Archive for maio \31\UTC 2010

h1

Davi

maio 31, 2010


“Quem pode medir os resultados daqueles anos de labuta e vaguear entre as solitárias colinas? A comunhão com a Natureza e com Deus, o cuidado de seus rebanhos, os perigos e os livramentos, os pesares e as alegrias, coisas que eram próprias à sua humilde condição, não somente deviam modelar o caráter de Davi, e influenciar na sua vida futura, mas também deveriam, mediante os salmos do suave cantor de Israel, e em todas as eras vindouras, acender o amor e a fé nos corações do povo de Deus, levando-os mais perto do coração sempre amante dAquele em quem vivem todas as Suas criaturas.

Davi, na beleza e vigor de sua jovem varonilidade, estava se preparando para assumir uma elevada posição, entre os mais nobres da Terra. Seus talentos, como dons preciosos de Deus, eram empregados para exaltar a glória do Doador divino. Suas oportunidades para a contemplação e meditação serviam para enriquecê-lo daquela sabedoria e piedade, que o tornavam amado de Deus e dos anjos. Contemplando ele as perfeições de seu Criador, mais claras concepções de Deus desvendavam-se perante sua alma. Eram iluminados assuntos obscuros, dificuldades eram explanadas, harmonizadas perplexidades, e cada raio de nova luz provocava novas expansões de transportes, e mais suaves antífonas de devoção, para a glória de Deus e do Redentor.

O amor que o movia, as tristezas que o assediavam, os triunfos que o acompanhavam, tudo eram assuntos para o seu ativo pensamento; e, ao ver o amor de Deus em todas as providências de sua vida, seu coração palpitava com mais fervorosa adoração e gratidão, sua voz soava com mais magnificente melodia, sua harpa era dedilhada com alegria mais exultante; e o moço pastor ia de força em força, de conhecimento em conhecimento; pois o Espírito do Senhor estava sobre ele.” Patriarcas e Profetas, pág. 642.

Anúncios
h1

Samuel

maio 24, 2010

“‘E crescia Samuel, e o Senhor era com ele; e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por profeta do Senhor.’ I Sam. 3:19 e 20.

Durante os anos que se passaram desde que o Senhor Se manifestara pela primeira vez ao filho de Ana, viera a vocação de Samuel ao ofício profético a ser reconhecida por toda a nação. Transmitindo fielmente a advertência divina à casa de Eli, por penoso e probante que tivesse sido este dever, Samuel dera prova de sua fidelidade como mensageiro de Jeová; “e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por profeta do Senhor”.

Os israelitas, como uma nação, continuavam ainda em estado de irreligião e idolatria, e como castigo permaneceram sujeitos aos filisteus. Durante este tempo Samuel visitou as cidades e aldeias por todo o país, procurando volver o coração do povo ao Deus de seus pais; e seus esforços não ficaram sem bons resultados. Depois de sofrerem a opressão de seus inimigos durante vinte anos, os israelitas lamentavam ‘após o Senhor’. Aconselhou-os Samuel: ‘Se com todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao Senhor, e servi a Ele só’ (I Sam. 7:3); aqui vemos que a piedade prática, a religião do coração, era ensinada nos dias de Samuel como o foi por Cristo quando Ele esteve na Terra. Sem a graça de Cristo, as formas exteriores da religião eram destituídas de valor para o antigo Israel. Elas são o mesmo para o Israel moderno.

Há hoje necessidade de um tal reavivamento da verdadeira religião do coração como o que foi experimentado pelo antigo Israel. O arrependimento é o primeiro passo que deve ser dado por todos os que desejam voltar a Deus. Ninguém pode efetuar isto por outrem. Devemos individualmente humilhar nossa alma perante Deus, e lançar fora nossos ídolos. Quando houvermos feito tudo o que pudermos, o Senhor nos manifestará a Sua salvação.”

Patriarcas e Profetas, págs. 589 e 590

h1

Gideão

maio 17, 2010

“‘Então, Se virou o Senhor para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei Eu? E ele Lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai. Tornou-lhe o Senhor: Já que Eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem’. Juí. 6:14-16.

