quando preferiu se envolver com o fruto proibido ignorando o conselho de Deus de não se aproximar da árvore do conhecimento do bem e do mal. O problema é que o tipo de narrativa de Meyer torna este comportamento aceitável, desejado e até tentador.

Este, e não vampiros, é o grande motivo pelo qual o filme arrebata o público adolescente com tanta força: o que é a adolescência senão um flerte com o perigo?

Aos meus amigos adolescentes: você não aprende através de conceitos abstratos e intangíveis. Você aprende principalmente através de sensações e é quase cem por cento certo que você se identificará com as sensações experimentadas pelos personagens e, mais extensivamente com o ponto de vista de Bella, e mais extensivamente ainda com os conceitos abstratos e intangíveis imbutidos no flerte de Bella e Edward. Meu medo é que estes conceitos atuem diretamente na sua percepção dos princípios, justamente porque princípios são isso: leis abstratas e intangíveis que com uma força incrível comandam nossas ações mais concretas e palpáveis.

Assim, não seria nenhum absurdo pedir a você cuidado com um tipo de produção que se utiliza de efeitos, imagens, cores e sensações para te passar conceitos. Afinal, se você ama a Deus, um flerte com o pecado seria a ultima coisa que você iria querer, não?

Contribuição: Ângelo Bernardes