Archive for the ‘Entrevistas’ Category

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Testemunhando o vestibular

maio 10, 2010

“Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim com tu queres”. Mat. 26:39

Sempre fiquei impressionado com as explícitas promessas divinas de bênçãos para o ser humano. E quando falo “sempre”, não chego a exagerar, pois fui criado desde pequeno em uma religião cristã. Ouvia histórias de heróis bíblicos como Moisés, José, Davi e outros; sempre com um ar de admiração e com uma pontinha de vontade de, quando crescesse, tornar-me um deles. O tempo passou, tornei-me ativo na igreja. Era professor da Escola Sabatina e Desbravador. Gostava muito de doutrina e acabei me dedicando bastante à leitura e estudo do Espírito de Profecia. Acabei por tornar-me um tanto quanto diferente da maioria dos meus amigos e colegas, em plena adolescência era um árduo estudioso das Escrituras.

Mantinha, nesta época, uma correspondência com um tio em São Paulo, trocávamos cartas nas quais religião era assunto corriqueiro. Sentia-me o próprio Timóteo ao corresponder-se com seu mentor Paulo.

Na minha vida escolar começaram os questionamentos sobre o futuro. Qual seria a minha escolha profissional? Tinha um bom rendimento escolar em uma boa escola. Aparentemente isto me daria substrato para poder almejar altos vôos. À época, o que me atraía mais como atividade eram minhas aventuras como desbravador e, graças a algumas influências externas, acabei por decidir seguir a carreira militar. Almejava formar-me como oficial do exército e aventurar-me pelo Brasil afora. Escalar, mergulhar, saltar de pára-quedas e embrenhar-me nas matas, era isso o que queria para o meu futuro. A idéia amadureceu e, naturalmente, chegou ao conhecimento do meu tio de São Paulo.

Recebo, então, uma carta. Poderia até chamar de carta-bomba. Nela, aquele meu tio expunha a incongruência de um cristão seguir a carreira que eu estava desejando. Incluída na profissão que havia escolhido estava a cultura da guerra, onde pessoas matam e destroem vidas alheias.

Pronto. E agora? O que fazer? Meus planos estavam traçados e de repente os via sumirem como que apagados por uma cruel borracha. Ajoelhei-me e abri meu coração para Deus. Contei para Ele toda a minha angústia e pedi que Ele me mostrasse um caminho.

Poucos dias depois recebi a visita de um primo muito querido. Conversamos por um bom tempo e percebi que Deus havia me respondido. Meu primo é médico e enquanto conversávamos minha mente foi desanuviando-se e um esboço de um novo caminho foi traçado. Apenas um esboço, pois jamais imaginaria a trilha que ainda teria que percorrer.

Para encurtar a história, prestei vestibular logo após terminar o ensino médio (na época chamava-se Segundo Grau). Não passei. Mas como não tinha estudado o suficiente e sempre soube que temos que fazer a nossa parte para que Deus faça a dEle, encarei com naturalidade e comecei a estudar para o próximo concurso, no qual também não passei. Como também o seguinte.

Será que eu tinha entendido errado? O que faltava fazer? Sabia ser inteligente o bastante e não conseguia entender a disparidade entre o meu conhecimento e o resultado das provas. Concluí que as histórias bíblicas não se repetem, pelo menos não comigo.

Comecei a cursar a faculdade de fisioterapia. Fui um péssimo aluno enquanto freqüentei o curso. Nessa época, minha irmã estava em São Paulo, fazendo pós-graduação em Direito. Em uma de nossas conversas ela perguntou se eu estava satisfeito com a faculdade e se me interessaria em tentar o vestibular em São Paulo. Afinal de contas, em São Paulo há muitas faculdades de medicina e, assim sendo, maior chance de aprovação.

Não havia tempo a perder, em poucos dias encerravam-se as inscrições para o vestibular e em menos de uma semana já estava desembarcando no aeroporto de São Paulo.