Todas as maravilhas que Deus operou para Seu povo foram efetuadas pelos meios mais simples. Quando o povo de Deus for inteiramente consagrado a Ele, o Senhor os usará para levar avante Sua obra na Terra. Mas devemos lembrar-nos de que, seja qual for o êxito que venhamos a ter, a glória e a honra pertencem a Deus; pois toda faculdade e todo poder são uma dádiva de Sua parte.

Deus provará ao máximo a fé e a coragem daqueles a quem confiou responsabilidades em Sua obra. As aparências muitas vezes serão proibitivas. Se bem que Deus tenha reiterado a certeza de Sua ajuda, a fé quase vacilará. “Assim diz o Senhor” tem de ser nossa firme confiança, independentemente de raciocínios humanos ou impossibilidades aparentes.

A experiência de Gideão e seu exército destinava-se a ensinar-nos lições de simplicidade e fé. O dirigente a quem Deus escolhera não ocupava posição preeminente em Israel. Não era príncipe, sacerdote, nem levita. Julgava-se o menor na casa de seu pai. A sabedoria humana não o teria escolhido; mas Deus viu em Gideão um homem de coragem moral e integridade. Não confiava em si próprio, e queria atender às instruções de Deus e cumprir Seus desígnios.

O Senhor não depende de homens de posição elevada, grande intelecto, ou amplo conhecimento. Tais homens, freqüentemente, são altivos e auto-suficientes. Julgam-se competentes para inventar e executar planos sem buscar o conselho de Deus. Separam-se da Videira Verdadeira, tornando-se, portanto, secos e infrutíferos, como ramos sem vida.

O Senhor queria envergonhar a jactância dos homens. Ele dará êxito aos mais débeis esforços, aos métodos menos promissores, quando designados por determinação divina e empreendidos com confiança e humildade.”

Signs of the Times, 30 de junho de 1881.

h1

Soluções

maio 14, 2010
h1

Testemunhando o vestibular

maio 10, 2010

“Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim com tu queres”. Mat. 26:39

Sempre fiquei impressionado com as explícitas promessas divinas de bênçãos para o ser humano. E quando falo “sempre”, não chego a exagerar, pois fui criado desde pequeno em uma religião cristã. Ouvia histórias de heróis bíblicos como Moisés, José, Davi e outros; sempre com um ar de admiração e com uma pontinha de vontade de, quando crescesse, tornar-me um deles. O tempo passou, tornei-me ativo na igreja. Era professor da Escola Sabatina e Desbravador. Gostava muito de doutrina e acabei me dedicando bastante à leitura e estudo do Espírito de Profecia. Acabei por tornar-me um tanto quanto diferente da maioria dos meus amigos e colegas, em plena adolescência era um árduo estudioso das Escrituras.

Mantinha, nesta época, uma correspondência com um tio em São Paulo, trocávamos cartas nas quais religião era assunto corriqueiro. Sentia-me o próprio Timóteo ao corresponder-se com seu mentor Paulo.

Na minha vida escolar começaram os questionamentos sobre o futuro. Qual seria a minha escolha profissional? Tinha um bom rendimento escolar em uma boa escola. Aparentemente isto me daria substrato para poder almejar altos vôos. À época, o que me atraía mais como atividade eram minhas aventuras como desbravador e, graças a algumas influências externas, acabei por decidir seguir a carreira militar. Almejava formar-me como oficial do exército e aventurar-me pelo Brasil afora. Escalar, mergulhar, saltar de pára-quedas e embrenhar-me nas matas, era isso o que queria para o meu futuro. A idéia amadureceu e, naturalmente, chegou ao conhecimento do meu tio de São Paulo.

Recebo, então, uma carta. Poderia até chamar de carta-bomba. Nela, aquele meu tio expunha a incongruência de um cristão seguir a carreira que eu estava desejando. Incluída na profissão que havia escolhido estava a cultura da guerra, onde pessoas matam e destroem vidas alheias.

Pronto. E agora? O que fazer? Meus planos estavam traçados e de repente os via sumirem como que apagados por uma cruel borracha. Ajoelhei-me e abri meu coração para Deus. Contei para Ele toda a minha angústia e pedi que Ele me mostrasse um caminho.

