Archive for the ‘Cinema’ Category

h1

Três tendências perigosas no cinema da atualidade

janeiro 29, 2008

Bom dia amigos. Fazia tempo, né? Ok, ok. Eu sei que deixei muita gente na mão. Peço infinitas desculpas. Mas aqui estamos com os quatro posts atrasados, todos de uma vez, como se eu nunca tivesse deixado de postar (calma, calma, num to querendo enrolar ninguém).

Pois é. Neste post vamos falar de tendências. Se você é observador e freqüenta assiduamente as locadoras, com certeza este post lhe será útil.

Entenda uma coisa: Há os filmes produzidos com enfoque no público e há os filmes produzidos com enfoque na arte. Quando analisamos o primeiro grupo é possível extrair uma lógica simples: se um determinado filme faz sucesso, logo muitos outros virão no mesmo formato e com conteúdo parecido até que o público enjoe daquele tipo de produção e force os diretores a nos entregar algo novo. Assim, é possível estabelecermos alguns padrões que estão em moda agora e que você, como cristão, deve conhecer para se precaver. Aqui vamos nós:

1. Sexologia barata: As comédias românticas são as principais vítimas deste tipo de abordagem. As mulheres talvez discordem de mim, mas fica claro que há uma tendência no cinema em focar a falta de sexo como a raiz de todos os problemas e a volta do mesmo como a solução máxima para todos os relacionamentos. Nada de cumplicidade, arroubos românticos ou desencontros amorosos. As comédias românticas estão sendo apimentadas com traições, homossexualismo, sexo deturpado e mentiras.

2. Fantasia: Filmes-fantasia estão sendo produzidos em série: Harry Potter, O Senhor dos Anéis, A Bússola de Ouro, Ponte Para Teratíbia, dentre muitos outros que vêm por aí. Em que pesem as pregações empolgadas sobre mensagens subliminares, o maior problema desses filmes é a familiarização do público com o ocultismo distorcido, no qual elementos condenados por Deus como feiticeiros, rituais pagãos e adivinhações são apresentados sob um manto de bondade. Cuide do seu “Ponto de Diferenciação.”

3. Violência-pop: Os dois filmes mais aclamados pelo público brasileiro deste filão são nacionais: “Cidade de Deus” e o mais recente “Tropa de Elite”. Interessa mais mostrar cenas demoradas e detalhadas de violência do que o contexto social por trás dela. Alguns filmes, como o suspense de quinta “O Albergue”, valem-se apenas de chocar o telespectador. A violência tornou-se popular e divertida. Na vida real, continua aterrorizante e apocalíptica, mas o público da violência-pop parece separar bem as duas coisas. No conforto de suas salas, tiros e mutilações parecem ser elementos de entretenimento. Paradoxal não? Cuidado com a manipulação dos seus sentidos. Lembre-se da “Teoria da Sopa de Rã”.

Tá avisado. Que Deus os ilumine.

Abração,

Ângelo Bernardes.

 

 

 

h1

BOX Coluna de Filmes do AÇÃO J.A.

janeiro 3, 2008

Se você chegou a este post sem ler o artigo logo mais abaixo, pare agora mesmo. Leia o tópico anterior e depois volte pra cá. Se você já leu, ótimo estamos prontos pra concluir nossa série de cinco posts.

Acho ótimo quando certos estúdios lançam DVD’s com toda uma série de filmes reunidos numa única coleção. Assim, decidi juntar todos os elementos da nossa série de introdução em um único post.

Agora que você tem uma base para começar, corra para a locadora e faça boas escolhas.

Antes do filme:

  1. Leia todas as sinopses e todas as críticas possíveis. Informe-se.
  2. Peça opinião de pessoas que já assistiram ao filme que você pretende assitir, principalmente se forem cristãs.
  3. Procure saber se o filme tem conteúdo que contrasta com o que Deus diz em Filipenses 4:8 ou se você está incerto quanto a se deve assisti-lo ou não.
  4. Procure algum sinal de que o filme contenha cenas gratuitas, seja de sexo, violência, vulgaridade ou qualquer outra coisa. Se tiver, é um mau sinal.
  5. Se preciso, ore e peça para que Deus lhe ajude a escolher o melhor filme para o seu entretenimento.
  6. Se você realmente gosta de cinema e quer ir mais além, pesquise um pouco sobre o diretor do filme que você quer ver e procure montar um perfil dos trabalhos dele. Assim, você pode ter uma idéia melhor do que está por vir.