Logo que cheguei, a surpresa. Com exceção de um vestibular, todos os outros tinham provas no sábado, algo que me impossibilitava de prestá-los. Somente um, o mais disputado e difícil deles, não tinha provas no sábado.

Mais uma vez meus planos mudam. Ao invés de prestar a prova competitivamente, eu faria apenas como experiência e passaria todo o ano seguinte estudando e prestar, aí sim, pra valer. Não era falta de confiança ou algo do gênero; eu não poderia ignorar o fato que passara quase um ano sem pegar em matéria de vestibular e vinha de fracassos em um vestibular com cerca de dez por cento do número de concorrentes do atual.

Freqüentei um cursinho por dois meses para tentar revisar pelo menos parte da matéria. É curioso lembrar que eu era o único candidato de medicina na minha classe. Ninguém seria louco de achar que teria chance estudando por dois meses. Na verdade, eu também. Daí o improvável aconteceu, consegui passar na primeira fase; não podemos dizer que era grande coisa considerando o que ainda faltava. No cursinho, após a primeira fase, quando reuniram todas as salas de alunos concorrendo para medicina, eu tive que parar de freqüentar já no primeiro dia, pois não conseguia acompanhar o nível das aulas e dos colegas. Para se ter uma idéia, na primeira aula, não consegui sequer identificar de qual matéria o professor tratava. Fui para casa e não pisei mais no cursinho.

Realmente, não pisei mais lá. O passo seguinte foi a segundo fase, feita com a tranqüilidade de quem não tem menor chance de aprovação. Apesar de toda improbabilidade, quase impossibilidade, fui aprovado no vestibular de medicina mais concorrido do país!

Lembro-me de que, quando não fui aprovado no vestibular em Fortaleza, senti uma ponta de revolta. Havia desistido de meus planos para seguir os planos de Deus e Ele me virou as costas quando precisei dEle no vestibular. Hoje posso ver que, se não fiz faculdade em Fortaleza foi porque Ele havia reservado algo melhor do que eu poderia imaginar para mim.

Lembro também que quando prestei vestibular pela primeira vez, minha oração foi para que Deus me ajudasse a passar no vestibular; na última vez, pedi para que Ele decidisse o resultado, qualquer que fosse, mas que Ele decidisse. Mais importante que se preparar para passar na prova foi estar pronto para não passar caso Deus assim o desejasse.

Por vezes esquecemos a importância que tem o livre arbítrio. Pedimos que Deus nos ajude em nossa vida, mas a seguramos em nossas mãos querendo escolher nosso próprio destino. Ele não é um tirano, não vai tomar nosso destino de nossas mãos à força, temos que entregar nossa vida a Ele e deixarmos que cuide de nós com Seu infinito amor.

A figura e o exemplo de Jesus me vêm à mente. No Getsêmani, em Sua agonia, apesar de ter Ele todo o poder, abdicou de Sua própria vontade entregando Seu destino ao Pai. Não foi ao pedir alívio que Ele o conseguiu, mas foi ao despojar-Se de Si mesmo. O Pai, então, enviou Seu mensageiro para levar-lhe consolo. E é graças à Sua escolha que temos hoje um Redentor, conhecedor de nossas dores e inseguranças e capaz de nos socorrer sempre que permitirmos que Ele o faça.

Obrigado, Jesus. Obrigado, Pai.

Dr. Christian Ximenes



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Do Brasil para o Mundo

abril 25, 2009

Olimpíadas fazem parte do cotidiano de muitos jovens do ensino médio. Química, física, matemática e biologia são as que mais se destacam. Porém, a maior parte dessas olimpíadas ocorrem aos sábados. Como um adventista poderia fazer uma olimpíada dessas? Existe a possibilidade, porém, é complicado o aluno fazer a prova após o sábado. A mudança do dia da prova é algo que praticamente não pode ser feito.

