Archive for the ‘Cinema’ Category

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É o fim do mundo….. de novo

janeiro 8, 2010

Se há algo comum em todas as crenças, isto é o fim do mundo. Todas crêem que em algum momento o planeta onde vivemos, ou ao menos o nosso modo de vida, chegará ao seu ocaso. As formas como este processo se dará são completamente diferentes – e às vezes paradoxais – dependendo do credo, mas todos nós compartilhamos da consciência de que nossa raça não estará aqui pra sempre.

Nenhuma outra indústria captou isso tão bem como Hollywood. Desde os primórdios da cinematografia que estúdios de cinema investem em vender filmes aproveitando-se do medo e do fascínio que o fim do mundo causa. De Steven Spielberg (Impacto Profundo, Guerra dos Mundos) a Alex Proyas (Presságio, Eu, Robô) muitos diretores já enveredaram por este tema e embolsaram seus dólares com o resultado da audiência.

Porém, podemos dizer sem perigo de sermos injustos que o maior ícone pop do cinema do fim do mundo é o alemão Roland Emmerich. Seus três filmes mais importantes, todos arrasa-quarteirões de bilheteria, falavam do fim do mundo, cada um abordando uma causa diferente. O primeiro, Independence Day, tratava de uma invasão alienígena. O segundo, O Dia Depois de Amanhã, mostrava as conseqüência da degradação ambiental infligida pelos humanos ao planeta. Agora, seu ultimo e mais audacioso projeto, ainda em cartaz, mostra de uma hecatombe tendo profecias apocalípticas como pano de fundo. Estou falando de 2012 (2012, EUA, 2009).

Pausa para um outro assunto: não importa o quanto a ciência avance, não importa o quanto lendas e mais lendas sejam desmascaradas, não importa o quanto tenhamos acesso quase irrestrito a todo tipo de informação, não importa que estejamos em pleno século 21, uma coisa parece não mudar nunca: sempre teremos pessoas dispostas a acreditar nos maiores absurdos propagados e nas mais malucas teorias.

Lembro-me muito bem, na época do plebiscito para consultar a população sobre a possibilidade de mudança do sistema governamental brasileiro, quando se espalhou no colégio em que eu estudava a teoria de que se a monarquia voltasse a ser o sistema de governo no Brasil, os cristãos voltariam a ser perseguidos e então viria o fim. Eu era uma criança quando esta notícia veio à tona e lembro de ter ficado muito assustado, principalmente porque meu pai estava defendendo a monarquia numa simulação de debate feita no auditório do colégio.

Em tempos mais recentes, Dan Brown (O Código Da Vinci) misturou fatos e ficção de forma tão convincente que muitos cristãos devotos começaram a se perguntar se Jesus Cristo não teria talvez casado com Maria Madalena. Na ocasião, pastores adventistas, dentre eles Rodrigo Silva, se viram obrigados a fazer uma série de palestras mostrando “por A + B” que tudo não se tratava de inventividade inútil da indústria do entretenimento.

Eu queria acreditar que “gato escaldado tem medo de água fria”, mas parece que não. 2012 provocou uma nova onda de dúvidas e questionamentos e a IASD já se antecipou a ela criando o site www.ofimdomundo.com.br (visite, é muito legal descontados os exageros), porém, o que assusta é que 2012 não chega aos pés das pretensões de O Código Da Vinci.

Antes de mais nada, 2012 é um filme divertidíssimo. Em segundo lugar…..bom…..não existe “em segundo lugar”. O filme não tem mais nada além de diversão. Não é inteligente, não é verossímil, não é genial, é somente isto: divertido, e pronto.

A história se baseia na profecia maia de que o mundo acabaria em 2012. Na película, um cientista descobriu mudanças na temperatura da crosta terrestre que causariam uma catástrofe em nível planetário. Aqui cabem algumas observações a este respeito:

1 – embora a catástrofe aconteça realmente no ano de 2012, o filme não especifica data (o calendário maia destaca o fim do mundo para o dia 21 de dezembro daquele ano), o que enfraquece a teoria de que Emmerich estaria pregando a doutrina Maia.

2 – Emmerich não quis fazer um filme sobre a doutrina maia do fim do mundo. Ele queria apenas um filme de apocalipse em que ele pudesse fazer os efeitos especiais mais ambiciosos de sua carreira. O calendário Maia era apenas o argumento dramático, a desculpa pra causar frisson, enfim, propaganda. Tanto que os maias são citados pouquíssimas vezes no filme e de maneira muito vaga.

3 – além dos maias, o filme faz menção a outras fontes que previram o fim do mundo como a bíblia, Nostradamus, etc. Mais uma vez o objetivo não era causar uma confusão doutrinária e sim simplesmente despertar uma identificação com o argumento do filme em mais pessoas do que simplesmente aquelas que acreditam na contagem do povo maia.

Como se não bastasse, todos os clichês dos filmes de Emmerich estão lá:o cachorro que se salva no último minuto, os monumentos mundiais (dentre eles o Cristo redentor) que são destruídos, os líderes mundiais inescrupulosos e um sem-número de piadas impagáveis.

Nada se pode levar à sério em 2012. É apenas entretenimento simples, passa-tempo vazio (e não perca muito tempo com esse tipo de entretenimento). Não se deve dar importância a itens como este, nem para dizer que eles têm algo de útil a ensinar (a não ser por analogia, metáfora e com o uso de muita criatividade e bom senso), nem para dizer que eles, por si sós, têm algum poder ou intenção destrutiva (da cultura, do bom senso, da intelectualidade ou da espiritualidade).

É claro que o mau uso do filme ou mesmo a dedicação em excesso a assistir filmes como este sempre poderá trazer prejuízo a quem quer que seja, mas achar que há algo mais do que um blockbuster em 2012 é tão prejudicial quanto encher a mente de diversão vazia.