Durante o filme:

  1. Procure identificar que tipo de filosofia o filme está querendo lhe passar. Se elas se enquadram nas quatro correntes filosóficas que abordamos na nossa coluna, atenção redobrada.
  2. Preste atenção na forma como o filme põe em prática a equação do cinema: como ele aborda os fatos? É de um ponto de vista cristão? Ele considera erradas as mesmas coisas que Deus considera erradas? O filme possui elementos que aguçam os sentidos? Se sim, quais são os sentidos que o filme aguça?
  3. Preste atenção no seu ponto de diferenciação. Se alguma cena do filme ou mesmo alguma idéia que ele lhe passe lhe parecer confusa ou nova, tire suas dúvidas com pessoas de confiança.

Depois do filme:

  1. Cuidado com a teoria da sopa de rã. Se o filme que você assistiu tinha conteúdo moralmente reprovável, não te deixou se sentindo muito bem por tê-lo assistido ou foi de encontro a algum dos seus princípios, cuide para que a experiência não se repita.
  2. Comente o filme com outras pessoas que também o assistiram. Isso pode ajudá-lo a ver a película por diversos ângulos.

Se o filme passou por este filtro (e que filtro, hein?), resta uma obrigação a você: chame alguns bons amigos, a família ou a namorada, faça uma boa porção de pipoca e…bom filme, sem culpa.

Abração…

Ângelo Bernardes

h1

O Melhor Guia de Filmes do Mundo

janeiro 3, 2008

Você deve estar perguntando o que eu estou fazendo postando dois posts de uma vez. Bom, pontualidade nunca foi o meu forte, mas a gente se endireita aos poucos. Acontece que eu estou devendo a vocês dois artigos atrasados que deixei de publicar na semana certa. Assim, aqui vão os dois seguidos.

Este era para ser o último post da nossa série de quatro posts sobre a introdução ao papo de cinema. Pois é, não deu. O quarto post ficou grande demais e eu o dividi em dois. Assim, a nossa série de quatro posts virou uma série de cinco posts. Enjoy…

Seria muito bom se Deus mandasse para nós um guia. Algo que nos dissesse a que filmes devemos assistir. Talvez não fossem necessárias tantas colunas e palestras sobre cinema, não é? Pois pode parar de sonhar com isso. Esse guia existe e está à sua disposição a mais de mil anos (não vá deixar de ler a minha coluna por isso, ok?).

O Guia de filmes de Deus é composto de duas partes e quatro versos bíblicos simples, mas que juntos podem realmente fazer a diferença na sua vida. Lá vamos nós:

  • 1ª Parte: Analise os filmes (Filipenses 4:8)
  • 2ª Parte: Analise a si mesmo (Romanos 14:14, 22 e 23)

Destrinchando:

  • Filipenses 4:8 – “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há, e se há algum louvor, seja isso que ocupe a vossa mente.”

Não há segredos, meus amigos. Deus deixou claro aquilo que ele quer que ocupe a nossa mente, portanto, qual é o conteúdo do filme que você está vendo? É puro, é amável, honesto, de boa-fama? Estes elementos estão inclusos na história que está sendo contada? Fora disso, não há bons filmes.

Porém, você deve saber contextualizar bem o verso acima para usar o guia na maneira correta. É sempre mais importante a intenção com que a cena é mostrada do que a própria cena me si. Tomemos por exemplo o filme A Ultima Batalha, o primeiro longa metragem Adventista. Nele, nós podemos encontrar cenas de violência e de consumo de drogas. Porém, estas cenas mostram sempre a violência e as drogas como coisas ruins e nocivas à saúde mental, física e espiritual, e isto é bom e honesto. Estas cenas não são gratuitas, ou seja, estão ali para mostrar a decadência moral do personagem Lucas e como as drogas podem ter levado o rapaz a isso. Por fim, não são mais demoradas e detalhadas do que precisam ser, justamente porque não têm a intenção de aguçar nossos sentidos, despertando curiosidade ao invés de repulsa. Isso é ser justo e de boa fama, mesmo mostrando cenas de violência e drogas.

Vamos um pouco mais além. O filme “Infidelidade” mostra a tragédia pessoal de uma mulher que trai o marido com um homem mais novo. O filme mostra o adultério do ponto de vista correto, como algo ruim e desrespeitador. Ponto para ele: está sendo honesto e justo. Porém, as cenas de sexo são desnecessariamente demoradas, detalhadas e intensas. Isso aguça os sentidos do telespectador, desperta-o para um tipo de sexo ilícito. Quando assistido por jovens que não estão casados, despertam seus instintos para uma fase da vida que ainda não lhes pertence, e mesmo para casais casados, pode ser uma influência para colocar a libido a frente do amor. Assim, o filme não é amável, nem muito menos puro. Fuja.