O PortalJA entrevistou Walter Collyer Braga, adventista, terminou o ensino médio ano passado(2008). Walter desde sua sexta série(atual sétimo ano) teve contato com olimpíadas de química. O garoto muito inteligente, esforçado, nunca abandonou seus princípios religiosos, sobretudo a guarda do sábado.

Walter participou de várias olimpíadas estaduais, brasileiras, ibero-americana e em 2008 foi um dos quatro brasileiros selecionados a ir para a International Chemistry Olympiad (IchO) (Olimpíada Internacional de Química), na Hungria. Para garantir uma vaga na equipe os quatro estudantes percorreram longo caminho na Olimpíada Brasileira de Química, participaram de seletivas realizadas em seis fases, as três primeiras iniciadas em 2007 e as fases finais no primeiro semestre de 2008, uma delas avaliou conhecimentos de técnicas de laboratório. Os quinze estudantes mais bem colocados nessa série de avaliações se deslocaram para Teresina e, durante 15 dias, participaram de cursos e discussão com professores do Curso de Mestrado em Química da UFPI. Após essa etapa foram escolhidos os quatro representantes brasileiros na 40º IchO na Hungria. Hoje Walter, calouro do curso de Medicina na Universidade Federal do Ceará, sente-se com a consciência tranquila por nunca ter transgredido o quarto mandamento.

Como Walter conseguiu tudo isso? Vamos conhecer um pouco mais sobre seu relato.

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PortalJA: Você é adventista há quanto tempo?

Walter: Desde criança.

PortalJA: Como foi seu contato com as olímpiadas? Sempre gostou de química?

Walter: Foi na minha sexta série, por um clubinho de ciências, o qual nem tinha sido chamado pra saber. Nesse clube passavam aulas de química, eu não tinha nem sido chamado para fazer, falei com o coordenador e ele deixou eu fazer. No ano seguinte que começaram realmente as olimpíadas. Sempre gostei de química.

PortalJA: Como você conseguiu fazer a olimpíada pela primeira vez sem ser no sábado?

Walter:Foi a OCQ, ela seria num sábado e eu não tinha muitas esperanças para fazer, pois era no sábado e as organizadoras era muito rígida. Eu falei com o coordenador, e ele me perguntou como eu tinha ido em outra olimpíada, eu disse que não tinha passado, e o coordenador de uma cara de desanimo. Mas, mesmo assim ele falou que ia me escrever na cearense e caso eu quisesse fazer no sábado eu ia. Eu deixei em aberto e perguntei se existiria como mudar o dia da prova ou ooutro jeito que eu podesse. E o coordenador disse que iria perguntar a coordenadora. A partir desses dia, todos os dias eu ia perguntar o coordenador se ele tinha conseguido falar com a coordenadora. Até que numa quarta-feira antes da prova do sábado, ele falou comigo que eu e mais três adventistas iriam realizar a prova, só que depois dos por do sol.

Teve até uma coordenadora que ficou com muita raiva, mas como a coordenadora chefe disse que poderiamos fazer, então, nós fizemos a prova. Porem ela tinha dito que no outro ano nos não poderíamos fazer. Nessa prova eu fiz, e tirei primeiro lugar, graças a Deus.

PortalJA: Ao seus colegas observarem que você não fazia a prova com eles, o que eles disseram?

Walter: Eles brincavam muito com a minha cara. Porém entendiam. Alguns até falavam que iam virar adventista também, brincando.

PortalJA:Em algum desses momentos você pensou em desistir de guardar o sábado?

Walter: Não. Eu pensava numa olimpíada futura (internacional ou ibero) o que os outros pensariam de mim se eu não fizesse a prova no sábado. Eu vi que não valeria a pena deixar de guardar o sábado por causa de uma prova, mesmo ela sendo bem importante e bem significante.

PortalJA: Teve algum professor seu que te desestimulou ao saber que você era um sabatista?

Walter: Não. Todos eles ficavam surpresos e apreensivos por cada olimpíada que aconteceria em um sábado, porém graças a Deus eu me dava bem.