É como dito em Oséias 4:6: “o meu povo peca por falta de conhecimento”. Desde então, faço minhas as palavras do Pastor Rodrigo Silva em uma de suas palestras sobre o Código Da Vinci: “Se aparecer outro livro ou filme questionando os conceitos bíblicos sem nenhuma propriedade e vocês derem crédito, a responsabilidade não é mais minha.”

Abração,

Ângelo Bernardes

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Bate-papo sobre Crepúsculo

junho 8, 2009

crepusculofilme

Quando J. K. Rolling anunciou que iria escrever o último volume de sua série de livros sobre o bruxinho Harry Potter, boa parte dos pais cristãos respirou aliviada. Parecia que a indústria iria dar uma trégua no que consideram a “deseducação” de seus filhos. Bem, o alívio durou pouco. No final de 2008 chegou aos cinemas a adaptação do romance adolescente Crepúsculo (Twilight, EUA), escrito pela americana Stephenie Meyer e novamente começou o frisson em torno de um novo fenômeno teen. Os filhos desesperados para ter acesso ao filme e aos livros e os pais desesperados por achar razões que convencessem seus filhos a não verem o material.

Incentivado por um amigo pastor eu decidi assistir o filme e tentar compor um texto opinativo sobre o longa. Minha primeira e grande preocupação foi ser “completamente e irrevogavelmente” honesto com a opinião que iria expressar. Assim, decidi ir até a locadora dividido em dois. Metade de mim locou o DVD com a esperança de não achar absolutamente nada prejudicial na película e assim poder escrever que meus amigos adolescentes poderiam virar fãs da série sem nenhuma preocupação. Mas a outra metade começou a assistir o filme com a desconfiança de uma serpente que examina sua presa. Concluí que somente assim poderia ser completamente honesto com meu público alvo.

Ao contrário do que a mídia vem propagando, já no início do filme, percebe-se que a embalagem de Crepúsculo vai de encontro com o que se espera de um filme dedicado a adolescentes. As imagens são pálidas, em tons azuis, cinzas, pretos e brancos. O filme não começa com uma cena de ação e a música inicial tem melodia irregular. A narrativa é conduzida em primeira pessoa pela protagonista: Isabella Swan. Ela compartilha conosco seus pensamentos e impressões sobre os fatos a que é submetida.

Bella, como é chamada, é uma adolescente de 17 anos que se muda para uma cidadezinha chamada Forks. Lá, ela é apresentada a um mundo pequeno, sem opções de diversão onde todos se conhecem. Os problemas de Bella começam aí. Ela é uma personagem que faz o tipo desajustada, que não gosta de ser notada e tem gostos diferentes dos outros adolescentes. Bella segue apática e sem entusiasmo com sua nova escola até que conhece um grupo familiar: os Cullens. Eles são pálidos, sempre andam juntos, não são vistos muito durante o dia e não fazem amigos fora do ciclo da família. É o suficiente para despertar a curiosidade de Bella, que, por coincidência é escolhida para ser parceira de laboratório de Edward Cullen. Daí não tarda muito até que Bella fique desconfiada da força e rapidez incomum que Edward demonstra ter e termine descobrindo que ele e toda a sua família são vampiros. Tarde demais. Ela está completamente e irrevogavelmente (conforme ela mesmo admite no longa) apaixonada por Edward.

O filme segue lento e melancólico até a metade quando começa a ser animado com cenas de ação e suspense habilmente engrandecidas pelas belas paisagens das locações externas e pela técnica de filmagem que começa do plano distante e vai se aproximando do objeto principal da cena. Tudo isto apimentado pela paixão impossível entre a humana e o vampiro.

É sobre este romance que se sustenta todo o enredo e é por causa dele que Crepúsculo consegue conquistar sua platéia.

Edward é um vampiro. Seu instinto é matar Bella para alimentar-se de seu sangue. Porém ele opta por não seguir seus instintos, utilizando-se da força de vontade, por amor a namorada. Bella e Edward vivem no limiar entre o perigo e a paixão.

É aqui que reside nosso problema. Porém, a maior parte dos pais continua condenando o filme por um motivo que talvez esteja equivocado: o vampirismo.

A paixão hollywoodiana pelas produções com vampiros desperta uma idéia de que estes seres são criações de inspiração satânica usadas para seduzir o público e encher suas cabeças com conteúdo maldito.

Porém, o vampirismo é mais antigo do que se cogita. Ele aparece na mitologia de diversas regiões da Europa. A associação com o sangue somente veio em 1476, quando o então Principe Vlad III, famoso pela sua crueldade, foi imortalizado nas páginas do romance Drácula.

Vampiros, dentro da mitologia, sempre foram usados para representar o mal que ao mesmo tempo seduz e mata. Nunca se cogitou que vampiros fossem reais nem muito menos que a abordagem destes personagens tivesse algum tipo de poder sobrenatural sobre seu público. Existe um sem número de contos de horror clássicos e não se tem notícias de que seus autores tenham qualquer tipo de contato premeditado e consciente com o verdadeiro Satanás. Personagens com índole má em qualquer tipo de literatura, inclusive a cristã, são o que são: personagens que pregam e vivem o mal na sua essência. Não se poderia esperar que agissem de outra forma que não praticando a maldade. O fato de um autor resolver incluir um personagem com esta definição em sua obra não significa necessariamente que sua obra tenha uma intenção reprovável.

Em Crepúsculo, esta observação merece ainda mais ressalvas. Mayer não teve a menor intenção de fazer um romance sobre vampiros. E Crepúsculo não é um filme sobre vampiros. É antes de mais nada uma história de amor impossível. É um vampiro, mas poderia ser um E.T., um gnomo, um feiticeiro, um lobisomem, um simpatizante do Talibã.