Poucos dias depois recebi a visita de um primo muito querido. Conversamos por um bom tempo e percebi que Deus havia me respondido. Meu primo é médico e enquanto conversávamos minha mente foi desanuviando-se e um esboço de um novo caminho foi traçado. Apenas um esboço, pois jamais imaginaria a trilha que ainda teria que percorrer.

Para encurtar a história, prestei vestibular logo após terminar o ensino médio (na época chamava-se Segundo Grau). Não passei. Mas como não tinha estudado o suficiente e sempre soube que temos que fazer a nossa parte para que Deus faça a dEle, encarei com naturalidade e comecei a estudar para o próximo concurso, no qual também não passei. Como também o seguinte.

Será que eu tinha entendido errado? O que faltava fazer? Sabia ser inteligente o bastante e não conseguia entender a disparidade entre o meu conhecimento e o resultado das provas. Concluí que as histórias bíblicas não se repetem, pelo menos não comigo.

Comecei a cursar a faculdade de fisioterapia. Fui um péssimo aluno enquanto freqüentei o curso. Nessa época, minha irmã estava em São Paulo, fazendo pós-graduação em Direito. Em uma de nossas conversas ela perguntou se eu estava satisfeito com a faculdade e se me interessaria em tentar o vestibular em São Paulo. Afinal de contas, em São Paulo há muitas faculdades de medicina e, assim sendo, maior chance de aprovação.

Não havia tempo a perder, em poucos dias encerravam-se as inscrições para o vestibular e em menos de uma semana já estava desembarcando no aeroporto de São Paulo.

Logo que cheguei, a surpresa. Com exceção de um vestibular, todos os outros tinham provas no sábado, algo que me impossibilitava de prestá-los. Somente um, o mais disputado e difícil deles, não tinha provas no sábado.

Mais uma vez meus planos mudam. Ao invés de prestar a prova competitivamente, eu faria apenas como experiência e passaria todo o ano seguinte estudando e prestar, aí sim, pra valer. Não era falta de confiança ou algo do gênero; eu não poderia ignorar o fato que passara quase um ano sem pegar em matéria de vestibular e vinha de fracassos em um vestibular com cerca de dez por cento do número de concorrentes do atual.

Freqüentei um cursinho por dois meses para tentar revisar pelo menos parte da matéria. É curioso lembrar que eu era o único candidato de medicina na minha classe. Ninguém seria louco de achar que teria chance estudando por dois meses. Na verdade, eu também. Daí o improvável aconteceu, consegui passar na primeira fase; não podemos dizer que era grande coisa considerando o que ainda faltava. No cursinho, após a primeira fase, quando reuniram todas as salas de alunos concorrendo para medicina, eu tive que parar de freqüentar já no primeiro dia, pois não conseguia acompanhar o nível das aulas e dos colegas. Para se ter uma idéia, na primeira aula, não consegui sequer identificar de qual matéria o professor tratava. Fui para casa e não pisei mais no cursinho.

Realmente, não pisei mais lá. O passo seguinte foi a segundo fase, feita com a tranqüilidade de quem não tem menor chance de aprovação. Apesar de toda improbabilidade, quase impossibilidade, fui aprovado no vestibular de medicina mais concorrido do país!

Lembro-me de que, quando não fui aprovado no vestibular em Fortaleza, senti uma ponta de revolta. Havia desistido de meus planos para seguir os planos de Deus e Ele me virou as costas quando precisei dEle no vestibular. Hoje posso ver que, se não fiz faculdade em Fortaleza foi porque Ele havia reservado algo melhor do que eu poderia imaginar para mim.

Lembro também que quando prestei vestibular pela primeira vez, minha oração foi para que Deus me ajudasse a passar no vestibular; na última vez, pedi para que Ele decidisse o resultado, qualquer que fosse, mas que Ele decidisse. Mais importante que se preparar para passar na prova foi estar pronto para não passar caso Deus assim o desejasse.