Porém, é bem verdade que nem sempre poderemos ser tão precisos quanto ao que consideramos “puro”, “amável”, “de boa fama”, etc. Isso acontece porque nós reagimos de forma diferente aos estímulos. Aquilo que induz uma determinada pessoa a pecar, pode não induzir outra. Aquilo que atiça os sentidos de alguém pode não atiçar os sentidos de outrem. Por isso Deus criou um critério para possamos analisar a nós mesmos com relação aos filmes que assistimos, de acordo com a luz que temos, a nossa personalidade e a nossa experiência com Cristo. Vejamos:

  • Romanos 14: 14, 22 e 23 – “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo que não é de fé, é pecado.”

O critério é simples e eficaz: na dúvida, não assista, não ouça, não leia, não compre. Sua salvação é preciosa demais para pô-la em risco com um filme, uma música ou o que quer que seja. Se tua consciência te acusa, rejeite.

Além disso, não tente usar esse princípio para “santificar” o pecado. Deus deixou instruções bem claras daquilo que ele considera imundo ou não. Se você tem conhecimento dessas coisas então você é ciente de que elas são imundas, e se não as considera imundas, então definitivamente você precisa acertar as contas com Deus. Se você não conhece as coisas que Deus considera imundas, também precisa de uma vez por todas de maior comunhão com o Pai.

Por fim, para usar esta guia você deve prestar atenção em dois detalhes: (1) nunca use estes versos fora do contexto para tentar justificar más escolhas. (2) Nunca use apenas um dos versos. O guia só funciona se você usar todos juntos. Agora corre lá pro post de cima.

Juízo….

Ângelo Bernardes

h1

O Cinema e as 4 Correntes Filosóficas

dezembro 29, 2007

Olá internautas…

Depois de um longo e tenebroso inverno (eu já começo com uma frase feita), cá estamos nós para darmos continuidade ao nosso papo sobre cinema. Eu esqueci de falar pra vocês. Esta é uma série de quatro posts que darão uma introdução básica pra que a gente possa conversar sobre qualquer coisa relacionada a filmes sem maiores tropeços: primeiro analisamos como o cinema influencia nossa mente. Depois demos uma olhada em algumas expressões que serão bastante utilizadas na nossa coluna. Agora estamos prestes a conhecer (ou reconhecer) as quatro principais correntes filosóficas que podemos encontrar nas películas que nos são oferecidas. São elas: Existencialismo, Humanismo, Hedonismo e Espiritismo. Vamos ver um pouco mais sobre elas e sua relação com o cinema:

  • Existencialismo: Corrente filosófica que trata o evento do “ser” como sendo a própria essência humana. Procura responder questões relacionadas à existência como o porquê de estarmos aqui,quem somos, qual é o verdadeiro sentido da vida. Procura explicar o significado de nós mesmos e de nossa existência. Filmes de super-heróis tem um forte apelo existencialista. Em Homem-Aranha, por exemplo, Peter Parker vive sempre no dilema entre os poderes que possui e as responsabilidades que eles acarretam. Já em Super-Man, Clark Kent se debate entre o fato de ser um “semi-deus” e, ao mesmo tempo, um ser humano comum, com desejos, frustrações, etc. Outro exemplo interessante é Batman. O personagem Bruce Wayne está sempre dividido entre a dor de ter perdido seus pais, seu sentimento de vingança e o desejo de fazer justiça. A filosofia existencialista não é nociva em si, porém, é preciso ter cuidado com ela. Uma mensagem existencialista pode fazer você questionar sua fé, ou mesmo se perder no meio do labirinto das dúvidas existenciais e desviar o foco de Cristo para si mesmo. Um Cristão em dúvidas é sempre um alvo fácil para Satanás.
  • Humanismo: Esta corrente filosófica propõe a celebração do homem como o centro de todas as coisas. A natureza humana é evidenciada e apreciada em todos os seus nuances, tanto bons quanto ruins. Tudo o que é inerente ao homem deve ser aceito por ele e não rejeitado. Filmes como Closer, Infidelidade, Simplesmente Amor, e, pasmem, Matrix, possuem mensagens humanistas. Um bom exemplo de como a filosofia humanista se propaga através da cultura pode ser observado na música da cantora Madona: “Human Nature“. Nela, Madona se explica pelos escândalos sexuais que causou dizendo apenas que: “Desculpem. Eu não sabia que não podia falar de sexo. Eu não estou arrependida. É a natureza humana.” (sic.).
  • Hedonismo: É a corrente filosófica que prega que o prazer é o bem supremo do ser humano e deve estar acima de quaisquer outros valores. A cultura Rock é totalmente pautada pelo hedonismo. Através desta filosofia é possível ‘justificar’ o uso de drogas, álcool, o adultério, osado-masoquismo e toda a sorte de pecados. Tudo é aceitável desde que dê prazer. Um exemplo bem próximo de como esta filosofia está presente na nossa cultura é a novela Sete Pecados. No cinema, temos uma porção de exemplos de filmes dos piores tipos: American Pie, Antes Só do que Mal Casado, O Virgem de 40 Anos, Closer, etc.
  • Espiritismo: Simples de definir. Simples de exemplificar. Filmes que mostram fatos sobrenaturais ligados a espíritos, demônios, vida após a morte, feitiçaria e dimensões paralelas, a saber: Harry Potter (eu tinha que citar esse, né?), Espíritos, Premonição, A Casa da Colina, A Bruxa de Blair, etc. não é demais lembrar que Deus desautoriza qualquer tipo de feitiçaria e descarta completamente a possibilidade de qualquer contato entre vivos e mortos e qualquer estágio existente entre a vida e a morte, bem como qualquer tipo de atividade consciente entre os mortos. Porém, é importante que você não confunda “espiritismo” com “fantasia”. Imaginar que uma pessoa pode voar ou, quem sabe, ficar invisível, é pura fantasia, mas não chega a ser espiritismo em si mesmo, pois não está relacionado a demônios, vida após a morte e os outros itens que citamos em nossa definição. Não confunda também “espiritismo” com “mitologia”. Apesar de muitas vezes estarem relacionados, estes dois conceitos são bem distintos.

Por fim, gostaria apenas de adverti-lo que estas correntes filosóficas não podem ser definidas por completo nestes simples parágrafos. Há uma série de pormenores e características que precisam ser aprendidas. Aqui, nós tentamos lhe dar apenas um vislumbre para que você fique atento a estas filosofias nos filmes a que estiver assistindo.

Lembre-se: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que professa a nossa vã filosofia”.
Abração. Feliz ano novo. A gente se vê.

Ângelo Bernardes

h1

Jargão “Ação J.A.” de Cinema

dezembro 9, 2007

Antes de tudo, preciso pedir desculpa a vocês leitores do Ação J.A. Este post está saindo com três dias de atraso. Espero não ter deixado vocês na mão neste período. E aí vamos continuar nosso papo?

Todo ramo de conhecimento tem o seu “jargão”: um conjunto de expressões utilizadas comumente e que possuem um significado vasto e completo. Os jargões poupam o tempo de quem os conhece. Podemos substituir toda uma longa explicação por um simples termo do jargão. Assim, já que vamos tratar de cinema, vamos conhecer algumas expressões que usaremos com certa freqüência. Algumas fazem parte dos artigos convencionais sobre o assunto. Outras são originais do Ação J.A. Assim, todas as vezes que você estiver lendo uma de nossas conversas e não lembrar o significado de uma expressão, pode voltar até este post e refrescar sua memória. Lá se vão nossas expressões mais comuns:

1. As três formas de se definir cinema:

  • Cinema-indústria – é os filmes, as salas de projeção, os atores e atrizes, o Oscar, o Globo de Ouro, a pipoca, Hollywood, os filmes independentes, o glamour, o tapete vermelho, a imprensa, a propaganda, os DVD’s, enfim: tudo que tem a ver com a produção de filmes faz parte da indústria cinematografia.
  • Cinema-filme: é simplesmente os filmes que você assiste.
  • Cinema-sala-de-projeção – é as salas de projeção de filmes. Tanto as modernas salas existentes nos shoppings quanto aquelas mais simples e antigas, encontradas nos centros das cidades.

Humor escatológico – tipo de humor que faz piadas com excrementos, fluidos corporais e elementos constrangedores. Em bom português, toda vez que alguém faz piada com coisas como vômito, flatulência (não me faça citar a outra palavra, por favor), fezes, urina, obesidade, etc., está fazendo humor escatológico.