Vampiros não são o objeto do romance de Mayer, eles são o seu argumento. E Meyer não exita em desconfigurar completamente a noção clássica de vampiro: os Cullens não viram morcegos, podem se alimentar de sangue animal, não têm medo da luz, brilham quando expostos ao sol, não são necessariamente perversos, não têm medo de alho, estacas, cruzes ou coisas do tipo, não voam e não dormem em catacumbas ou cemitérios.

Obviamente, por ser vampiro, a índole de Edward e do resto de sua família é má. Porém, nenhum deles optou por virar vampiro e todos lutam com sucesso comprovado contra sua índole e a mantém sob constante disciplina. Qualquer comparação com nossa condição de pecado não é mera coincidência. Esta postura é bem definida numa das frases de Edward: Eu me recuso a me tornar um monstro. Dizer que um filme é do diabo porque mostra um vampiro como protagonista é uma ingenuidade tanto quanto dizer que a Crepúsculo promove a virgindade entre adolescentes.

Alguns críticos gostam de se referir a este detalhe para explicar que o filme há de agradar aos pais mais conservadores e pode ensinar bons princípios aos filhos. Bobagem. Crepúsculo nunca pretendeu ser um filme didático sobre usar a razão além da emoção ou sobre fazer a escolha certa. Ele é essencialmente um filme sobre flertar com o perigo. Eis aqui a importância do narrador/personagem. Se o filme fosse visto da perspectiva de Edward, talvez o controle dos instintos pela consciência fosse um argumento plausível. Mas o filme é contado do ponto de vista de Bella, e para ela, não se entregar a Edward é uma questão de falta de opção, não de racionalidade.

Para Bella, o que interessa é este sentimento arrebatador que a possui desde o primeiro momento em que vê Edward. É este sentimento que lhe dá sabor à nova vida em Forks. É a constante sensação de perigo que apimenta sua relação e faz com que ela se apaixone mais e mais. Bella não se interessa em não sucumbir aos instintos que unem os dois. Dá provas disso nos beijos que troca com Edward em seu quarto. Bella, inclusive está disposta a se tornar um monstro – a essência do mal – para viver sua grande paixão.

Seu posicionamento no filme é o mesmo demonstrado por Eva no Éden, quando preferiu se envolver com o fruto proibido ignorando o conselho de Deus de não se aproximar da árvore do conhecimento do bem e do mal. O problema é que o tipo de narrativa de Meyer torna este comportamento aceitável, desejado e até tentador.

Este, e não vampiros, é o grande motivo pelo qual o filme arrebata o público adolescente com tanta força: o que é a adolescência senão um flerte com o perigo?

Aos meus amigos adolescentes: você não aprende através de conceitos abstratos e intangíveis. Você aprende principalmente através de sensações e é quase cem por cento certo que você se identificará com as sensações experimentadas pelos personagens e, mais extensivamente com o ponto de vista de Bella, e mais extensivamente ainda com os conceitos abstratos e intangíveis imbutidos no flerte de Bella e Edward. Meu medo é que estes conceitos atuem diretamente na sua percepção dos princípios, justamente porque princípios são isso: leis abstratas e intangíveis que com uma força incrível comandam nossas ações mais concretas e palpáveis.

Assim, não seria nenhum absurdo pedir a você cuidado com um tipo de produção que se utiliza de efeitos, imagens, cores e sensações para te passar conceitos. Afinal, se você ama a Deus, um flerte com o pecado seria a ultima coisa que você iria querer, não?

Contribuição: Ângelo Bernardes

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Cinco razões porque não vou ao cinema

fevereiro 8, 2008

Me chamo Vinicius A. Miranda tenho 22 anos e fui convidado pelo Franzé Jr. para postar alguns artigos aqui no Ação JA. Também sou colunista do IASD em Foco.

Ajudo a cuidar de alguns sites, mandando materiais, etc, sendo eles a Central de Diretores J.A., Portal J.A. e Tinguiteen. Sou Lider J.A. investido e medalha de dedicação. Freqüento a IASD Tingui em Curitiba – PR.

Como um adventista que nasceu na igreja, vejo estampado no rosto dos nossos jovens hoje,o mesmo drama e conflito que vivi. É pecado ir ao cinema ou não? A igreja parece impotente para dar respostas convincentes, e os nossos jovens exigem uma que esteja escrita na Bíblia ou no Espírito de Profecia. No tempo de Ellen White não havia cinema, mas havia teatro e ela foi claramente contra.

A igreja, no intuito de preservar os nossos jovens da influência do mundanismo, estabeleceu o estigma de que ir ao cinema é pecado. O cinema em si pode não ser ruim, contudo, a tradição religiosa da igreja diz que isso é pecado (tanto no Brasil, como nos Estados Unidos, para minha surpresa). Na realidade, o motivo da proibição , era impedir os nossos jovens de assistir aos filmes, e não de ir ao cinema em si. Com o advento do viodeocassete, a igreja foi traída pela sua proibição, e agora todo mundo assiste em casa, e a polêmica definitivamente se estabeleceu. Ir ou não ir? Pode ou não pode? Em primeiro lugar, temos que lembrar que para a pessoa que está realmente determinada a ir ao cinema, nada vai convencê-la do contrário.

Contudo, as cinco razões que apresento aqui pode ajudar aqueles que são sinceros, e que, na dúvida, estão orando a Deus, querendo fazer a Sua vontade.

A Primeira Razão: Vou usar como primeiro argumento aquilo que muitos jovens acham elementar. Se hoje você vai ao cinema e alguém o vê indo, essa pessoa pode ficar escandalizada, e isso é pecado.