Por vezes esquecemos a importância que tem o livre arbítrio. Pedimos que Deus nos ajude em nossa vida, mas a seguramos em nossas mãos querendo escolher nosso próprio destino. Ele não é um tirano, não vai tomar nosso destino de nossas mãos à força, temos que entregar nossa vida a Ele e deixarmos que cuide de nós com Seu infinito amor.

A figura e o exemplo de Jesus me vêm à mente. No Getsêmani, em Sua agonia, apesar de ter Ele todo o poder, abdicou de Sua própria vontade entregando Seu destino ao Pai. Não foi ao pedir alívio que Ele o conseguiu, mas foi ao despojar-Se de Si mesmo. O Pai, então, enviou Seu mensageiro para levar-lhe consolo. E é graças à Sua escolha que temos hoje um Redentor, conhecedor de nossas dores e inseguranças e capaz de nos socorrer sempre que permitirmos que Ele o faça.

Obrigado, Jesus. Obrigado, Pai.

Dr. Christian Ximenes



h1

Parabéns, mamãe

maio 9, 2010

h1

Testemunhando o Vestibular

maio 7, 2010

“Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim com tu queres”. Mat. 26:39

Sempre fiquei impressionado com as explícitas promessas divinas de bênçãos para o ser humano. E quando falo “sempre”, não chego a exagerar, pois fui criado desde pequeno em uma religião cristã. Ouvia histórias de heróis bíblicos como Moisés, José, Davi e outros; sempre com um ar de admiração e com uma pontinha de vontade de, quando crescesse, tornar-me um deles. O tempo passou, tornei-me ativo na igreja. Era professor da Escola Sabatina e Desbravador. Gostava muito de doutrina e acabei me dedicando bastante à leitura e estudo do Espírito de Profecia. Acabei por tornar-me um tanto quanto diferente da maioria dos meus amigos e colegas, em plena adolescência era um árduo estudioso das Escrituras.

Mantinha, nesta época, uma correspondência com um tio em São Paulo, trocávamos cartas nas quais religião era assunto corriqueiro. Sentia-me o próprio Timóteo ao corresponder-se com seu mentor Paulo.

Na minha vida escolar começaram os questionamentos sobre o futuro. Qual seria a minha escolha profissional? Tinha um bom rendimento escolar em uma boa escola. Aparentemente isto me daria substrato para poder almejar altos vôos. À época, o que me atraía mais como atividade eram minhas aventuras como desbravador e, graças a algumas influências externas, acabei por decidir seguir a carreira militar. Almejava formar-me como oficial do exército e aventurar-me pelo Brasil afora. Escalar, mergulhar, saltar de pára-quedas e embrenhar-me nas matas, era isso o que queria para o meu futuro. A idéia amadureceu e, naturalmente, chegou ao conhecimento do meu tio de São Paulo.

Recebo, então, uma carta. Poderia até chamar de carta-bomba. Nela, aquele meu tio expunha a incongruência de um cristão seguir a carreira que eu estava desejando. Incluída na profissão que havia escolhido estava a cultura da guerra, onde pessoas matam e destroem vidas alheias.

Pronto. E agora? O que fazer? Meus planos estavam traçados e de repente os via sumirem como que apagados por uma cruel borracha. Ajoelhei-me e abri meu coração para Deus. Contei para Ele toda a minha angústia e pedi que Ele me mostrasse um caminho.

Poucos dias depois recebi a visita de um primo muito querido. Conversamos por um bom tempo e percebi que Deus havia me respondido. Meu primo é médico e enquanto conversávamos minha mente foi desanuviando-se e um esboço de um novo caminho foi traçado. Apenas um esboço, pois jamais imaginaria a trilha que ainda teria que percorrer.

Para encurtar a história, prestei vestibular logo após terminar o ensino médio (na época chamava-se Segundo Grau). Não passei. Mas como não tinha estudado o suficiente e sempre soube que temos que fazer a nossa parte para que Deus faça a dEle, encarei com naturalidade e comecei a estudar para o próximo concurso, no qual também não passei. Como também o seguinte.

Será que eu tinha entendido errado? O que faltava fazer? Sabia ser inteligente o bastante e não conseguia entender a disparidade entre o meu conhecimento e o resultado das provas. Concluí que as histórias bíblicas não se repetem, pelo menos não comigo.