Cenas gratuitas – O filme A Ultima Ceia narra uma interessante história de redenção e auxílio mútuo em que um homem e uma mulher, marcados por sucessivos problemas pessoais, encontram um no outro um apoio para começar uma nova vida. Até aí tudo bem, não fosse pela extravagante cena de sexo protagonizada pelos dois personagens principais e comentada à exaustão pela crítica. A cena não contribui em nada para o enriquecimento da história ou a melhor compreensão do tema do filme. Seria perfeitamente dispensável e até destoa do contexto da narrativa. Está ali única e simplesmente para que as pessoas “apreciem”, por assim dizer, uma cena de sexo quase explícito.

Um filme, no desenvolvimento de seu tema, precisa lançar mão de cenas que contribuam para que o telespectador compreenda a mensagem que se está querendo passar. Se você vai fazer um filme de guerra, logicamente que você vai precisar pensar em cenas de explosões, tiros e batalhas. Afinal, trata-se de um filme de guerra. Porém, muitas vezes um diretor inclui cenas em seu filme que nada prestam para explicar melhor o conteúdo central da película. Estão ali simplesmente para causar um efeito visual no telespectador, despertas seus sentidos (lembrem do que falamos sobre isso no post passado) ou saciar alguma vontade torpe do público. Assim surgem as cenas gratuitas de violência, sexo, choro, escatologia, crueldade, etc.

Teoria da sopa de rã – Se você colocar uma rã numa panela de água fervente, ela saltará para fora imediatamente. Porém, se você colocá-la numa panela de água fria, e for fervendo aos poucos, o pobre anfíbio ficará ali quietinho até virar o seu jantar. Motivo: A temperatura do sangue da Rã se adapta ao ambiente em que ela está, desde que a mudança não seja brusca.

Assim são nossas emoções. Uma criança que nunca viu um filme com conteúdo violento vai se chocar ao assistir um filme como Jogos Mortais, por exemplo. Talvez desligue a televisão antes da metade do filme e decida que nunca mais quer ver algo tão violento como aquilo. Porém, dê-lhe doses homeopáticas de violência para que se acostume com ela, e, em pouco tempo, você conseguirá com que esta criança assista filmes com cenas de tortura e mutilação sem grandes problemas (acredite em mim, não teste por si mesmo). Este processo faz com que entremos num processo de adequação dos nossos conceitos e princípios para que nossa mente possa aceitar a nova porção de violência que nos está sendo oferecida. Apesar de termos usado o exemplo da violência, este processo também ocorre com o sexo, a falsidade e quaisquer outras coisas que se queria inserir na mente humana.

Ponto de diferenciação – O filme é Batman Begins. A cena é uma em que o homem-morcego está saltando pelos telhados das casas e pelas coberturas dos prédios de Gothan Batman Begins - TumblerCity com seu Tumbler – uma espécie de “carro-super-dotado”. Se eu perguntar numa sala de aula quantos acham que esta cena é uma mentira, uma ficção, eu estou certo que todos levantarão suas mãos afirmativamente. Porém, no mesmo filme há uma outra cena em que a promotora de justiça Rachel olha para Bruce Wayne e lhe profere a seguinte máxima: “Não é o que você é que importa, mas o que você faz que define você”. Se eu perguntar, na mesma sala de aula, quantos acreditam que isso pode ser verdade, eu já não terei uma unanimidade. Um filme passa informações, fatos e filosofias. Em alguns momentos eu saberei diferenciar o que é verdade e o que é mentira. Em outros momentos eu já não terei tanta sagacidade. A grande diferença é o conhecimento que se tem do assunto que está sendo tratado. Filmes constantemente passam a idéia de que devemos deixar nosso coração guiar nossas escolhas. Porém, um cristão estudioso da bíblia saberá que “enganoso é o coração do homem” e que nosso único guia deve ser a palavra do Deus todo poderoso. A pergunta que permanece nessa questão é: se eu não posso confiar no conteúdo de um filme, com relação aos assuntos que conheço, como poderei confiar nele com relação aos assuntos que não conheço? Ponto de diferenciação é isto: A sua capacidade de diferenciar o que é verdade e o que é mentira, o que é certo e o que é errado num filme.

Queridos, o texto bíblico é claro: “O diabo anda ao nosso redor, bramindo como leão buscando a quem tragar”. Por isso, devemos estar munidos de todo o conhecimento que Deus nos dispõe para que não caiamos nas ciladas do inimigo. Então, afinal, como Deus espera que escolhamos os filmes a que assistiremos? Hoje não. Volte ainda esta semana. Vamos conversar sobre isso.