Se o seu comportamento escandaliza o seu irmão, o princípio é claro ao dizer que é melhor não fazer. A Bíblia fala fortemente sobre esse princípio em I Coríntios 8. Paulo fala que alguns, não tendo conhecimento profundo da verdade, têm uma consciência fraca. No verso 9, Paulo estabelece o princípio quando diz: “vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos.” Em I Coríntios 10:23 3 32, Paulo diz que “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm”. “não vos torneis causa de tropeço…para a igreja de Deus.

” E o que mais me impressiona é a declaração do capítulo 8:12 quando Paulo diz: “E deste modo (referindo-se ao pecado do escândalo), pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais.” Se ao ir ao cinema, escandalizo a minha igreja ou o meu irmão, estou pecando contra Cristo, diz a Bíblia.

Segunda Razão: Um princípio elementar, mas que não deixa de ser uma razão, é que ali é a “roda dos escarnecedores”. Bem, você pode dizer que a “roda dos escarnecedores” está em todo lugar, no metrô, no ônibus, etc.

Contudo, a “roda dos escarnecedores” do cinema é específica. O grupo que ali está, não está por uma necessidade, mas porque querem ir espontaneamente para satisfazer a si próprios e entreter o seu ego. Vão lá porque gostam e querem assistir ao filme, mas existe algo mais que o filme: como o ambiente, o escurinho, o silêncio, o som e o tamanho da tela. Tudo isso é planejado de uma maneira, não para fazer você assistir ao filme, mas para você entrar no filme.

Concordo com o salmista no Salmo 1:1, quando ele diz: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Creio que o cinema é uma roda específica de escarnecedores, que estão buscando um tipo de prazer que só lá dentro alcançarão.

Será que ao ir ao cinema não estou me detendo no caminho dos pecadores?

Terceira Razão: A escuridão do ambiente afeta tremendamente o ouvinte. Engraçado é que ninguém percebe e acha normal. E é aí que a gente vê como o diabo é sutil. O ambiente escuro é para ninguém ver ninguém, e para tentar colocar na sua cabeça que aquela imagem é uma realidade só sua, feita para você; ainda que seja só naquele momento. Seu subconsciente consegue captar mensagens que podem afetar profundamente sua maneira de ver, pensar e agir, baseado em imagens que muitas vezes nem sequer fazem parte do nosso mundo real. normalmente, não gostamos da escuridão. Temos medo.

E tão logo entramos em um ambiente escuro, procuramos uma luz para acender. Entretanto, no cinema, as trevas têm por objetivo captar a sua mente, levando você a uma fantasia que não é a sua realidade. Pode parecer que não, mas ver o filme no escuro do cinema, e ver no claro na sala de estar da sua casa, faz uma grande diferença quanto à influência que você recebe. E às vezes, essa influência é involuntária, você nem a percebe, mas ela está lá. Ao escrever esta declaração, não estou defendendo a liberação de qualquer filme em casa, mas tentando mostrar que, definitivamente, o cinema não é um lugar para cristãos.

Quarta Razão: O tamanho da tela gera uma imagem muito realística, que associada com o escuro, exerce um poder fascinante, transportando você da sua realidade para dentro de um mundo imaginário no filme. Como todo mundo nesta vida de pecado tem sonhos, os filmes não são outra coisa senão os sonhos dos seres humanos se tornando realidade. Daí porque o mundo está fascinado com Hollywood. Jamais a tela de um televisor, por maior que seja, vai exercer sobre você um poder tão fascinante como dentro do cinema. Se fizermos uma pesquisa com duas pessoas, sendo que uma assiste a dez filmes em casa, e depois dermos um questionário para elas responderem, buscando ver o efeito dos filmes no subconsciente, compreenderemos o poder do cinema, e por que a igreja está certa em dizer que ele é pecado.

Quinta Razão: O último motivo pelo qual o cristão não deve ir ao cinema é simples. Eu até diria elementar, mas de uma sabedoria fantástica: “Na dúvida, não ultrapasse.” Por que correr o risco, se o assunto é polêmico? Será que Jesus entraria com você no cinema? A mesma pergunta pode ser feita quanto à escolha que você faz dos seus filmes. Será que ele sentaria com você na poltrona da sua casa e assistiria aos filmes que você está assistindo? acho que, na dúvida, não é bom ultrapassar. Que sabe esse último princípio, ainda que simples, possa salvar jovens que ainda não têm fé suficiente para compreender os quatro princípios anteriores.

Talvez você não esteja convencido de que não deve ir, mas se a dúvida está no seu coração, é mais seguro não ir. Para aqueles que não têm dúvida, e que se sentem confortáveis em ir, achando que não há nada de mais, eu diria que a sua consciência não é um guia seguro. Você pode até estar sendo sincero no que faz, mas se caminhar na direção errada, perderá o jogo da vida eterna.

Uma coisa que devemos nos lembrar, é que antes de ser aceito como membro da igreja, é feito uma entrevista com o candidato ao batismo, e nela se pergunta “há quanto tempo você não freqüenta: Teatros, bailes, CINEMAS, etc”, e após essa entrevista, o candidato assina, assumindo a responsabilidade que deixou as praticas para trás. Porque após sermos batizados ainda nos restam duvidas? Se quando aceitamos a Jesus declaramos que não faremos mais as coisas que fazíamos antes!

Certa vez, li uma história em que a Coca-Cola resolveu fazer um teste de marketing para testar o poder da imagem sobre o subconsciente das pessoas. Na produção de um filme para o cinema, eles incluíram várias vezes, no meio da projeção, rápidas imagens de uma garrafa de Coca-Cola . Os flashes eram rápidos como um relâmpago e, embora as pessoas vissem aquele rápido flash na tela, elas não conseguiam identificar a imagem. Na saída do cinema, eles colocaram bancas de Coca-Cola para vender e, à porta ,eles perguntavam às pessoas se elas podiam dizer o que viram na imagem dos flashes.