PortalJA: Você se sentiu desestimulado?

Walter: Não. Sempre tive esperanças que sempre iria conseguir fazer todas as olimpíadas e que iria dar certo. Era aí que eu estudava mais para provar para os outros que eu era capaz.

PortalJA: Ao fazer a Ibero Americana a prova também iria cair em um sábado. Você como sabemos, não iria fazer essa prova. O que você fez para reverter a situação?

Walter: Nós estávamos na UFC assistindo aula e eu não sabia quando iria acontecer a prova. Eu comecei a procurar o site da olimpíada na internet, e a primeira coisa que eu ia ver foi a data. Essas olimpíadas internacionais sempre possuem uma prova pratica e outra teoria, em dias alternados. E eu mandei logo um e-mail para o coordenador dizendo que se a prova fosse no sábado eu não iria, ele me respondeu e dizendo que seria quase impossível eu fazer, pois os horários eram muito rígidos, mas ele iria fazer o possível.Segundo o coordenador, nunca tinha acontecido esse fato com ele. Passou um tempo e ele pediu para que eu fizesse uma carta explicando os meus princípios e enviar para a coordenadora geral da olimpíada.Essa carta iria para todos os coordenadores dos países. E cada coordenador desses iria dar sua opinião, no final a coordenadora geral aceitou que eu fizesse a prova.

Porém nessa olimpíada uma iria cair na sexta(prova prática) e a outra no sábado. Houve até um fato interessante que nesse dia na Costa Rica houve uns furacoes que destruíram as estradas e eu e os outros estudantes ficamos presos no hotel. Nos começamos a fazer a prova as 14h e terminaria às 18h. Eu corri e terminei a prova antes do por do sol.

PortalJA: Em algum desses momentos você pôde falar do amor de Deus pra ele?

Walter: Às vezes algum professor achava besteira em relação ao sábado, mas que respeitava. Mas eu sempre achei que era importante e que era princípios, e fazendo isso eu estaria provando que tenho respeito e amor a Deus.

PortalJA: Ao ir pra Mundial de Química, em algum momento você teve que não guardar o sábado?

Walter:Não. A olimpíada durou 11 dias, mas as provas foram realizadas numa terça e numa quinta, pela manhã.

PortalJA: Após ter tido todos esses resultados, como se sente? Missão cumprida?

Walter: Sim sim… Pra quem começou brigando por fazer uma olimpíada e chegar a uma internacional para mim foi muito bom. Eu cheguei até a fazer provas e terminar meia noite e meia…E chegar em uma mundial e ganhar uma medalha, para mim foi trabalho cumprido.

PortalJA: E o que voce acha do futuro das olimpíadas e provas que ocorrem aos sábados?

Walter: Esse ano já houve a reunião da Cearense e já foi barrado, nenhum adventista pode fazer, a menos que façam no sábado. Mas em relação à brasileira, ainda está sendo respeitado. E na Ibero houve uma reunião para nunca mais ter provas aos sábados.

PortalJA: Qual mensagem voce diria para os que estão lendo essa entrevista?

Walter: Que sempre guardem o sábado. O sábado não cause empecilho a ninguém. Há como você conciliar, e mesmo que tenha aulas aos sábados, não vá, pois dá pra ter seu estudo integro sem falhas e alcançar seu objetivo de uma universidade ou de uma olimpíada, ou algo do tipo.

PortalJA : Quantas medalhas?

Walter: 13 medalhas

– Cearenses

2 ouros, 1 prata e um bronze.

-Brasileiras

Uma prata e dois ouros.

-Norte/Nordeste

Um bronze, duas pratas.

-Maratonas Cearenses

Um ouro.

-Ibero-Americana

Prata.

-Internacional

Bronze.

Delegação Brasileira na Hungria - Walter, o terceiro de cima da esquerda pra direita.

Delegação Brasileira na Hungria - Walter, o terceiro de cima da esquerda pra direita.