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Prontos para a batalha

outubro 28, 2011

Lutas, homens, sede pela vitória.  O resgate atravessa os portões do tempo e nos remete a um período onde uma figura vai mudar os rumos da própria história. São homens tentando se assemelhar aos animais. É o peso como um requisito básico para se obter a honra. Estamos no Período Medieval, e na figura dos Cavaleiros, ilustramos o passado das lutas e conquistas baseadas em um líder e em uma proteção.

Os homens de armadura são uma composição de garra e segurança. Encobertos, primeiramente com couros e telas de tecido rígido, eles se vestem até encobrirem praticamente todo o corpo, como forma de não serem atingidos pelas armas mais persistentes, pelos venenos mais astuciosos. Logo depois vem a armadura dos braços, essencialmente rígidas e com seus pontos de flexibilidade, pois o braço que protegia também poderia ser, ao mesmo tempo, o que atacava. Guante, manopla, espaldeira ou guarda-braço, eram os nomes concedidos a essa parte da armadura.

As pernas exigiam placas fortes para proteção, mas necessitavam que fossem leves, pois determinavam o ritmo dos cavaleiros durante a batalha. E os cavaleiros que ficavam para trás assumiam o retrato de incapazes para a postura que exerciam. Era preciso ser cabeça, estar sempre a frente, e as pernas determinavam o caminho desses homens. Mas as pernas seguem o estímulo do seu oposto físico: a cabeça. Ao cavaleiro toda a força poderia ser dispensada se não houvesse a estratégia. Homens com objetivos de luta estruturados olhavam sempre para a frente, por isso, a armadura da cabeça deixava apenas os olhos livres para que o foco da batalha não fosse perdido no meio da luta.

Por fim, a couraça, escarcela ou fraldão completam a armadura do cavaleiro. Ela protegia o tórax, e quanto mais forte e pesada, quanto mais rígida e menos elaborada em detalhes decorativos, melhor ela exercia a sua função: proteger a parte mais vital conhecida pelos medievais e pelos homens de hoje; a bomba que propulsiona o sangue da vida; o elemento chave que determinava o para quê e o porquê da batalha: o coração.

Com todos os elementos, o homem protegido está pronto para a luta, mas para ser um cavaleiro, além de armaduras, era preciso ser extremamente habilidoso com as armas. Na lança, o alcance do alvo distante. No escudo, a proteção do alvo próximo, e a força para afastá-la. E na espada, a última e principal arma de toda a composição do cavaleiro. O instrumento que determinava a continuidade da força dos homens, aliada a precisão da arma mais bem elaborada de todo o período medieval. Quanto mais esculpidas e trabalhadas, maior a importância daquela espada para o seu cavaleiro.

Homens de guerra. Ao longo de batalhas, passaram-se dias e ficaram-se os corpos. Os homens, os fiéis cavaleiros e seus objetivos se autodestruíram quando, mesmo repleto de armas e armaduras, perderam o foco da batalha da vida. Uma batalha, que, desde o princípio foi instituída com um propósito que não aceita troca de estratégias. Uma batalha limpa em conceitos, clara em metas, simples em essência, direta em destino: a salvação.

E na luta a caminho da salvação, a força não vêm de homens, mas é repassada a eles quando escolhem cumprir a primeira regra dos componentes deste exército: fortalecer-se em Deus, o autor de toda força e poder. Afinal, “os objetivos dessa batalha não exigem condições favoráveis de lutas, e os cavaleiros não precisam passar por um processo de seleção. Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra o príncipe das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. (Efésios 6: 12)

Quem está nesta batalha, precisa se fortalecer largando as armaduras do mundo e revestindo-se das armaduras de Deus. Dos braços, tiremos as robustas proteções que nos privam de mover os membros para estender a mão aos necessitados de pão e de espírito. Das pernas, tiremos as placas, que, mesmo leves, possam nos impedir de estar sempre a frente da batalha que vai definir a vida eterna. Do corpo, tiremos o peso de uma proteção que esconde aquilo que temos de mais importante para sermos tocados e, ao mesmo tempo, alcançarmos pessoas: o coração. “Que possamos cingir os nossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça. E calçados os pés na pregação do evangelho da paz”. (Efésios 6:14 e 15)

Da cabeça, tiremos o capacete que apenas direciona o nosso olhar para as metas do mundo, mas nos cega para o essencial: enxergarmos Deus, não pela salvação que Ele pode nos proporcionar, mas porque Ele é Deus! E como Deus, precisa, não apenas dos nossos olhos, mas do nosso ouvir, do nosso falar, do nosso respirar e de todo o nosso entendimento para que encaremos a batalha com a proteção de compreendermos, com todos os nossos sentidos, que Ele está a nossa frente.

Das mãos, tiremos o escudo que nos protege de sermos tocados por mensageiros dos céus, e, que pior, nos dar a possibilidade de afastar pessoas que chegam a nós sedentos da pequena porção do Espírito Santo que demonstramos possuir, mas que não estamos dispostos a compartilhar. Agora, larguemos a espada esculpida com esmero, trabalhada com afinco para ressaltar as nossas conquistas pessoais. E como não possuímos mais armas, já não precisamos de couro ou tela. Rasguemos estas vestes que impede o Mestre de ver o nosso interior.

Agora, vestidos por uma missão, que possamos escolher a principal arma dessa batalha. Uma luta, que diferente do que o mundo propõe, exige que, ao invés de em pé, nos ajoelhemos para vencer o inimigo. E prostrados, perceberemos que, bem a nossa frente, recebemos uma espada que é arma, bússula e mapa. A espada do Espírito, que é a palavra de Deus.

 

Rebbeca Ricarte

Jornalista

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