Ninguém conseguiu dizer o que tinha visto na imagem, mas todos perceberam o flash rápido. Apesar de não terem notado a imagem da garrafa de Coca-Cola, 70% daqueles que assistiram ao filme, compraram uma garrafa de Coca-Cola para beber, na saída do cinema. Os outros 30% não compraram, mas confessaram que estavam com vontade de beber. Essa experiência mostra que o poder do subconsciente de captar as imagens é muito grande. Somos afetados sem perceber, e aí reside o perigo.

Em minha opinião, a igreja está certa quanto a não ir ao cinema. Se bem que também devemos cuidar muito com o que assistimos em casa. Hollywood está determinando o comportamento da sociedade moderna e criando filmes que, em lugar de entreter as pessoas, as levam a ficarem insatisfeitas com a sua vida, porque elas vêem nos filmes um mundo de sonhos e cores. A comparação é uma arma de Satanás para nos conduzir ao pecado. Ele fez isso no Éden, tentando comparar o homem a Deus.

E hoje ele usa os meios mais sofisticados para levá-lo a comparar a realidade da sua vida com a imagem fantasiosa dos filmes. Se a sociedade pudesse imaginar o que existe por trás dessas produções, e como se situa o mundo artístico, talvez nem assistisse aos filmes que por eles são produzidos. O critério para provar se um filme é bom ou não?

Faça a pergunta: Poderia Jesus assistir comigo? Sim ou não? Lembre-se de que lá no Céu não existe o mundo imaginário dos filmes e das superproduções. Lá, sim, nos encontraremos com a verdadeira realidade dos nossos sonhos, e a tela, seja do cinema ou da TV, já não terá mais poder sobre nós, e nem existirá, porque Aquele que é real, nos transformará para as realidades eternas.

Vinicius A. Miranda

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And the oscar goes to…

fevereiro 8, 2008

O Ministério da Justiça usa o critério de faixa etária para classificar os filmes postos em exibição nos cinemas e/ou vendidos em DVD. Além da classificação por idade, você poderá encontrar a descrição resumida das cenas que levam o filme a ser taxado como “Classificação Livre” ou “Inapropriado” para esta ou aquela idade.

Dentre as expressões mais utilizadas, destacamos duas: “temática com impropriedade” e “desvirtuação de valores”.

O primeiro termo se refere a quando um filme trata de um certo assunto sem veicular informações suficientes para a sua correta compreensão, ou veiculando informações distorcidas. Trata-se de um erro de informação.

Já o segundo termo diz respeito a uma inversão de conceitos morais e éticos tratando os conceitos inaceitáveis como aceitáveis e os aceitáveis como se fossem indesejados. Trata-se de um erro de juízo de valor.

Na verdade, os dois critérios se completam. Do ponto de vista deste simplório colunista (de araque), todas as vezes que há uma desvirtuação de valores, há necessariamente a exposição de uma temática com impropriedade (muito embora não possamos dizer que o oposto também seja uma regra).

Dito isto, foi com um misto de esperança e desconfiança que recebi a lista de indicados a melhor filme na premiação do OSCAR 2008. Antes de explicar porque, vou apresentar a você os concorrentes:

Conduta de Risco – Filme sobre um advogado que surta ao se deparar com um complexo caso da firma de advocacia para a qual trabalha.
Onde os Fracos Não Têm Vez – Filme western sobre um homem que se vê perseguido por roubar o dinheiro de um traficante
Sangue Negro – Épico sobre um homem que põe seus conceitos e sua família a prova quando encontra na exploração de petróleo um caminho curto par a riqueza.
Desejo e Reparação – Drama sobre os acontecimentos que acometeram uma família no cenário da segunda guerra.
Juno  – Comédia romântica independente sobre uma adolescente que se vê grávida de um colega de escola.

Em 2006, a academia premiou um filme complexo, difícil de se digerir: Crash – No Limite, um inteligente apanhado das várias faces do pré-conceito e de como elas se conectam. Porem, em 2006 foi a vez do diretor Martin Scorsese levar a estatueta pelo seu Os Infiltrados, um filme tido pela crítica como “uma análise social do gangsterismo”, que, no fim das contas segue mesmo a linha da estilização da violência (vide 300) e da celebração da perversidade (destaque para as cenas de tiros e sangue em câmera lenta ao som dos Rolling Stones).

Assim, quando vi a lista acima, fiquei na dúvida: iria o OSCAR premiar novamente cineastas que utilizam o primor técnico para sobressair o pior do comportamento humano? Ou seríamos poupados das análises sociais coreografadas, ritimizadas e musicalizadas da “violência-pop” em privilégio de filmes com maior conteúdo dramático? Traduzindo, teríamos que agüentar todo mundo correndo pra locadora pra assistir Onde os Fracos Não Têm Vez? Ou poderemos sorrir com resignação quando algum frustrado protestar: “Como é que premiam com a estatueta de melhor filme um filme como Conduta de Risco”?

Mas o problema não para por aí. Mesmo que tenhamos filmes premiados na linha de Conduta…, Desejo e Reparação ou Juno, será que a temática destes filmes é tratada com impropriedade? Será que há desvirtuamento de valores éticos?

Enquanto que a Academia parece privilegiar cada vez mais a técnica em detrimento do roteiro, fica a pergunta para nós: a que película daremos o Oscar de melhor filme? E se nenhum deles merecer ser visto, o que faremos?

Lembrem-se de uma coisa: nosso filtro é bem mais amplo do que o filtro da comissão julgadora que forma a maior premiação do cinema mundial.

