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Hollywood, Will Smith e o fim do mundo

janeiro 29, 2008
                                    Hollywood já tentou destruir nosso planeta um sem número de vezes. Em pelo menos cinco delas, Will Smith foi chamado para evitar o pior (vide Independence Day, Homens de Preto I e II, e Eu, Robô, por exemplo). A ultima aventura do ator negro mais bem sucedido do mundo foi bastante solitária. Em Eu Sou a Lenda (I Am Legend, EUA, 2008), Smith interage a maior parte do filme apenas com uma cadela pastor alemão chamada Samantha.

O longa é uma adaptação competente do livro homônimo de Richard Matherson, considerado um clássico da ficção científica.

Nele, o vírus do sarampo é manipulado para fornecer a cura do câncer, mas sofre uma mutação e provoca uma doença nos humanos e animais infectados, apresentando sintomas semelhantes aos da raiva, só que bem mais graves. As pessoas perdem suas feições humanas e se tornam animais selvagens.

O tal vírus e suas conseqüências fazem com que a população da terra seja quase toda dizimada, restando apenas o Will Smith, a brasileira Alice Braga e mais um punhado de pessoas.

 

Smith interpreta o doutor Robert Neville, um cientista que pesquisava a cura para a doença causada pelo vírus antes que ele se alastrasse pelo planeta.

Não pretendo entrar nos méritos e desméritos técnicos do longa, porém, alguns detalhes me chamaram a atenção.

Filmes-catástrofe sempre renderam alta bilheteria. Parece que os espectadores possuem um prazer infindável em ver seus pares sendo quase que extintos e seu planeta agonizando, seja nas mãos de E.T.’s, seja pela fúria da natureza ou pela ação destruidora do homem.

Em parte, isso se deve menos a um gosto pela desgraça e mais a uma necessidade de ver como seria uma mudança brusca no nosso mundo, o que se torna não somente possível, mas inevitável, nos filmes catástrofe. A insatisfação das pessoas como o mundo tal como se encontra termina por levá-las ao cinema para ver o que aconteceria se este planeta fosse (quase) destruído e as pessoas começassem do ponto zero a refazer suas vidas.

Curiosamente o que elas querem ver destruído são apenas prédios, governos, cidades e seres humanos e não as estruturas culturais decadentes que regem nossa sociedade.

A mudança, neste tipo de filme, ocorre no ambiente, não nas pessoas.

Outro ponto trazido à discussão em Eu Sou a Lenda é a interminável capacidade humana de provocar a destruição em maior ou menor escala. Enquanto o homem brinca de Deus, a natureza reage para devolvê-lo à sua condição de mero mortal e avisá-lo que a humanidade não tem a inteligência e a sabedoria necessária para avançar em certos aspectos. Estas informações são latentes em filmes como The Day After, clássico do pós-guerra que mostra o que aconteceria se a Terra fosse envolvida num conflito nuclear. Porém, após o 11 de setembro, os filmes-catástrofe se tornaram mais pessimistas e focaram uma nova ameaça. Se, antes dos ataques terroristas, o problema era com guerras e invasões alienígenas (vide o arrasa-quarteirão Independence Day, protagonizado também por Will Smith), depois do evento o inimigo tornou-se o próprio homem, ou as conseqüências de seus atos (como visto em O dia Depois de Amanhã e Filhos da Esperança, por exemplo). O fato é que, todas as vezes que o ser humano invade o campo de atuação do Criador, seus atos se voltam contra ele.

Por fim, ficamos ainda com uma frase intrigante, vista logo no início de Eu Sou a Lenda:Deus ainda nos ama. Nós ainda amamos a Deus?”

Os mais incautos podem achar se tratar de uma mensagem subliminar (esqueça isso) ou mesmo descartar o out-door como algo sem importância. Porém, lá pelo meio do filme, fica claro o sentido dado à pergunta: Dr. Neville tenta esclarecer as dúvidas de Anna (Personagem de Alice Braga) com a seguinte máxima: “Não foi Deus quem fez isso, Anna. Fomos nós.” Poderia ser uma simples frase não fosse pelo fato de que Neville perdeu sua fé em Deus depois de ter visto a tragédia que assolou o planeta. Mais tarde, contudo, ele será forçado a admitir que Deus esteve ali o tempo todo mandando sinais. Os homens é que preferiram ignorar.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Não se trata de um filme pedagógico (como se poderia dizer do brilhante SINAIS, do qual falaremos em breve). No final das contas Eu Sou a Lenda é simplesmente um filme-pipoca, nada mais. Assim, não saia por aí dizendo que estou recomendando o filme. Você dispõe de elementos suficientes nos posts anteriores para decidir por si mesmo se deve ou não assisti-lo.

Porém, qualquer que seja sua decisão, se você não for um alienígena visitando nosso planeta, certamente vai ouvir falar de Eu Sou a Lenda e talvez se depare com as questões que ele suscita. Assim, eis alguns fatos do ponto de vista cristão sobre o assunto: sim, o homem tem uma imensa capacidade para provocar a destruição quando se afasta dos princípios divinos; não, não temos tanta capacidade de nos reerguermos das cinzas que nós mesmos criamos. Muitas vezes precisamos de um herói que nos salve. Pense duas vezes antes de buscar este herói na figura de um outro ser humano, você poderá estar cometendo o mesmo erro.

Por último, Deus nos ama. Ele jamais nos entregará à nossa própria sorte por mais tempo do que o necessário. Ele jamais permitirá que soframos sem um propósito e Ele é o único herói capaz de nos salvar, verdadeiramente, da nossa própria miséria, e não mudar somente concreto e paisagem.

Abração.

Ângelo Bernardes

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