Abração.

Ângelo Bernardes

h1

A Equação do Cinema

novembro 30, 2007

Semana passada, fizemos os jovens de nossa igreja preencherem uma ficha sobre características pessoais para um dos projetos do Ministério Jovem. Um dos itens a ser respondido era “paixões”. Dentre as várias respostas colocadas, sempre podíamos encontrar a expressão “bons filmes”.

Cinema é quase uma unanimidade. Da criança ao idoso, todos nós gostamos de boas histórias, se possível interpretadas por bons atores e com bons efeitos de som e imagem. Gostamos dos temas que fazem parte do nosso cotidiano, pois nos identificamos com eles. Gostamos das histórias que nunca vivemos, pois podemos entrar em contato com experiências diferentes das nossas. Gostamos, por fim, de ver o impossível ou o improvável sendo mostrado na tela, pois nossa imaginação não tem limites (ao menos não do ponto de vista fisiológico).

Então, qual é o problema? Por que tanta advertência e tanta preocupação em nossas igrejas com filmes e programas de TV?

É bem verdade que muitas vezes esta inquietação provoca debates mal direcionados, com opiniões despidas do mínimo de conhecimento de causa. Porém, o princípio básico desta movimentação é válido: Satanás quer usar qualquer coisa que amamos contra nós e descobriu no cinema e na TV uma forma bastante eficaz de alcançar seus objetivos.

A questão, por vezes passa um pouco distante do que é abordado pelas igrejas (desconfiem, por exemplo, dos discursos inflamados sobre o, por assim dizer, “poder das mensagens subliminares” que a mãe do irmão do tio do primo de terceiro grau de um amigo meu jura que encontrou. Falaremos sobre isso mais tarde), mas você não pode fugir dessa constatação: O cinema e a TV influenciam diretamente na forma como enxergamos as situações, e o nosso ponto de vista sobre os fatos determina como iremos viver.

A equação é simples (desculpe falar de matemática numa coluna de filmes): Fato + Juízo de valor + itens que aguçam os sentidos = influência perfeita.

O cinema apresenta um fato: uma traição, uma guerra, uma disputa política, um assassinato, um casamento, etc. Porém, quando este fato é narrado, ele é contado através do prisma do diretor e dos atores que compõem o filme. Assim, os fatos nunca são narrados sem que contenham elementos que indiquem o que você deve pensar sobre eles: o juízo de valor. Por exemplo: O Filme “Antes Só do que Mal Casado” (de péssimo gosto, diga-se de passagem) mostra uma esposa insana, esquisita, burra e cheia de manias e uma amante inteligente, sensual, divertida e carinhosa. As cenas que mostram a esposa são sempre rápidas, cômicas (humor escatológico, obviamente) e constrangedoras. Já as que mostram a amante, são em câmera lenta (com os cabelos balançando ao vento, lógico), mostrando-a brincando com crianças, rindo com parentes, ou bebendo alguma bebida exótica. O diretor quis justificar o adultério. Fazer com que você gostasse da amante e rejeitasse a esposa para que a traição se tornasse aceitável. Como se não bastasse, no citado filme, há ainda uma discussão boba sobre o que é traição: envolvimento emocional ou físico.

Por fim, o cinema se utiliza de todos os elementos que aguçam nossos sentidos: trilha sonora, explosões, torturas, belas paisagens, mulheres estonteantes, carros velozes, cenas detalhadas de sexo, de luta pela vida, enfim.

Todas as vezes que nossos sentidos são inflamados, nossa razão tende a ficar em segundo plano, e os sentidos nunca foram bons guias sobre as melhores escolhas.

Bem vindo ao mundo do cinema. Como um cristão deve interagir com este universo? Nesta coluna nós vamos conversar sobre os benefícios e malefícios da sétima arte. Você é um cristão, alguém separado para Deus. Não é nenhuma novidade eu afirmar que você também precisa ter uma opinião separada para Deus. No final das contas, devemos sempre saber como adequar o nosso gosto por filmes aos nossos princípios cristãos, e nunca escolher adequar nossos princípios cristãos ao nosso gosto por filmes. Hoje a gente viu a equação do cinema. Semana que vem, apareça de novo por aqui. Vamos ter uma aula básica do jargão “Ação J.A.” de cinema.

Inté.

Ângelo Bernardes