Marcel Hessel, crítico do site Omelete assim dispôs sobre o filme Os Infiltrados: “Filmar a violência é uma forma de tentar entendê-la, tentar entender aqueles que a utilizam e, por extensão, compreender as próprias divisas da nossa sociedade.” Não sou crítico profissional. Mas, com o perdão da ousadia, filmar a violência da forma como têm feito grandes como Martin Scorsese, Quentin Tarantino e outros é mais uma forma de incentivo do que de análise. A estilização e a celebração da mesma em nada contribui para a compreensão do fenômeno real que assola o nosso país. Ao inverso, justifica aqueles que fazem uso dela e populariza seus métodos.

Assim, vamos esperar ansiosos até o dia da grande festa para conferirmos se o Oscar vai para o melhor filme ou a melhor desvirtuação de valores.

Abração…

Ângelo Bernardes

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Um amigo, um covarde e uma pipa

janeiro 29, 2008

Quando consegui assistir o novíssimo O caçador de Pipas (The Kite Runner, EUA, 2008) fiquei procurando uma frase que pudesse resumir o filme e que fosse impactante o bastante para me fazer lembrar do sentido central da história. Pois é, a dita frase só me veio no final. Aliás, ela me veio duas vezes, mas só fui atribuir a ela o status de frase-chave na ultima cena do filme.

O longa (como vocês já devem estar carecas de saber) é baseado no best-seller de título homônimo do escritor Khaled Hosseini.  Narra a história de dois garotos na pré-adolescência: Amir (Zekeria Hbrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada). O primeiro é rico, filho de um importante cidadão de Cabul, capital do Afeganistão. O segundo é filho de um dos empregados do pai de Amir. Na verdade o garoto pobre e analfabeto é descendente de uma raça considerada inferior.

Os dois protagonistas foram criados como irmãos e consideravam-se melhores amigos. Porém, a latente superioridade econômica e cultural de Amir contrasta o tempo todo com sua dificuldade para lidar com as situações do cotidiano, com as quais Hassan lidava com muito maior destreza. Amir era contido, covarde e egoísta, muito embora fosse dócil e obediente. Já Hassan era seguro, cheio de estima própria e possuía uma personalidade brilhante, sempre com uma frase em mente e com uma idéia para pôr em prática. Ele nutria uma amizade pelo amigo rico que ia da admiração por sua criatividade a uma fidelidade desconcertante, que não se abalava por nada, a não ser por seus princípios. Num dos diálogos mais significativos da película, Amir pergunta a Hassan se ele teria coragem de comer terra, caso ele o pedisse. Hassan imediatamente retruca: – “Claro que comeria, mas você não me pediria uma coisa dessas, pediria?”

Os dois passavam as tardes se divertindo com suas pipas, brincando com outros garotos e procurando cortar as linhas dos papagaios (na minha terra se chama assim) dos demais.

O filme se desenrola em três partes. A primeira mostra a amizade entre os dois garotos, as competições com as pipas e a ocorrência de um fato que mudaria o curso da história. Ao perseguir uma pipa em queda para Amir, Hassan é violentado por alguns garotos mais velhos. A cena é violenta, porém a violência não é gratuita. Ademais, ela é mostrada de forma discreta e eficiente. Não mais explícita do que precisa ser. Amir assiste tudo, mas não tem coragem de fazer nada. Este fato, curiosamente, abalaria bem mais a vida de Amir do que a vida do próprio Hassan.

A segunda parte mostra Amir já adulto, vivendo nos Estados Unidos como um aspirante a escritor. Em dado momento ele recebe um telefonema de um antigo amigo de seu pai, no Afeganistão. O amigo explica que o filho de Hassan teria sido raptado e que Amir seria a pessoa certa para resgatá-lo.

A última parte mostra as investidas de Amir para tirar o filho de Hassan das forças Talibãs, até mesmo como uma forma de se redimir pela omissão ante à violência sofrida pelo amigo, no passado.

O cineasta Marc Foster dirige o filme com competência. A história é bem organizada, com atuações verossímeis (o garoto Ahmad Khan Mahmidzada é um show à parte) e com uma visão de uma Cabul pobre, porém feliz. Este quadro, porém, contrasta com a Cabul pós-invasão soviética, período no qual a terra começa a sofrer com a violência e a formação de grupos extremistas.

Falando em Marc Foster, o diretor de A Última Ceia e Em Busca da Terra do Nunca, é preciso tecermos dois comentários em relação ao seu O Caçador de Pipas:

1. A trilha sonora do longa é toda pautada nos sons orientais-arábicos, com uso da percussão típica do lugar e dos instrumentos peculiares ao mesmo. Ou seja, ela acompanha o cenário, não as emoções do filme. Assim, a música de fundo muitas vezes não é forte o suficiente para destacar a cena que se desenrola.

2. O outro problema diz mais respeito ao contexto cultural do filme do que à habilidade do diretor. Marc Foster é conhecido pela seu raro dom para mexer com as emoções do público e principalmente pela sua infindável capacidade de produzir ternura nas cenas de seus filmes. Foram tais características que o tornaram famoso e que fizeram de Em Busca da Terra do Nunca, por exemplo, uma verdadeira fábrica de lágrimas. Porém, é fato que os orientais são muito mais reprimidos ao demonstrarem emoções do que os ocidentais. Assim, os atores de O Caçador… são mais contidos do que deveriam ser, tomando por base a linha de construção de cenas comumente utilizada por Foster. Quando os personagens demonstram dor, o fazem de maneira discreta, o choro é discreto, o medo, a comoção, tudo é muito contido. Assim, Foster abriu mão de sua principal marca para imprimir realismo a seu filme.