Comecei a cursar a faculdade de fisioterapia. Fui um péssimo aluno enquanto freqüentei o curso. Nessa época, minha irmã estava em São Paulo, fazendo pós-graduação em Direito. Em uma de nossas conversas ela perguntou se eu estava satisfeito com a faculdade e se me interessaria em tentar o vestibular em São Paulo. Afinal de contas, em São Paulo há muitas faculdades de medicina e, assim sendo, maior chance de aprovação.

Não havia tempo a perder, em poucos dias encerravam-se as inscrições para o vestibular e em menos de uma semana já estava desembarcando no aeroporto de São Paulo.

Logo que cheguei, a surpresa. Com exceção de um vestibular, todos os outros tinham provas no sábado, algo que me impossibilitava de prestá-los. Somente um, o mais disputado e difícil deles, não tinha provas no sábado.

Mais uma vez meus planos mudam. Ao invés de prestar a prova competitivamente, eu faria apenas como experiência e passaria todo o ano seguinte estudando e prestar, aí sim, pra valer. Não era falta de confiança ou algo do gênero; eu não poderia ignorar o fato que passara quase um ano sem pegar em matéria de vestibular e vinha de fracassos em um vestibular com cerca de dez por cento do número de concorrentes do atual.

Freqüentei um cursinho por dois meses para tentar revisar pelo menos parte da matéria. É curioso lembrar que eu era o único candidato de medicina na minha classe. Ninguém seria louco de achar que teria chance estudando por dois meses. Na verdade, eu também. Daí o improvável aconteceu, consegui passar na primeira fase; não podemos dizer que era grande coisa considerando o que ainda faltava. No cursinho, após a primeira fase, quando reuniram todas as salas de alunos concorrendo para medicina, eu tive que parar de freqüentar já no primeiro dia, pois não conseguia acompanhar o nível das aulas e dos colegas. Para se ter uma idéia, na primeira aula, não consegui sequer identificar de qual matéria o professor tratava. Fui para casa e não pisei mais no cursinho.

Realmente, não pisei mais lá. O passo seguinte foi a segundo fase, feita com a tranqüilidade de quem não tem menor chance de aprovação. Apesar de toda improbabilidade, quase impossibilidade, fui aprovado no vestibular de medicina mais concorrido do país!

Lembro-me de que, quando não fui aprovado no vestibular em Fortaleza, senti uma ponta de revolta. Havia desistido de meus planos para seguir os planos de Deus e Ele me virou as costas quando precisei dEle no vestibular. Hoje posso ver que, se não fiz faculdade em Fortaleza foi porque Ele havia reservado algo melhor do que eu poderia imaginar para mim.

Lembro também que quando prestei vestibular pela primeira vez, minha oração foi para que Deus me ajudasse a passar no vestibular; na última vez, pedi para que Ele decidisse o resultado, qualquer que fosse, mas que Ele decidisse. Mais importante que se preparar para passar na prova foi estar pronto para não passar caso Deus assim o desejasse.

Por vezes esquecemos a importância que tem o livre arbítrio. Pedimos que Deus nos ajude em nossa vida, mas a seguramos em nossas mãos querendo escolher nosso próprio destino. Ele não é um tirano, não vai tomar nosso destino de nossas mãos à força, temos que entregar nossa vida a Ele e deixarmos que cuide de nós com Seu infinito amor.

A figura e o exemplo de Jesus me vêm à mente. No Getsêmani, em Sua agonia, apesar de ter Ele todo o poder, abdicou de Sua própria vontade entregando Seu destino ao Pai. Não foi ao pedir alívio que Ele o conseguiu, mas foi ao despojar-Se de Si mesmo. O Pai, então, enviou Seu mensageiro para levar-lhe consolo. E é graças à Sua escolha que temos hoje um Redentor, conhecedor de nossas dores e inseguranças e capaz de nos socorrer sempre que permitirmos que Ele o faça.

Obrigado, Jesus. Obrigado, Pai.

Dr. Christian Ximenes