Se do ponto de vista cinematográfico este fator pode decepcionar os espectadores mais ansiosos, do ponto de vista cultural é um ganho: não há sinais de manipulação de sentidos aqui. Se você há de se emocionar, será pelos fatos em si, não pela trilha sonora nem pela atuação mais emotiva deste ou daquele ator.

Enfim, o filme nos mostra uma história comovente sobre um amigo leal e corajoso e sobre um covarde que teve uma segunda chance. É finalmente uma história sobre uma frase ditas duas vezes. A primeira vez por Hassan para Amir. A segunda vez por Amir para o filho de Hassan: “Por você, eu faria isso mil vezes.”

Esta frase me constrangeu profundamente, pois me elevou o pensamento diretamente ao meu relacionamento com Jesus.

À semelhança de Amir, eu sou somente um garoto covarde, que nem sempre tem coragem de assumir minha amizade com Cristo. Pior, às vezes me encontro com vergonha de defendê-lo ou de andar com ele. Às vezes me pego sendo indiferente ao seu sacrifício por mim, quando ignoro o significado da cruz e me ponho a viver a vida do meu jeito.

Porém, à semelhança de Amir, também são me dadas segundas chances. Oro para que Deus me dê forças para ser fiel a este amigo que daria a vida por mim “até mil vezes” se fosse preciso.

Bueno, com este último post eu fico em dia com vocês. Até quinta-feira então (sem mais atrasos, eu espero).

Abração.

Ângelo Bernardes.

Nota: O filme é recomendável tanto quanto o livro. Porém, é preciso que você saiba que ele não deve ser assistido por crianças, dado às cenas de violência e à necessidade de maturidade para compreensão dos fatos narrados. Respeite a classificação indicativa de 14 anos destinada à película.

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Hollywood, Will Smith e o fim do mundo

janeiro 29, 2008
                                    Hollywood já tentou destruir nosso planeta um sem número de vezes. Em pelo menos cinco delas, Will Smith foi chamado para evitar o pior (vide Independence Day, Homens de Preto I e II, e Eu, Robô, por exemplo). A ultima aventura do ator negro mais bem sucedido do mundo foi bastante solitária. Em Eu Sou a Lenda (I Am Legend, EUA, 2008), Smith interage a maior parte do filme apenas com uma cadela pastor alemão chamada Samantha.

O longa é uma adaptação competente do livro homônimo de Richard Matherson, considerado um clássico da ficção científica.

Nele, o vírus do sarampo é manipulado para fornecer a cura do câncer, mas sofre uma mutação e provoca uma doença nos humanos e animais infectados, apresentando sintomas semelhantes aos da raiva, só que bem mais graves. As pessoas perdem suas feições humanas e se tornam animais selvagens.

O tal vírus e suas conseqüências fazem com que a população da terra seja quase toda dizimada, restando apenas o Will Smith, a brasileira Alice Braga e mais um punhado de pessoas.

 

Smith interpreta o doutor Robert Neville, um cientista que pesquisava a cura para a doença causada pelo vírus antes que ele se alastrasse pelo planeta.

Não pretendo entrar nos méritos e desméritos técnicos do longa, porém, alguns detalhes me chamaram a atenção.

Filmes-catástrofe sempre renderam alta bilheteria. Parece que os espectadores possuem um prazer infindável em ver seus pares sendo quase que extintos e seu planeta agonizando, seja nas mãos de E.T.’s, seja pela fúria da natureza ou pela ação destruidora do homem.

Em parte, isso se deve menos a um gosto pela desgraça e mais a uma necessidade de ver como seria uma mudança brusca no nosso mundo, o que se torna não somente possível, mas inevitável, nos filmes catástrofe. A insatisfação das pessoas como o mundo tal como se encontra termina por levá-las ao cinema para ver o que aconteceria se este planeta fosse (quase) destruído e as pessoas começassem do ponto zero a refazer suas vidas.

Curiosamente o que elas querem ver destruído são apenas prédios, governos, cidades e seres humanos e não as estruturas culturais decadentes que regem nossa sociedade.

A mudança, neste tipo de filme, ocorre no ambiente, não nas pessoas.

Outro ponto trazido à discussão em Eu Sou a Lenda é a interminável capacidade humana de provocar a destruição em maior ou menor escala. Enquanto o homem brinca de Deus, a natureza reage para devolvê-lo à sua condição de mero mortal e avisá-lo que a humanidade não tem a inteligência e a sabedoria necessária para avançar em certos aspectos. Estas informações são latentes em filmes como The Day After, clássico do pós-guerra que mostra o que aconteceria se a Terra fosse envolvida num conflito nuclear. Porém, após o 11 de setembro, os filmes-catástrofe se tornaram mais pessimistas e focaram uma nova ameaça. Se, antes dos ataques terroristas, o problema era com guerras e invasões alienígenas (vide o arrasa-quarteirão Independence Day, protagonizado também por Will Smith), depois do evento o inimigo tornou-se o próprio homem, ou as conseqüências de seus atos (como visto em O dia Depois de Amanhã e Filhos da Esperança, por exemplo). O fato é que, todas as vezes que o ser humano invade o campo de atuação do Criador, seus atos se voltam contra ele.

Por fim, ficamos ainda com uma frase intrigante, vista logo no início de Eu Sou a Lenda:Deus ainda nos ama. Nós ainda amamos a Deus?”

Os mais incautos podem achar se tratar de uma mensagem subliminar (esqueça isso) ou mesmo descartar o out-door como algo sem importância. Porém, lá pelo meio do filme, fica claro o sentido dado à pergunta: Dr. Neville tenta esclarecer as dúvidas de Anna (Personagem de Alice Braga) com a seguinte máxima: “Não foi Deus quem fez isso, Anna. Fomos nós.” Poderia ser uma simples frase não fosse pelo fato de que Neville perdeu sua fé em Deus depois de ter visto a tragédia que assolou o planeta. Mais tarde, contudo, ele será forçado a admitir que Deus esteve ali o tempo todo mandando sinais. Os homens é que preferiram ignorar.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Não se trata de um filme pedagógico (como se poderia dizer do brilhante SINAIS, do qual falaremos em breve). No final das contas Eu Sou a Lenda é simplesmente um filme-pipoca, nada mais. Assim, não saia por aí dizendo que estou recomendando o filme. Você dispõe de elementos suficientes nos posts anteriores para decidir por si mesmo se deve ou não assisti-lo.

Porém, qualquer que seja sua decisão, se você não for um alienígena visitando nosso planeta, certamente vai ouvir falar de Eu Sou a Lenda e talvez se depare com as questões que ele suscita. Assim, eis alguns fatos do ponto de vista cristão sobre o assunto: sim, o homem tem uma imensa capacidade para provocar a destruição quando se afasta dos princípios divinos; não, não temos tanta capacidade de nos reerguermos das cinzas que nós mesmos criamos. Muitas vezes precisamos de um herói que nos salve. Pense duas vezes antes de buscar este herói na figura de um outro ser humano, você poderá estar cometendo o mesmo erro.

Por último, Deus nos ama. Ele jamais nos entregará à nossa própria sorte por mais tempo do que o necessário. Ele jamais permitirá que soframos sem um propósito e Ele é o único herói capaz de nos salvar, verdadeiramente, da nossa própria miséria, e não mudar somente concreto e paisagem.

Abração.

Ângelo Bernardes

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Cardápio de Fim de Férias “Ação J.A.”

janeiro 29, 2008

As férias estão terminando e você já deve estar fazendo uma lista de coisas que precisa fazer antes de voltar às aulas ou ao trabalho.

Quer uma recomendação? Vá à praia, pratique esportes, aproveite para se envolver mais na igreja, saia com amigos, ponha seu ano bíblico em dia, visite parentes que não vê a um bom tempo.

Porém, se mesmo assim você ainda tiver tempo livre, para aquelas noites monótonas em que tudo o que a TV lhe oferece é a novela das oito (e a TV não costuma oferecer coisas muito melhores não), gostaria de lhe sugerir um cardápio. Uma série de bons filmes que podem fazer você se divertir sem que isso comprometa a sua inteligência. Aviso logo: tenho uma fama injusta de gostar de filmes que ninguém mais gosta (minha companheira de blog, dona Tatyanne de Morais é uma das responsáveis por espalhar isso). Porém, me dê uma chance. Você não vai se arrepender.

Entrada: Escritores da Liberdade (Freedom Writers, EUA, 2007)

O filme conta a história real de Erin Gruel, uma professora iniciante que opta por dar aula numa escola pública do subúrbio. Lá ela se depara com um grupo de alunos delinqüentes, membros de gangues, cujo rendimento escolar é pífio e que, por isso mesmo, são desprezados pela administração do colégio. Erin pretende provar que um pouco de perseverança, amor à causa e boas idéias podem mudar este quadro. O filme faz refletir o preconceito, as imposições sociais e o papel da educação da formação do ser humano. Não. Não é um filme chato. Muito pelo contrário. As histórias dos alunos de Erin vão prender você e te mostrar um outro ponto de vista sobre os grupos sociais.

 

Acompanhamento: À Procura da Felicidade (The Persuit of Hapiness, EUA, 2007).

Will Smith interpreta a história real de Chris Gardner, pai de família completamente falido, e sua luta para criar seu filho (interpretado por Jaden Smith, filho real de Will.). Você pode pensar que se trata daqueles melodramas cheios de sermões. Esqueça. O filme tem ótimos momentos de comédia e não se foca na miséria do personagem principal e sim na força dele para dar a volta por cima. Há cenas memoráveis como a que Gardner dorme com seu filho num banheiro público fingindo ser uma caverna pré-histórica para abrigá-los de dinossauros, só para que o filho não sofra com a real situação em que se encontravam (foram despejados por falta de pagamento de aluguel). É uma ótima oportunidade para aprender sobre perseverança, fé, princípios e principalmente trabalho duro.

 

Prato Principal (Pode-se ver no sábado): Terra Selvagem (End Of Spear, EUA, 2005).

Uma das mais belas histórias já produzidas por Deus e transformadas em filme pelo homem, Terra Selvagem narra os fatos reais acontecidos a um grupo de cinco missionários e suas famílias. Estes homens tentavam levar o evangelho a uma tribo de índios homicidas no Equador, quando foram acometidos por uma tragédia que mudaria o curso de seus planos. Surpreendentemente este triste fato trás a tona toda a beleza da história. Qualquer detalhe que eu dê a mais tirará a graça do longa. A película mostra o amor de Deus e o amor ao próximo como os pilares básicos da vida. Falaremos melhor sobre este filme em outro post. Assim, assista logo,antes que eu conte o final.

Sobremesa: Poseidon (Poseidon, EUA, 2006).

Ok. Você também tem direito a um pouco de diversão sem maiores pretensões. Mas lembre-se: este filme é a sobremesa, nada de assisti-lo antes do almoço acima. Trata-se de um bom filme-desastre com ótimos efeitos especiais, sem violência interpessoal, sem sexo, sem linguagem depreciativa, sem filosofias estranhas, enfim: é pura ação. No enredo, uma luxuosa embarcação vira de cabeça para baixo quando é atingida por uma onda gigante. O ponto principal é a luta dos sobreviventes para chegar à saída do navio e serem resgatados. Nada mais do que isso.

Ok, o almoço está servido. Bom Apetite.

Abração.

Ângelo Bernardes.